Crônica
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    DISFARCE


    Quando alguém diz que tem levado a vida sempre num mar de rosas, desculpem, para mim está mentindo. A vida não é eternamente felicidade e nem sempre ruína, não mesmo, entretanto ela normalmente oscila entre ser ou não ser, sorrir ou chorar, vitórias ou derrotas.

    Desde quando nascemos, ou quando chegamos a este mundo nossa sorte futura está selada. Quero me referir ao ponto final, ao término da existência, ou a morte. Mas é evidente que há que viver e nem todos sabem como conduzir sua vida.

    Alguns caem logo ao primeiro tropeço, outros resistem, se levantam e seguem em frente. A existência, como eu já disse acima, é uma estrada na qual curtimos felicidade entremeada com dor, algumas vezes muita dor mesmo. Nem sempre o exemplo de vida de alguém serve para nós, pelo contrário.

    Cada um deve segurar bem as suas rédeas e conduzir seu viver sabendo que nem tudo depende só dele ou dela. Digo isto porque temos pela frente costumeiramente percalços que nos são impostos pelo que alguns consideram destino, ou sina, ou sei lá o que.

    No começo de nossa existência costumamos ser levados pela mão de algum adulto, ou alguns, em família que nos encaminham ou nos preparam para um futuro que depois deveremos ter que enfrentar ou dirigir sozinhos, ou seja, por nós mesmos. Assim aconteceu comigo.

    Estou desenvolvendo este texto a partir da quadra que escrevi em 1999 e que nunca usei como divulgação. Para esta atualização do meu site pessoal resolvi escrever sobre um caminho em que sigo há já quase 80 anos. Infância e juventude feliz, muito feliz, com mais acertos do que erros até ter que tomar minha primeira decisão mais séria de vida.

    Logo vi que segui por um descaminho embora os encantos e as luzes que me envolveram tenham escondido uma imensa desilusão. Não posso dizer que me deixei enganar, melhor afirmar que eu quis ser enganado por uma paixão que cegava o amor. O desejo foi o alvo de tudo. Eu perdi.

    Recomeçar era preciso e a vida me ofereceu uma segunda chance. Amor, paz, alegria, felicidade e um tempo longo que agarrei com todas as minhas forças. Fiz tudo que pude para que durasse o mais possível mesmo sabendo que nunca há começo sem fim, mesmo se tratando de felicidade. Cometi erros, porém afirmo que tive muito mais acertos. No começo enfrentamos os problemas de quem ainda tenta se afirmar na vida. Com o tempo nosso relacionamento e nosso viver tornaram-se em paz com amor, todavia com pitadas aqui e ali de um equívoco superável.

    Se você me pergunta se fomos felizes, apesar de algumas eventuais e enganosas opiniões, afirmo que fomos sim, até o fim. E este fim foi decretado por um destino talvez já escrito antes de nascermos como alguns argumentam, pois se levarmos em conta nossa vida eu diria que foi injusto, muito injusto, mas nada se sabe sobre os tais “desígnios de Deus”.

    Senti-me avançando para o fim do túnel, escuro, sem saída, onde o mundo se resumiria num precipício sem fim. Só que houve uma luz que me iluminou um novo caminho. Era uma terceira chance para quem ainda queria viver mesmo sabendo que iniciaria sua reta final. Alguns dizem: “antes só do que mal acompanhado”, felizmente não foi este o meu caso.

    Claro que eu não podia esperar muito, a mim bastava estar vivo e manter meu passado na memória do tempo que cada dia se encurta mais. Afinal são quase 8 décadas de lembranças, de recordações boas, amargas, alegres e tristes. É a vida.

    A felicidade tem brincado comigo, mas pelo menos ela não me abandonou. Seus vai e vem fazem parte desta existência bem longa. Até quando? Não sei nem me preocupo. Se eventualmente algo não vai bem ajo tal qual escrevi nos versos desta quadra ainda em julho de 1999. O “disfarce” também faz parte da vida. Temos que ser atores e/ou atrizes no palco desta existência. Agora, por favor, leiam meus versos aqui embaixo:


    DISFARCE


    Ponho um disfarce no riso,
    Pinto a mentira no olhar,
    Forjo a paz em que vivo,
    Mas quase me traio ao pensar.
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    Autor: Francisco Simões
    Em: Julho/1999.

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