Cr�nica
fm.simoes@terra.com.br
  • Poemas
  • Cr�nicas
  • Biografia
  • Fotos
  • Pr�mios
  • Produção e Administração

     

    À MADRINHA CARMITA


    Aconteceu no ano de 2000. Carmen Pinheiro era o seu nome. Eu e meus irmãos e irmãs a chamávamos Dindinha, a nossa querida madrinha Carmita.

    Para alguns de nós, como eu, o filho primogênito de dez irmãos e irmãs, ela fora a segunda mãe, digamos assim. Esteve sempre presente na minha vida cuidando deste menino como se fosse seu filho. Minha mãe Ana Rosa como que lhe delegava tal missão. Ela assumia com orgulho e seriedade aquela missão e jamais falhou no zêlo em cuidar de mim.

    Acompanhava de perto os meus estudos, cobrava minhas lições de casa, conferia sempre minhas notas do Colégio Nazaré. Até de minhas roupas dindinha Carmita sempre cuidou.

    Um dos seus grandes orgulhos, tenho certeza, foi quando eu terminei minha carreira no CPOR de Belém e a convidei para ser minha madrinha na formatura de Oficial da Reserva com farda de gala, espada e tudo o mais. Tenho uma foto que registra aquele momento inesquecível.

    Didinha Carmita fora levada um dia para morar com nossa família pelo seu irmão Tonico, este era motorista da fábrica de Guaraná do meu avô Simões. Carmita era ainda muito jovem. O convite fora feito pelo meu avô. E dindinha Carmita ficou conosco até o último de seus dias. Ela nunca foi uma empregada, mas alguém mais que integrava nossa família. Viveu até os 85 anos.

    Carmita tinha um grande respeito por minha mãe verdadeira assim como por toda nossa família. A trajetória dela entre nós foi a de um anjo bom que, com o passar do tempo, cuidou também de minha avó materna, esta já com idade bem avançada. Sua vida entre nós daria um grande romance com certeza.

    Quando eu já morava no Rio e estava aposentado do BB certo dia minha irmã Luiza me telefonou passando-me a notícia triste: dindinha Carmita havia falecido. Eu senti muito e no dia imediato comecei a escrever a poesia que irão ler aqui embaixo: “A MANHÃ SEGUINTE”. Cada verso, cada palavra, fala de dindinha Carmita.

    Não sei como escrevi esta poesia, talvez a dor da perda inspire a gente algumas vezes mais do que momentos de felicidade. Convido os amigos e amigas a lerem meus versos dedicados a ela.

    Francisco Simões (Abril/2015)

    A MANHÃ SEGUINTE

    Por isso hoje
    A alvorada despertou no silêncio
    E a Natureza não abriu suas asas.
    Por isso hoje
    Havia um tom cinza de outono
    No verão da manhã entardecida.
    Por isso hoje
    Havia apenas sombra na alma do mundo
    E uma ânsia de passado no tempo que seguia.
    Por isso hoje
    Na nossa solidão cresceram espinhos
    E as rosas foram todas para o céu.
    Por isso hoje
    Um suspiro soluçava numa lágrima
    E o amor dividia o coração com a saudade.
    Por isso hoje
    A vida antiga, o efêmero, te perdeu
    E o espaço sempiterno é agora tua vereda.
    Por isso hoje
    Tu és uma lembrança, muito mais que um retrato,
    Uma dor que não machuca
    Mas nos acorda pra orfandade,
    Um sorriso etéreo que não abandona,
    Que abençoa, compreende e ainda perdoa,
    Uma essência de vida unitiva
    Comungando com a Eternidade,
    A luz que acenderá nossas trevas
    Sempre que a ilusão apontar nosso caminho,
    A nostalgia tão presente nos detalhes,
    A ausência que esvazia nosso amanhã.
    Por isso hoje
    O orvalho amanheceu salgado,
    É que ontem, a noite chorou.
    Por isso hoje
    Também estou com essa vontade de chorar
    Mas recordo que tu nunca foste triste
    E que se ainda existe neste corpo cansado e vivo
    Colheita de amor, ternura, solidariedade,
    Tolerância, indulgência, perseverança
    Foste tu que semeaste.
    Por isso hoje
    Apenas vou lembrar teu rosto, agora eterno,
    E se teu sorriso para nós virou saudade
    Tua bondade de fada, madrinha, teu Dom materno
    Sempre estarão em cada um de nós que tanto amaste.
    ..............................................................................
    Autor : FRANCISCO SIMÕES. (2000)
    ..............................................................................