Entrevista
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    Minha entrevista a Marc Fortuna



    Entrevista concedida a Marc Fortuna, em 2 de julho de 2001.

    Está na "Sala da Lareira", do CANTINHO DO POETA.

     


    Nome: Francisco Mario Simões dos Santos
    Cidade e país: Rio de Janeiro - Brasil   
    E-mail:  fm.simoes@terra.com.br
    HP: ainda não tenho
    ICQ: não participo, por opção pessoal
    Pseudônimo:  Titó


     1 - Qual a sua profissão e qual a ligação dela com a literatura?

    Estou aposentado há alguns anos. Profissão, de carteira assinada, tive duas. Fui radialista aos 17 anos, por concurso. Já escrevia crônicas diárias para o rádio, assim como criei, produzi e dirigi 4 programas. Depois ingressei no Banco do Brasil, também por concurso público, e lá me aposentei. Só fui bancário mesmo por 2 anos. Ministrei cursos, escrevi apostilas, coordenei cursos e palestras durante anos, além de ter chefiado setor de comunicação Áudio-Visual, quando também escrevia textos, participava da criação em várias etapas. Creio ter, em ambas as profissões, tido uma ligação sempre direta com a literatura, por várias formas de expressão.

     
    2 - Já publicou algum livro? Pretende publicar?

    Não. Recusei várias ofertas porque acho que ainda não chegou a hora. Tenho 64 anos, mas só voltei a escrever poesias em 1994 e retornei às crônicas em janeiro deste ano, incentivado tanto pela boa amiga Irene Serra, como por Leila Miccolis, à época. Mas não vai demorar muito  minha decisão de publicar meu primeiro livro.

     
    3 - Como você define a sua obra?

    O que já escrevi de 1994 até agora nem sei se merece a classificação de Obra. Entretanto, o que já produzi, em verso e em prosa, demonstra minha permanente preocupação com o ser humano. Procuro criticar, denunciar a hipocrisia reinante e as injustiças sociais, este sistema mantido por poucos que deixam para a grande maioria, apenas "as sobras da ceia".  Na prosa e no verso diria que sou mais crítico que romântico, embora goste de contar  também histórias impregnadas de emoção. Diria que a minha "obra"  vai se formando aos poucos desde 1994. O que escrevi no passado, por lá ficou.

     
    4 - Quais os elementos que te inspiram a escrever? 

    O que toque fundo a minha sensibilidade. O cotidiano me oferece muita matéria prima. Jamais escreverei sobre o que não sentir. Talvez não desse um bom ficcionista, embora goste de sonhar, de alimentar utopias como a de que o ser humano, algum dia, vai ter e fazer justiça igual para todos. Admito críticas...

     
    5 - Que qualidade você considera essencial para um escritor?

    O escritor deve ter sensibilidade, acima de tudo, mas também ser criativo e se dedicar ao exercício permanentemente, fazendo-o com prazer. Jamais escreveria algo por obrigação, por encomenda, embora tenha conseguido já uns 2 prêmios em concursos com poesias escritas especificamente para ambos, pelos temas impostos. Mas não faço disto um hábito. 

     
    6 - Em que ambiente você prefere escrever?

    Nenhum ambiente em especial. Já escrevi poesias, como "Cinzas do Tempo", fazendo caminhada na areia da praia. Lá também já me surgiram idéias de crônicas que ponho logo num mini-gravador que carrego comigo. Escrevi os primeiros versos de "Aleluia" andando pela Av. Copacabana e vendo tanta mendicância a minha volta. "Tempo de Corvos", "Excelência", "Sorriso Brasileiro" surgiram ao assistir por noticiário da Tv a cenas deprimentes de profesores, trabalhadores, sem terra sendo massacrados pelas milícias do poder, as mesmas que vimos proteger,  tantas vezes, a criminosos do colarinho branco, para não serem linchados. Acredito sim em inspiração, embora não dependa só dela para escrever, absolutamente.

     
    7 - O amor, para ser eterno em literatura, tem que ser necessariamente trágico?

    Não necessariamente. Se a tragédia foi um elemento predominante em alguns romances que ficaram eternos, em outros ela passou ao largo. Na poesia, lembro Vinicius que também eternizou o amor, inclusive no "Soneto da Fidelidade", pelo que o amor tem de chama, de emoção, de paixão. Poderíamos ir a Drummond e tantos outros e nos depararíamos com exemplos do amor que deve ser vivido, vivenciado, sentido profundamente mas que dispensa o clima de tragédia para se tornar eterno. Mas, quem sabe minha visão está equivocada? Eu não sei viver sem amor, e me declaro um eterno apaixonado pela vida e por tudo que amo. Estou casado há 37 anos. Devo ser suspeito para opinar.

     
    8 - Como você divulga os seus trabalhos? 

    Até dez/1999 eu distribuía minhas poesias entre amigos e amigos destes, etc. A partir dali, porque fui selecionado pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores, do Rio, do bom amigo Luis Carlos Martins, abriu-se a internet como veículo para divulgação de meus trabalhos e fui publicado pela primeira vez em livro. Hoje faço a divulgação por 16 sites aqui no Brasil, mais um em Portugal e o nosso querido Cantinho do Poeta, de vocês, aí em Londres. A lista dos sites está sempre na parte de baixo dos meus convites semanais para lerem as crônicas que ponho no Rio Total.


     9 - O que fazer quando a inspiração não aparece?

    Já disse que não dependo dela, embora a receba vez ou outra. Brinco dizendo que algumas coisas que escrevo devem ter-me sido sopradas ao ouvido por um "parceiro" de outra dimensão. Escrevi o artigo "Poesia",  em menos de 2 horas, entre meia-noite e 2 da madrugada. Jamais pensara daquela forma antes sobre esse tema. Achei incrível até a repercussão que acabou tendo. Escrevo mais é sobre a vida que me cerca, sobre a realidade em que estou incluído, então há "inspiração" à vista permanentemente.

     
    10 - Quais os elementos principais para se escrever uma boa crônica?

    Para se escrever tem-se que estar motivado e motivação nunca me falta. Para o que se escreve ser considerado bom, depende do olhar crítico de quem nos lê. Nelson Rodrigues disse que "toda unanimidade é burra", ora nem todos que lêm o que escrevo acham bom. É natural. Julgo porém importante dominar-se também o idioma,  para além de talento,  inspiração, motivação, cultura geral etc.

     
    11 - Que autores serviram como fonte de inspiração para você ?

    Na análise inteligente e bem humorada de fatos, os mais sérios, diria que Luis Fernando Veríssimo sempre me agradou muito. Na crítica social e política sempre "bebi" muito nas letras do Chico Buarque, mas não só nas dele. O próprio mestre Drummond, que leio e releio sempre, Manuel Bandeira, João Cabral de Melo Neto, Vinicius de Moraes, quantos enfim me ensinaram e continuam me ensinando, como um esforçado aprendiz que sou de poeta e escritor. Até nos versos amargos, carregados de um sofrimento quase eterno, de Augusto dos Anjos, já retirei muitas lições de poesia. E por que não dizer que também aprendo e muito com Fernando Pessoa, e gosto de fazer releituras em Camões?

     
    12 - Você é um dos grandes colaboradores do site Rio Total, de Irene Serra.
            Fale-nos um pouco sobre o site:


    Entrei para o Rio Total em janeiro deste ano divulgando poesias. Logo depois Irene me convidou a voltar a escrever crônicas, o que interrompera quando jovem. Ela e o Luiz reestruturaram o COOJORNAL. No começo fomos apenas uns 4 a escrever naquele espaço. Agora há muito mais autores, o que é ótimo. O Rio Total me agrada muito, me fascina estar num espaço criado e mantido com tanto trabalho e tanto amor. O carinho e a dedicação de Irene Serra e do Luiz Guedes conseguiram elevar o RT a um dos primeiros lugares entre os sites existentes na internet. Hoje ele é realmente uma Revista Virtual da melhor qualidade. Oferece, além de excelente literatura em prosa e em verso, inúmeras  e variadas seções. Sem maiores alardes, o RT tem se firmado cada vez mais no conceito de dezenas de milhares de visitantes, do Brasil e do Exterior, que, mês após mês, não apenas se limitam à leitura, mas se comunicam rotineiramente, tanto com Irene como com Luiz, e com alguns dos seus colaboradores.  Essa interação é muito importante, estimula e recompensa o árduo trabalho  para manter o padrão de qualidade, ainda mais com atualizações semanais. O site contém 14 seções de assuntos os mais diversos, além de matérias especiais. Note que no CooJornal podem ser lidos também Lendas e Mitologia, Guardiões do Saber, Opinião Acadêmica, Clássicos da Música (produzido pela própria Irene) além dos Colunistas da Semana, como eu, este aprendiz, entre consagrados escritores como Affonso Romano de Sant´anna, Marciano Vasques, Luiz Guedes e tantos outros. Pelo que sei, Irene e Luiz alimentam um sonho de vir a transformar realmente em Revista o seu magnífico site. Eles vão conseguir.  Da minha parte, no RT sinto-me em casa.


    13 - Como você considera a Internet na Literatura?


    Julgo que a internet abriu um espaço onde muitos escritores e/ou poetas desconhecidos podem provar ou não o seu talento. Aqui você tem a oportunidade democrática de estar entre pessoas já consagradas, e não precisando depender do "famoso" QI, ou, quem indica. Ser aceito, ter sucesso, depende exclusivamente de você, ou de cada um de nós. Você não precisa mendigar a oportunidade. Ela está a sua espera, compete-lhe  provar o seu valor. A divulgação da literatura pela internet tem uma amplitude, um alcance fantásticos. Aqui eu iniciei a divulgação do que escrevia há anos e guardava nas gavetas, aqui estou há apenas pouco mais de 6 meses e tenho tido uma receptividade que me surpreende.  Só não creio que a internet venha a substituir o livro.  Para mim seria trágico. Pode-se e deve-se dela partir para a publicação de nossos trabalhos em livros, a meu ver, o ponto alto, a meta maior de quem se dedica a escrever.

     
    14 - Quais os seus projetos futuros?

    Com 64, às vésperas dos 65 anos, eu já estou no meu futuro. Tenho começado a organizar as idéias tanto para editar meu primeiro livro (já recusei algumas propostas, pois não tenho pressa) como para vir a criar a minha HP. Por ora estou muito bem no RT e em tantos outros sites, os quais jamais abandonaria se vier a ter o meu projeto particular de HP. Quando precisei de apoio eles não retiraram a mão, e eu jamais seria ingrato com amigos.

     
    15 - Que pergunta você faria a seus entrevistadores?

    Bem, além de agradecer do fundo do coração a honra da entrevista, eu perguntaria : Com a minha pequena bagagem literária, não acham abuso eu ultrapassar o hall e sentar-me desrespeitosamente na Sala  da Lareira ao lado de figuras de tal grandeza na Literatura Luso-brasileira?