Crônica
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    DERRADEIRA SOLIDÃO


    Gente amiga foi no ano de 1999 que eu escrevi o poema abaixo, considerado em um dos Concursos em que foi premiado como “melhor poesia modernista”.

    Confesso que a ideia me surgiu de repente. Estava escrevendo um texto na minha velha máquina elétrica, a Praxis 20, quando um lampejo solitário surgiu em minha mente. Na hora eu li apenas as palavras de uma sílaba, sem arrumação alguma.

    Eram justamente “Só – no – pó – e - só.” Eu escrevia algo sobre solidão e talvez o tema por mim abordado tenha influenciado no surgimento daquele conjunto de sílabas, ou palavras de somente uma sílaba cada uma.

    Eu as escrevi numa folha de papel e deixei de lado. Não sabia o que fazer com aquilo. Inicialmente fiquei meio confuso. Afinal eu escrevia um texto em prosa não cuidava de poesia naquele momento. Em verdade lampejos como aquele eu já tivera antes e alguns acabaram sendo transformados em versos compondo alguma poesia.

    A verdade é que a partir dali mesmo eu continuando a escrever o texto não me sentia à vontade. Parecia que o tal lampejo exigia maior atenção da minha parte. Outras pessoas já devem ter passado por situação idêntica, com certeza.

    Algumas vezes a poesia surge em cima de um fato, de um sentimento, pode ser sobre amor, sobre crítica, sobre uma grande dor, sobre a vida, etc. Já tive um lampejo certa manhã quando fazia minha caminhada na praia aqui em Cabo Frio, isto há muitos anos. Os versos começaram a “jorrar” em minha mente sem que eu estivesse movido por algum sentimento que me levasse a escrever a poesia “Canto Triste”. Terminei de escrevê-la já em casa retornando da praia.

    Da mesma forma em outras ocasiões surgiram outros versos, outros poemas, fora os que eu desenvolvi em cima de algum fato, algum sentimento como já disse acima.

    Como o tal lampejo que acabou gerando a “Derradeira Solidão” ocorreu no ano de 1999 nem sequer minha segunda esposa, a Zezé, ainda estava doente, isto aconteceu apenas no começo de 2002 ou três anos após. Sua morte ocorreu um ano e meio depois. Alguma premonição? Talvez, não sei.

    Voltando ao momento em que parei de escrever para voltar minha atenção àquelas cinco sílabas escritas numa folha de papel custei um pouco a alcançar a ideia que acabou surgindo depois e que me levou a construir uma cruz com as cinco palavras monossilábicas.

    Não pensem que foi fácil pular da ideia para a prática, ou a construção da referida cruz. Demorei a encontrar os parâmetros de distância entre as palavras a fim de chegar à cruz ideal. Tentei algumas vezes, mas o formato que eu conseguia não me agradava. Tive que insistir e insistir, com muita paciência, pois gostava do que imaginava viria a ser o resultado obtido com a composição daquelas sílabas.

    A mensagem delas era mais do que evidente por isso me empolguei na construção da tal cruz que verão abaixo. Quando percebi ter alcançado o formato ideal, maior, representando bem uma cruz eu me emocionei. Ocorreu-me logo inscrevê-la em algum concurso de poesia.

    Não deu outra, certa vez passando por uma galeria vi o anúncio do Concurso de Poesia “Expressão da Alma”, no Rio de Janeiro. Juntei-a com mais dois poemas e me inscrevi. Fiquei feliz com o resultado ao receber no palco de um belo Teatro ali em Botafogo o prêmio como já disse de “Melhor Poesia Modernista”. Ainda voltei a ser premiado com ela em dois outros certames a seguir.

    Até a próxima, amigos e amigas. Leiam o poema aqui embaixo.

    Francisco Simões (Novembro/2015)


    DERRADEIRA SOLIDÃO


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    Autor : FRANCISCO SIMÕES
    Em : Julho / 1999
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    (Este poema, catalogado como moderno, ganhou o prêmio de “Melhor Poesia Modernista” no 4º e no 6º Concurso Literário “Expressão da Alma”, no Rio de Janeiro, e mereceu um Destaque Especial no IV CONCURSO LITERÁRIO ALPAS XXI” (Cruz Alta-RS), abril/2001, integrando a Coletânea referente ao Concurso.)