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    HOMENAGEM À IRENE SERRA


    Entre algumas homenagens que já rendi a amigos da antiga ou a outros, mais recentes, amizades que surgiram aqui mesmo nesta internet, eu reconheço que tinha uma dívida de gratidão para com esta boa amiga, Irene Serra.

    No final do ano 2000, quando eu batia de porta em porta, buscando oportunidade de apresentar alguns dos meus escritos em sites literários, cheguei à revista RIO TOTAL. A acolhida que recebi me encantou, embora eu ainda fosse um ilustre desconhecido neste espaço virtual.

    Irene me conheceu primeiro através de alguns poemas, porém ao saber que no passado eu já me dedicara a escrever crônicas ela pediu que eu lhe apresentasse alguns textos. Não me fiz de rogado. Logo ela disse ter gostado muito do que lera e me incentivou a divulgá-los no CooJornal do Rio Total. Estávamos já em Janeiro/2001.

    Minha primeira crônica editada por Irene Serra foi “Formatura de Segundo Grau”. Foi apenas uma arrancada para uma trajetória que perdura até hoje. Sempre escrevo textos inéditos, semanalmente. De há muito considero o Rio Total minha casa virtual.

    Descobri depois que éramos quase vizinhos, em Ipanema, quando passei a conhecer Irene Serra e seu marido, o Luis Carlos Guedes, pessoalmente. Hoje, Irene me lembra que nasceu e cresceu em Ipanema, amando a praia e tendo o Morro Dois Irmãos como sua vista preferida do Rio.

    Outro dia ela me dizia: “Quando estou triste, penso no meu canto, na minha praia. É um bálsamo e logo me sinto bem.” – Além de excelente escritora e poeta, e competente webdesigner, Irene estudou psicologia e fonoaudiologia com direito a uma pós-graduação na John Hopkins, em Baltimore, EUA.

    A sensibilidade de Irene Serra, ainda criança, a levou a estudar piano. A propósito disso deixemos que nossa homenageada nos faça uma revelação, com suas próprias palavras:

    “A maior emoção que tive na minha vida veio de um desconhecido. Comecei a estudar piano aos 7 anos de idade. Tive professores maravilhosos, entre eles, Jacques Klein. Esse dom musical veio do meu pai, o maior incentivador que alguém pode ter. Eu gostava muito do piano perto da janela, por causa da luz que me facilitava a leitura da pauta.”

    “Certo dia, já com meus 25 anos, tocava o Soneto de Petrarca nº 104, de Liszt, quando a campainha tocou. Abri a porta e lá estava um senhor, evidentemente comovido. "É daqui que estão tocando piano?" Aquiesci e ele simplesmente completou: "Suas notas choram... Posso me sentar e ouvir um pouco?" Muitas outras vezes ele foi à minha casa me ouvir tocar. Época boa em que podíamos abrir a porta sem medo.”

    Certa vez, em entrevista ao escritor Marciano Vasques, de S. Paulo, Irene revelava como ela chegou à criação da revista Rio Total. Tudo começou com 1994, com o Catálogo do Rio que visava à divulgação de artigos e serviços médicos, apenas em Ipanema. Em poucas semanas, profissionais de diversas outras áreas e lojas a procuraram para que fizesse também sua divulgação. Surgiu então a idéia de expandir o catálogo em revista colocando artigos diversos especialmente relacionados à literatura e ao bem-viver na terceira idade.

    Assim, em 1995 surgia a Revista Eletrônica Rio Total. Outras seções foram sendo criadas e os colaboradores foram surgindo para o CooJornal, que ficava a cargo do marido de Irene, o Luis Carlos Guedes.

    Desde então Irene não parou mais. Mulher de fibra, guerreira, jamais deixou que as pedras do caminho a desestimulassem. Se alguma vez tropeçou, logo estava de pé com coragem e determinação dando seqüência a sua magnífica obra.

    Irene diz muito bem de sua alegria no artigo que divulgou em 04/11/2006, “As 1.503 Noites”. Ela comemorava então a edição de número 500:

    “Assim como durante 1.001 noites Scherazade contou histórias ao Califa de Bagdá, editamos muitas passagens gloriosas escritas por vocês, nossos Simbads, Zoneidas e Aladins. Mas também, para sobreviver nesse mundo virtual, inúmeras vezes incorporamos Ali Babá, bradando um Abra-te Sésamo.

    É como se a vida lá fora deixasse de ter existido por anos! Quantos cafezinhos na madrugada, festas não idas, comemorações adiadas... mas sempre a mesma dedicação, prazer e vontade de tudo sair perfeito. Este é o espírito do Rio Total, é a nossa história!

    Mas nada disso valeria a pena se não fossem as amizades formadas ao longo desse tempo o bem mais precioso.”


    Vou encerrar esta justa homenagem à boa amiga Irene Serra valorizando o seu lado poético:

    AMOR


    Não tenhas pressa de encontrar aquilo
    Que amor se chama e, em descrever, me excedo.
    Teu coração é plácido e tranqüilo
    E não precisa de sofrer tão cedo.

    Dia virá, no entanto, em que o bacilo
    Deste mal que progride lento e ledo
    Há de roer-te o peito, o brando asilo
    Onde o acolheste sem suspeita e medo.

    Por isso mesmo evita procurá-lo:
    Daquele que lhe mata o sonho insano
    Torna-se escravo em rápido intervalo.

    Mas, se a gente o procura (acerbo engano)
    Ele, que é feito para ser vassalo,
    Faz-no de servos, torna-se tirano...



    Francisco Simões. (Junho/2010)