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    APOSENTADORIA

    Algumas pessoas ao se aposentarem sentem um vazio como se perdessem o chão ou estivessem de repente sem rumo. Isto é comum acontecer. Quando eu pensei nesta decisão tratei de estabelecer metas que me fizessem sentir sempre útil e jamais acordasse com vontade de dormir novamente em seguida.

    Durante os anos que atuei no BB mantive outras atividades extra Banco tais como dar aulas para candidatos a concursos, praticar muito a Arte Fotográfica que eu aprendi na ABAF – RIO com grandes mestres, além de produzir diversos filmes em curta metragem.

    Os filmes me levaram a participar de Mostras e Festivais do gênero pelo país afora especialmente em Universidades.. Meus filmes abordavam quase sempre situações político sociais daí alguns problemas com a censura da época.

    Essas atividades me facilitaram projetar o que eu faria logo após minha aposentadoria. Tratei de programar Exposições de Arte Fotográfica em vários ambientes após dar uma entrevista na antiga TV Manchete para o saudoso Clodovil Hernandez. Até em Galeria de Arte eu expus, em Teresópolis, convidado pela artista plástica D. Lenita Holtz. Realizei duas exposições na Galeria dela.

    Eu tinha em vista também rever Portugal já que sou luso brasileiro e lá vivera um ano quando tinha 10 de idade morando com meus pais e irmãos numa Quinta construída pelo meu bisavô na aldeia de Salreu, perto da linda Aveiro. Consegui realizar também este sonho.

    Eu me sentia vitorioso por poder ainda levar à frente planos de vida, de uma vida útil, agradável, conhecendo pessoas e culturas variadas. Aliás, na primeira viagem de transatlântico que fiz do Rio até Lisboa, em 1989, consegui realizar duas exposições de minhas fotografias artesanais nas duas classes do navio.

    O capo comissário, amante de fotografia, foi quem me convidou ao ser informado por uma das brasileiras que trabalhavam na Administração do Eugênio-C, italiano, de que eu expunha Arte Fotográfica. Posteriormente, já em Lisboa, consegui também expor minhas fotos na APAF – Associação Portuguesa de Arte Fotográfica por um mês.

    Outro desejo que eu alimentava foi voltar a escrever poesias o que fiz e comecei a participar de vários concursos pelo país afora e no exterior. Logrei ganhar diversos prêmios que estão relacionados no meu site pessoal. Curiosamente depois comecei a receber o que chamam de selos de premiação. Vieram muitos que lá estão também. A origem eram sites que divulgam a poesia.

    A seguir, já no ano 2000, eu retornei aos textos em prosa escrevendo e divulgando crônicas como eu já o fizera desde os 17 anos no rádio paraense.

    Estou há mais de 15 anos especialmente no Coojornal dessa revista de Irene Serra que sempre me apoiou. Escrevi para vários outros sites literários, mas com o tempo preferi “me encolher” e permanecer apenas no meu site pessoal e no Coojornal da revista RIO TOTAL onde estou até hoje. Esta divulgação começou em Janeiro/2001.

    Planos de vida de alguém que sempre procurou ser útil através de seu trabalho ora na arte fotográfica ora no cinema amador, assim como na literatura, modestamente. Não esquecendo tudo que exerci e aprendi no BB. Para mim foi um verdadeiro aprendizado.

    O inesperado e muito triste foi o que a vida me reservara para logo 16 anos após ter-me aposentado. Minha então esposa foi vítima daquela doença ainda quase incurável e após um ano e meio de luta e sofrimento a doença venceu. Seguiu-se um período de solidão de alguns anos que preferi viver aqui em Cabo Frio onde eu contava com apoio de alguns amigos e amigas mais próximos.

    Durante bom tempo senti como se eu tivesse também me aposentado da vida, pois ficava difícil imaginar um viver solitário já aos 67 anos, viúvo, só, mesmo podendo contar vez ou outra com a companhia de gente boa e amiga.

    Ainda nos primeiros meses de viuvez ganhei um lindo cachorrinho com apenas um mês de vida. Ele é o nosso bravo Touche, da raça Yorkshire, hoje com 11 anos. Passei a dedicar a ele o melhor de minha atenção mesmo à noite quando ele não conseguia dormir. Hoje ele costuma ser o primeiro a ir para a cama à noite.

    Na época Marlene me ajudava e muito a viver sem ser uma empregada, mas uma amiga fiel, amizade que já se alongava por quase 15 anos na época. Ela também se apaixonou por Touche e vice-versa. Passei a acreditar que eu ainda tinha vida para viver.

    Alguns anos depois acabei resolvendo unir minha vida à dela trazendo de volta aquela gostosa sensação de ser muito e muito útil e ter novamente uma família para cuidar. Já lá vão mais de cinco anos que unimos nossos destinos.

    Touche e a linda dama Coker, a Tuane, hoje com 13 anos, completam a nossa família. Passou por nossas vidas como um lindo anjo canino a doce e saudosa Safira, filha de Touche. Esta morreu com apenas sete anos levando nosso amor e a grande alegria que ela plantou em nossa casa.

    Encerrando eu lembro muito bem da pergunta que me fez meu Chefe, Presidente, amigo e conselheiro na festinha de minha despedida. Disse ele: “Oh Simões, não achas que és ainda muito “jovem” para te aposentares? Vais ficar em casa fazendo o quê?”

    E eu lhe respondi: ”Não, amigo, eu vou viver. Tenho planos que pretendo pôr em execução e eles são muitos e variados. Aproveitarei o fato de minha esposa já estar aposentada e realizarei tudo que planejei junto com ela.”

    Em verdade vivenciamos tudo juntos, realizamos o que planejáramos e se mais não fizemos foi porque nosso script de vida nos surpreendeu apenas 16 depois de minha aposentadoria como eu já contei acima. Agora é vida que segue e aos 78 anos não pretendo parar já.

    Francisco Simões. (15/Abril/2015)