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    DEVANEIO

    Há momentos na vida da gente em que nossos sentimentos nos enlevam ou nos derrubam e acabam algumas vezes a nos ditar palavras que se traduzem em versos a descrever e/ou relembrar imagens e situações.

    A poesia como que se constrói quase automaticamente e flui para o papel ainda que não nos consideremos poeta, quando muito alguém que tem sensibilidade para captar essas mensagens que acabam por se traduzir em poesia.

    DEVANEIO é um desses casos. Eu não procurei as palavras, não corri atrás dos versos, mas eles vieram a mim certamente ditados por fortes emoções que eu vivia naquele momento ou que anteviam fatos prestes a acontecer. Não sei.

    Eu me recordo que em certa noite, curtindo uma solidão totalmente vazia, momentos em que o tempo parece demorar a passar e a vida como que se esquece de nós, me foram sendo “ditados” os versos que comecei a anotar até construir o poema que vocês poderão ler a seguir.

    Quando nasceu esta poesia confesso que não me lembro, só sei dizer que foi numa noite em que imperava o silêncio em volta de mim. Como que o mundo emudecera e apenas a saudade se lembrava de mim naquele momento. Leiam, por favor, o poema DEVANEIO.

    Francisco Simões. (Maio / 2015)


    DEVANEIO
    Guardo a presença vazia de ti
    No solitário sorriso emoldurado,
    No abandono enluarado
    Das noites que não dormi,
    Na paz que rouba o momento
    Que já dividi contigo,
    No som distante que o vento
    Me lembra ser a tua canção,
    No sussurro com que a brisa
    Tentou me falar de ti,
    Nas escassas sombras da noite
    Que antes nos deram abrigo,
    No abismo que as palavras cavaram
    Sem a ajuda do coração,
    Na ruidosa quietude
    Da lembrança que inferniza,
    Na alegria da lágrima
    Ao lembrar de teus carinhos,
    No silêncio calando a dor
    Que queria chorar comigo,
    No espaço diário da ausência
    Que é a noite, da noite do fim,
    No chão que conta os meus passos
    Sem entender porque vão sozinhos,
    Na janela que me traz o mundo,
    Mundo que te esconde de mim,
    No rastro que encontra o nada
    Perseguindo uma ilusão.
    Nesse rastro perdi meu rumo,
    Nesse rastro tracei meu chão.

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    Autor : Francisco Simões.