Crônica
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    O GRANDE AMIGO BALASCO


    Gente amiga, entre tantos bons amigos que tive durante minha longa vida um deles foi dos que mais marcaram nossa relação em termos de amizade. O nome de batismo do gajo era Esmeraldo Alexandre Martins, porém ele era mesmo conhecido como Balasco. Seu apelido/nome é outra história que qualquer dia eu conto.

    Português nascido em Coimbra, Balasco era um figuraço. Atuava no Banco do Brasil junto com nossa grande equipe, sendo professor de Grafoscopia. Sua localização era na Ag. Centro de São Paulo, mas viajava conosco ministrando aulas em cursos por todo o país. Ficamos por demais amigos, quase irmãos, e quando eu fui diversas vezes ministrar cursos na capital paulista lá estava meu amigo Balasco dando-me sempre cobertura e me acompanhando nas aventuras fora e dentro do BB. Ele se aposentou cedo, depois adoeceu e partiu desta vida sem quase aproveitar a aposentadoria.

    Certa tarde quando eu caminhava no calçadão de Ipanema, isto em outubro de 1995, surgiram-me os versos abaixo que acabaram por me animar a escrever a referida poesia que irão ler, por favor.

    Saudações do Francisco Simões.

    CARTA A UM GRANDE AMIGO

    Amigo Balasco,
    Como vai essa lida?
    Mudaste de vida
    Trocaste de mundo,
    Mas nem um segundo
    Tu foste esquecido.
    Tens gostado daí?
    Espero que sim,
    Porque por aqui
    Vai tudo tão ruim.
    Amigo do peito
    Nem tenho jeito
    De te contar, mas
    Roubaram a decência,
    Defloraram a inocência.
    Torturaram a clemência,
    Alimentaram a demência
    Que até a decadência
    Está no “Hit Parade”.
    Os conceitos mudaram,
    A miséria aumentou,
    Alguns que lutaram
    A força os calou.
    Até reinventaram
    O tal de sequestro,
    Mas quanto ao resto
    A coisa vai indo.
    Só tem é que a gente
    Que ainda resiste
    E insiste em ser decente
    Nada contra a maré.
    Sabes como é, né?
    Temos que sobreviver,
    Porém o duro é ver
    Os que vão se afogando.
    Não sei até quando
    Nossa gente aguenta.
    Mas não vou te aborrecer
    Com essa lenga-lenga
    Que esta vida capenga
    Já não te diz respeito.
    Os amigos do peito
    Te mandam saudades
    Só que em verdade
    Têm medo da morte,
    Do desconhecido.
    Eles preferem a sorte
    De terem sobrevivido
    Por tantos anos aqui.
    Eu também amo a vida
    E ainda seguro a fé,
    Mas não fosse a Zezé
    Não sei não companheiro.
    Está faltando espaço
    Para tanta desilusão.
    Bem aqui vão dois abraços
    E uma saudade imensa,
    Pois a gente ainda pensa
    Muito em ti, meu irmão.

    Francisco Simões.
    (Outubro/1995)



    Janeiroo/2018