Crônica
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    UM POEMA AUTO-RETRATO


    Gente amiga, foi em agosto do ano de 2000 que eu escrevi o poema abaixo. Os versos que lerão refletem momentos de lucidez, mas também de uma espécie de exame de consciência, passando em revista a minha vida até então.

    Eu tinha apenas 64 anos e já vivera situações as mais diversas sendo que umas eram mesmo de comemorar e outras, regadas com lágrimas, seriam de se esquecer, porém isto nunca acontece com alguém como eu que jamais faço o sepultamento de meus erros, pelo contrário, uso-os como exemplo para corrigir os passos seguintes.

    Os primeiros versos desta poesia já revelavam como eu via minha realidade. Dizem eles: “Meu mundo está encolhendo / O horizonte já não está / Tão distante quanto antes. / Meu telhado de nuvens está / Baixo e continua descendo.” Pensar que eu tinha menos 15 anos do que tenho hoje aos 79. Embora eu goste de sonhar eventualmente nunca deixei de encarar a realidade de frente. Assim tenho vivido.

    Igualmente reconheço neste poema que senti e ainda sinto alguns arrependimentos e quantos. Ademais confesso sonhos que eu não consegui realizar o que jamais me fez sentir um fracassado, isto não. Vamos a esses versos: “Quantas desculpas esqueci / De pedir por arrependimentos / Por pesares, por negligências, / Quantas súplicas guardei / No silêncio de um momento / Em que eu me arrependi. / Quantos sonhos nunca acordaram.”

    Falo também dos amigos tantos que já partiram e que no correr de sua existência deram abrigo as minhas carências, fraquezas e incertezas. Assim sendo convido-os a ler meu poema “Estilhaço”. Até a próxima.


    ESTILHAÇO


    Meu mundo está encolhendo.
    O horizonte já não está
    Tão distante quanto antes.
    Meu telhado de nuvens está
    Baixo e continua descendo.
    Que o tempo não me remende,
    Que a vida não me tenha intruso
    Enquanto sigo em desuso
    Com a validade vencida,
    Um andejo vacilante
    Na orla de sobrevida.
    Minha alma calada entende
    E espera impalpável no etéreo
    Na düidade da existência.
    Quantas desculpas esqueci
    De pedir por arrependimentos,
    Por pesares, por negligências,
    Quantas súplicas guardei
    No silêncio de um momento
    Em que eu me arrependi!
    Quantos sonhos nunca acordaram.
    Nas asas do tempo partiram
    Tantas vozes e braços amigos,
    Fiéis abrigos que hospedaram
    Minhas carências, fraquezas
    E incertezas que a desoras
    Moldaram este engaço de agora,
    Este estilhaço prévio de vida
    Que nem na estação mais florida
    Festejou a primavera.

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    Autor: FRANCISCO SIMÕES
    Em: Agosto / 2000.
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