Crônica
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    POR QUE POLÍTICA?


    Outro dia um dos meus amigos leitores me escreveu e fez a pergunta direta: “por que nunca mais falaste sobre política nos teus textos?” Minha resposta educada, mas também direta foi esta: “E precisa?”

    Expliquei ao bom amigo que eventualmente comenta meus textos que leio tanto pela internet, escuto tanto pela rádio CBN (comentários e mais comentários políticos), além de ver nos jornais e debates pela TV sobre o assunto política que me confesso uma voz inútil e apenas mais uma que iria cansar muita gente que acompanha o que cronistas mais competentes dizem sobre aquele tema.

    Por outro lado há poucos dias eu vi e ouvi em pleno Congresso deputados se chamando de Excelência, como é o hábito, todavia se xingando de ignorante, idiota, safado e outros adjetivos que prefiro ignorar aqui. Dizer o que do comportamento tão antiético de pessoas que deviam dar exemplo? A transmissão a que assisti pela Tv era ao vivo.

    O nível do que chamamos de política neste país anda tão rasteiro que eu confesso me sentir mal quando gasto parte do meu tempo a escrever para dizer com menos talento o que outros tantos têm dito e repetido em tantas crônicas que leio e que ouço no rádio e nas televisões.

    Falar igualmente de corrupção, assim acredito eu, seria uma corruptela até porque entre os significados deste vocábulo encaixa-se a própria corrupção. Estou hoje com 79 anos nesta vida um tanto longa e já passei por diversos níveis de política neste país, da democracia à brasileira à ditadura civil-militar.

    O que chamam de “anos negros” foram terríveis, tristes, onde a liberdade de expressão era uma balela, pois somente noticiavam ou liam, ou diziam o que agentes do tal regime autorizavam, ou permitiam. Fora isso as prisões, torturas, agressões e perseguições covardes aos que com alguma coragem tentavam impedir a progressão do regime autocrático nesta nação.

    Já nem sei o que é pior se, como disse Rui Barbosa : “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto” ou ter que ver e ouvir pessoas se fingindo de democratas a pedir em passeatas a volta da ditadura!!

    Eu agora é que pergunto: e qual é a nossa saída? Quem acredita em algum político dessa safra que aí está, pertença a que partido pertencer, que mereça o seu voto (sim, porque eu não voto mais faz tempo) para qualquer cargo eletivo ainda mais para conduzir esta Nação na posição de Presidente?
    Desculpem, mas eu prefiro concordar com a opinião de um bom amigo da antiga que repetidas vezes já me disse não ver condições em quase nenhum político brasileiro para merecer o seu voto especialmente para Presidente. Nos horários políticos, nas rádios e TVs, eles posam de santos, criticam os que nós criticamos, porém de olho numa chance para se alçarem a um poder maior. Pensam no país? Duvido.

    Faz tempo que eu não me iludo mais com discursos, promessas, venham de que partido vierem e de que políticos ouvirmos. Mesmo assim acredito na Democracia, para mim o melhor de todos os regimes de governo. Não esqueçamos, todavia que para termos Democracia precisamos de políticos. Cabe ao povo que vota tentar mudar completamente o quadro que aí está. Como, eu não sei, pois está enraizada uma mentalidade que, como diz o povão, “meu pirão primeiro”.

    Durante certo tempo um grupo andou “armando” para tentar trazer de volta a Monarquia, felizmente não conseguiram. Tenho opinião sobre o assunto, mas guardo-a para mim.

    Quanto à Ditadura, seja ela conduzida por militares, seja ela conduzida por civis, de direita ou de esquerda, não se iludam amigos e amigas, à parte todas as críticas que se possa e que se deva fazer a ela não se trata de um regime onde a corrupção também não ponha seus tentáculos. Quem imagina isto é mal intencionado ou desinformado.

    A diferença entre os escândalos como agora vêm ocorrendo no atual Governo é que se estivéssemos num regime autocrático jamais saberíamos do que se passava, pois nunca deixariam apurar absolutamente nada. Quem viveu aqueles 20 anos pelo qual este país passou e tem um mínimo de lucidez, inteligência, informação, sabe que os que hoje pedem seu retorno ou estão mancomunados com a corrupção oficializada e censurada ou ainda acreditam em Papai Noel.

    Quando escrevi algumas vezes sobre política e expressei minha opinião sincera, verdadeira, tecendo as críticas que julgava deveriam ser feitas lembro que acabei conseguindo algumas inimizades. Lamento, entretanto não faz falta quem parece não aceitar o debate de ideias ou as opiniões contrárias as suas. Falsos democratas.

    Assim sendo não tenho motivação (embora tenha motivos) para gastar meu tempo discorrendo sobre o mar de lama que aí está e que não alcança apenas os que estão no poder maior, de forma alguma. Logo volto a perguntar: “Por que política?”.

    Francisco Simões. (15/Novembro/2015)