Crônica
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    O SAPO E O POETA


    Nesta atualização do meu site pessoal comentarei e apresentarei a vocês um poema que escrevi em agosto/2000 ao qual eu dei muito pouca divulgação, mas gosto muito dele, com certeza.

    Perceberão que utilizo os sapos para fazer uma forte crítica à falta de diálogo, e não só isto, porém também aos emproados discursos que a nada levam e que visam apenas iludir um povo pouco instruído na hora de decidir em quem votar, por exemplo.

    Gosto especialmente quando me debruço na crítica e digo: “... Tanto canto de sereia / Uma filáucia que se ateia / Nas tribos, nos saraus, à mesa / Uma bazófia burguesa / Burgomestres emproados / Sabujos entronisados.” Desculpem mas julgo que descrevi muito bem certas “reuniões” que ocorrem por este país afora especialmente em Brasília.

    Mais à frente critico o transformar-se dessa geração em pessoas “virtuais” (vejam que isto eu disse já em 2000, não agora) quando escrevi este verso: “Órfãos pensamentos, acéfalos” ... É verdade, muitos hoje em dia sequer sabem conversar, sequer têm idéias que possam aplicar ou transmitir, sequer pensam, apenas se submetem à tecnologia!

    Gosto quando afirmo nestes versos: “Estamos deixando poluir-se o amor / Esvaziar-se a ânsia do sonho impossível”... É o que eu vejo, é o que eu penso, amigos e amigas, me perdoem os que não se encaixam nesta minha visão, sei que os há também, felizmente.

    Ademais indo em frente no meu espírito crítico eu comento com outros versos: “Sobejar o medo, desalentar a paz / Fugir a vida ao esconde-la”... Olhem em volta de si e vejam se não tenho razão, gente boa. Quantos hoje nem vivem nem deixam viver, seja nos desencontros de casais que se matam por não “aceitarem uma separação” seja por alguns viverem a se esconder da verdade em vez de enfrenta-la de frente, e assim se anulam no dom da vida. Quantos não assumem seu destino.

    Enquanto isto eu reconheço que há muitos e muitos sapos que diferentemente de outros muitos seres humanos ainda batem longos papos, ainda sabem amar, “na cumplicidade do silêncio e do luar”. Saudades da minha juventude!!

    Agora os convido a ler meu poema escrito, repito, no ano 2000, quando certa noite estando só num dos quartos de minha casa aqui em Cabo Frio de repente surgiu a ideia e aos poucos a fui desenvolvendo. Inspiração é isto, nada externo provocou aquilo apenas uma ideia que me visitou numa noite de inverno.

    Francisco Simões (Abril/2017)



    O SAPO E O POETA

    Alguns gordos e felizes sapos
    Ainda batem longos, longos papos
    Nos seus lodosos e felizes charcos
    Marcos dessa civilização
    Que imuna a emoção,
    Que desumana o convívio.

    Tanto canto de sereia,
    Uma filáucia que se ateia
    Nas tribos, nos saraus, à mesa,
    Uma bazófia burguesa,
    Burgomestres emproados,
    Sabujos entronisados.

    Estamos ficando enfermos
    Qual um roseiral apétalo,
    Qual noite que esqueceu o orvalho,
    Órfãos pensamentos, acéfalos,
    Na ventura de virtual sermos
    Se virosos não tombarmos falhos.

    Estamos deixando poluir-se o amor,
    Esvaziar-se a ânsia do sonho impossível,
    Grassar a epidemia do torpor,
    Arder a brenha, esfumar as estrelas,
    Sobejar o medo, desalentar a paz,
    Fugir a vida ao escondê-la.

    Enquanto isso ainda há gordos sapos
    Que batem longos, longos papos,
    Que têm a noite, as estrelas, o tempo de amar
    Na cumplicidade do silêncio e do luar.
    Oh! Trevas, Oh! Bruxas, alerta:
    Transformem em sapo este poeta.
    ...........................................................................
    Autor: Francisco Simões
    Em: Agosto / 2000