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    CONTINUA O TEMPO DE CORVOS

    O meu poema Tempo de Corvos eu escrevi em 1998. O governo era outro que hoje est na oposio. Alis, o que descrevo nos meus versos vale no s para hoje como para a poltica brasileira de h muitos anos. Especialmente depois que nos livramos dos anos negros da ditadura militar e civil e comeamos a tentar construir a nossa frgil democracia.

    Aos trancos e barrancos ns temos eleito pessoas contra as quais depois nos voltamos, trocamos nomes e partidos, mas segue a decepo. O governo tucano de FHC sucedeu o de Itamar Franco que assumira aps ter sido defenestrado do poder o tal Caador de Marajs. Muita gente embarcou nessa canoa furada na poca e deu no que deu.

    O que Collor fez com a poupana do povo jamais ser esquecido. Num pas como o Brasil o cara meteu a mo no bolso ou na poupana de todos (menos de amigos chegados, claro) e nem sequer foi preso. A inflao galopante deixada por Sarney acabou sendo vencida pelo excelente plano real, aprovado e autorizada sua implantao pelo ento Presidente Itamar.

    Ainda h gente que acredita ter sido o socilogo FHC quem arquitetou o referido Plano, ledo engano. Em verdade quem o criou foi uma equipe de economistas que trabalhava no Ministrio de FHC em pleno governo Itamar. Estes tiveram o mrito de aprov-lo e depois p-lo em execuo. Na esteira deste sucesso FHC se elegeu a seguir.

    No seu primeiro mandato at que fez um bom governo, mas houve j algumas denncias graves que jamais foram apuradas. No segundo mandato, como si acontecer, FHC comeu buchada de bode e como Presidente deixou a desejar. Houve ao todo em seu governo, pelo que se sabe, mais de 40 denncias graves nunca apuradas.

    Alis, na poca o PGR do governo tucano ficou conhecido pela mdia brasileira como o Engavetador Geral da Repblica. Os escndalos de hoje so to gritantes e estarrecedores que muitos parece terem esquecido de que o tal Mensalo poderia ter comeado bem antes. Vide os governos desde Sarney. Atualmente, entretanto, a corrupo parece ter se instalado de uma maneira que alcana todos os nveis de poder neste pas alm de estender seus tentculos para parte do empresariado.

    Do jeito que a coisa caminha j tem vozes da extrema direita com saudade de uma ditadurazinha querendo derrubar a Presidente. No se iludam, eles no querem melhorar nada, querem colocar novamente as botas no poder e impor o silncio das denncias. No pensem que em ditaduras, de direita ou de esquerda, no corre forte uma corrupo, apenas jamais poder ser sequer comentada. Ento, acorda gente.

    Se queremos manter a democracia mesmo revoltados com o atual governo, vejam que ela foi reeleita recentemente e nada foi provado contra a Presidente nos processos em andamento. Se continuar assim, lembrem que Presidente se muda pelo voto, no com golpes mal justificados.

    De qualquer jeito, o clima anda to feio e autoridades bem desacreditadas que me arrisco a reafirmar que continua o tempo de corvos, com certeza. Votemos melhor da prxima vez, s isso, ditadura no, jamais novamente. Agora leiam, por favor minha poesia escrita em 1998:

    TEMPO DE CORVOS

    No, no tempo de poetas
    tempo de corvos, da gralha
    Que nos palcios se assoalha,
    Em beres mananciais de tetas

    Sufragam a sugao do comum,
    Em verborreia se espalha
    Alvejando, desdourando,
    Exibindo em irnicos sorrisos
    O ludbrio escabroso
    Da indiferena, do tenebroso.

    No, no tempo de poetas
    mesmo tempo de corvos.
    Versfero, vejo meus versos,
    Dispersos, perseguirem algum sentido
    No injusto, no destrutivo,
    No lascivo, num universo
    Para poucos onde h muitos perdidos,
    Desorientados, estuprados,
    Com o rumo e a vida profanados
    E um abismo sem fundo nem reverso.

    No, no tempo de poetas,
    Pois, como falar de amor com a fome,
    De paz com a bala perdida,
    De f com a mo estendida,
    De justia com a fora que esfola,
    De educao sem ter a Escola,
    De futuro sem ter a terra,
    De esperana sem ter o teto,
    De ordem e progresso sem o povo?
    , so tristes tempos de corvos

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    Autor: FRANCISCO SIMES
    Em: Outubro/1998.