Crônica
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    LEMBRANÇAS DO POETA


    O poema que vocês lerão mais abaixo e que tem o mesmo título deste pequeno texto foi por mim escrito em janeiro/2001. Seus versos foram chegando à minha mente numa enxurrada de recordações, algumas verdadeiras, outras talvez nem tanto. Quando se está poetando é assim mesmo.

    A inspiração a mim nem sempre ocorre à luz de algum fato, de algum momento poético, de alguma crítica que julgo necessária, de saudades ou recordações tais como as que eu relaciono nos versos abaixo.

    Aliás, quando escrevi este poema mal eu sabia que exatamente um ano depois surgiriam os primeiros sintomas da doença fatal que em um ano e meio viria a vitimar minha então esposa.

    Muito do que descrevo nos meus versos abaixo tem a ver com nossa longa vida juntos ou cerca de 38 anos. Eu falo de nossa convivência, nossa felicidade, quando eu estava apenas com 64 anos de idade. Digo “apenas” visto que tínhamos disposição, energia e muito amor para trocar, para dar, para sentir.

    Claro que os versos relembram também muito de minha vida desde jovem, recordações que se mesclam na vida por nós vivida numa existência de paz, alegria e felicidade sem dúvida alguma. Hoje tudo que aqui digo virou saudade, apenas saudade, que jamais me deixará só mesmo eu tendo dado outro rumo a meu viver atual.

    Há tempo para sorrir, tempo para chorar, tempo para viver e tempo para recordar. Vivo minha realidade atual, porém nunca abandono as recordações do meu passado, desde a infância, juventude e o que decidi e assumi mais à frente trazendo meus dias até hoje. As palavras que encerram o poema abaixo dizem bem o que eu era, o que eu sentia, isto no começo do ano de 2001:

    “Hoje te resta este poeta,
    Um leão envelhecido, mas desperto,
    Um alpinista que por certo já se cansa
    Mas ainda alcança o prazer, teu absinto,
    Um vulcão adormecido, não extinto,
    Um homem apaixonado, enleado
    No viver e nas lembranças,
    Paladino das andanças do coração.”

    Francisco Simões (Outubro/2016)

    LEMBRANÇAS DO POETA

    Recordas do vulcão
    Que em permanente erupção
    Jorrava suas lavas
    Aquecendo tuas entranhas
    Enquanto ardias, deliravas
    Numa fúria louca de amor
    Injetada em tua sanha
    E na manha de mulher-flor
    Que se abria e despetalava
    E se rendia em torpor?

    Recordas do alpinista
    Que tua epiderme escalava,
    Que ascendia e que descia
    Na sinuosidade do teu corpo
    E em teus pêlos se embrenhava,
    Se encontrava, se perdia,
    Deslizava em teus sulcos
    E inflamada escorrias
    Liquefazendo teu desejo
    Que um beijo consagrava?

    Recordas do leão
    Que te jazia no chão
    Em total dorsal decúbito
    E que irrompia súbito
    Teus caminhos mais secretos
    Entre os desertos de tuas nalgas
    E tu, domada e domadora,
    Sugavas-me até a última semente
    E ardentes sucumbíamos ao cansaço
    Estirados no mormaço do prazer?

    Hoje te resta este poeta,
    Um leão envelhecido, mas desperto,
    Um alpinista que por certo já se cansa
    Mas ainda alcança o prazer, teu absinto,
    Um vulcão adormecido, não extinto,
    Um homem apaixonado, enleado
    No viver e nas lembranças,
    Paladino das andanças do coração.


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    Autor: Francisco Simões
    Em: Janeiro / 2001.
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