Crônica
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    O AMOR E O TEMPO, EM PROSA E VERSO


    Gente amiga, estes versos que lerão abaixo foram por mim escritos num momento de desabafo em que me encontrava no ano passado. Não me recordo o mês muito menos o dia em que o escrevi o fato é que se tivesse sido escrito hoje valeria com o mesmo sentido que o poema nos faz perceber ao lê-lo a qualquer tempo.

    Em verdade durante minha vida inteira até hoje, ou já oito décadas vividas, tive alguns amores. Confesso que amei e sei que fui amado, embora nem sempre o amor tenha sido correspondido na medida em que meu coração esperava.

    Digo isto porque um dos meus melhores amigos, companheiro dos antigos tempos, sempre me disse que amor de verdade ele só sentira uma vez na vida e que não acreditava que se pudesse amar mais de uma pessoa. Sempre respeitei sua afirmação, afinal eu sempre tive o maior respeito e admiração por ele.

    Eu só não podia era mentir dizendo que o mesmo acontecia comigo, visto que amei sim mais de uma vez, e amaria sempre que houvesse alguém para corresponder ao meu sentimento mais nobre.

    Nem sempre amar significou, entretanto ser feliz, isto também é verdade, mas nem por isso abafei ou matei o amor em mim mesmo não sendo ele totalmente correspondido. Jamais faria isto. Conheci pessoas que quando se fala em amor elas apenas riem, não acreditam. Certamente alguma vez já amaram, porém não querem deixar transparecer por qualquer motivo pessoal. Tudo bem.

    Senti aquela amizade sincera, forte, que ia para além do sentido de simples relacionamento desde muito jovem. Nem todas as minhas namoradas despertaram em mim o amor que outras conseguiram. Isto também é verdade.

    Cheguei a ter um amor proibido na juventude justo porque nossas famílias não se davam bem e porque havia certo tom de preconceito tanto de um lado quanto de outro. Fomos levando nosso namoro até quando deu.

    Neste caso sofri um bocado, pois quase fui agredido pelo irmão mais velho da jovem que era militar e tentava evitar que sua irmã sofresse. Ele tinha razão porque sua irmã ainda que bonita e muito amada por mim não era aceita no meu seio familiar.

    Acabamos seguindo rumos bem diferentes e nunca mais nos vimos. Também namorei e amei e fui amado por uma jovem que sempre me pareceu que viria a ser minha esposa. O erro, muito grave por sinal, cometido de repente, foi todo meu, eu assumo a culpa e confesso que paguei caro por me enrabichar por outra pessoa e com ela acabar casando pela primeira vez.

    A união não passou de três anos e me fez experimentar um viver solitário, em cidade desconhecida, morando em apartamentos de empregada, chorando à noite, mas sem jamais contar nada a meus familiares em Belém. Eu era funcionário novo do BB, ganhava pouco, e me virava dando aulas nos fins de semana e em algumas noites para sobreviver.

    Embora eu quase não tivesse tempo para pensar em amor certo dia acabou acontecendo novamente. Pareceu a mim durante bom tempo que aquele seria o amor que me acompanharia até o final dos meus dias, porém eu estava enganado.

    Após alguns anos bem vividos quis o destino que nosso relacionamento deveria chegar ao fim. Parece que algumas vezes o destino, ou a vida escreve torto por linhas aparentemente certas. De repente me vi novamente só embora tivesse companhia que me ajudou e muito a sobreviver, isto ali já pelos 63/64 anos de existência.

    Hoje ouvi um poeta dizer que as lágrimas nem sempre são de tristeza, realmente, tive motivo para chorar novamente, mas de alegria. A vida, que cheguei a julgar que brincava comigo, me estendera sua mão mais uma vez.

    Parecia que eu ressurgia das cinzas sem saber o que mais a vida colocara em seu script para mim. O tempo foi passando e aqui estou, aos 80 anos, “nadando” ora a favor ora contra a maré, todavia seguindo em frente alternando meus momentos de alegria e de macambúzio, tateando para não descarrilar mais num viver com altos e baixos desde que me reconheço por gente, como dizem. Enquanto a vida me permitir estarei aqui.

    Agora eu os convido a ler meu poema abaixo e agradeço vossa atenção.

    Francisco Simões. (Março/2017)


    O AMOR E O TEMPO

    O amor ficou no tempo
    Embrulhado em saudades
    Escondido em mentiras
    Pois as verdades machucam
    E assim o passado guarda
    O que o presente não ressuscita
    Nem sente, nem oferece,
    Nem sequer imita.
    O amor ficou no tempo
    Num tempo de paz, de vida,
    Vivida com intensidade
    Uma realidade passada
    Mergulhada para sempre em saudade.
    Quem hoje o vê não imagina
    A sina de quem soube e sabe ser feliz
    O coração finge, mas nada diz
    Da mágoa que dói na alma
    Do vazio de cada dia.
    Talvez não haja mais tempo para amar
    Apenas tocar a vida sem sonhar
    Enfrentar uma realidade fria
    Que se mostra indiferente
    Que nem sempre sente nem permite o amor.
    Falta espaço para ele na minha existência
    Ou perdeu a importância na convivência.


    (Francisco Simões / 2016)