Crônica
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    “SEMPRE NÃO É TODO DIA”


    O nascimento nos traz à vida uma incógnita que somente com o passar dos anos chegamos a alguma conclusão. Eu disse alguma, não todas. Viver é ir construindo uma estrada com ou sem pedras no caminho. Caminhar é viver ultrapassando barreiras eventualmente tropeçando, caindo, levantando e seguindo em frente.

    Vivendo vamos conhecendo a paz, o amor, a esperança, mas também a guerra, a dor e a morte. Ficamos sabendo que tudo tem fim, que tudo é finito, e que jamais seremos eternos enquanto vivos.

    Nem sempre a luz nos mostrará o caminho, nem sempre amar é ser feliz, a escuridão pode nos esperar em qualquer esquina da vida. Amor não costuma durar uma existência e não é pessimismo meu não, diria que afirmo por experiência própria.

    Na infância e juventude se nascemos em família abastada muita ilusão acaba por ser plantada em nossa mente e nosso coração. Até em Papai Noel acreditamos, pois jamais deixamos de receber o presente que a ele pedimos numa carta todos os anos. Felicidade ilusória e passageira.

    Logo nós é que passamos a enganar nossos filhos, se os tivermos, com a figura do bom velhinho. E a vida vai dando suas voltas e mais voltas. Como disse o grande Chico Buarque em uma de suas letras: ... “A vida passou num instante nas voltas do meu coração”.

    Existe sempre a ilusão de que algum dia, embora caminhemos em má sorte, esta mudará para melhor e teremos nosso encontro com a tal felicidade. É bom lembrar que mesmo que a encontremos, mesmo que dela desfrutemos sempre não é todo dia. Esses se alternarão porque o bem e o mal nos acompanham em nossa existência.

    Chegando ao patamar dos oitenta anos de vida afirmo com toda certeza que já vivi tempos melhores. Antigos, sem avanços tecnológicos como os de hoje, nem Tv tínhamos, a luz era deficiente e o telefone aquele aparelho imenso que dava linha quando queria, costumava ser temperamental. Mas lhes garanto que éramos felizes.

    Vivi feliz numa família maravilhosa, bem grande e as tais doenças de crianças tiramos todas de letra. Hoje fazem um “terrorismo” sobre elas que nos assustam, especialmente aos mais novos que não viveram aqueles tempos pelos quais eu passei. Tempos vividos onde não havia a violência urbana de hoje nem doenças tantas quanto agora existem. E como matam, fora as tais balas perdidas e os assaltos que hoje descaradamente enfrentam até a tal polícia.

    Meus pais e avós sempre diziam que este era o país do futuro e eu como criança feliz imaginava aquilo para sempre, pois é, mas aos poucos aprendi que sempre não é todo dia, acreditem. O pior é o sempre andar hoje se arrastando, sendo levado em mar de lama e de corrupção, fora a violência, o desrespeito generalizado, e como tanto criticou o saudoso professor, escritor e poeta Ariano Suassuna, a gente ter que engolir tanto lixo cultural que a mídia valoriza e nos impõe.

    Oh vida, oh céus, como dizia certo personagem de desenho animado antigo, o que fizemos para merecer os políticos que temos aí se nem votamos neles? Será que até a felicidade se corrompeu? O sempre de hoje é mesmo assustador, terrível, nos ameaça o tempo todo, zomba de nós, mente com a cara mais deslavada, e nós, que podemos fazer?

    Parece que tudo isto até desmente o que eu venho afirmando que sempre não é todo dia. Talvez esta afirmação valha apenas para o bem, para o mal temos visto que todo dia é dia de festa.

    Aqui eu entraria com alguma indagação ou comentário envolvendo Religião, me referindo a Deus, mas o melhor é ficar calado, afinal em boca fechada não entra mosca, já diziam os meus avós. Só lhes garanto que não me escondo no ateísmo, pois sou cristão.

    Além de que estaria entrando num terreno perigoso e complicado e fácil seria logo eu ser mal interpretado, daí... cala-te boca. Afinal prefiro reafirmar que “sempre não é todo dia”, então haverá sempre esperança apesar de tudo.

    (Nota: A expressão que usei como tema deste texto, ou “Sempre não é todo dia” eu tirei da letra de uma das lindas canções do autor, músico, cantor e poeta Oswaldo Montenegro)


    Francisco Simões. (30/Janeiro/2016)