Crônica
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    QUANDO A ALEGRIA CHOROU


    Eu lembro perfeitamente daquele ano em que houve uma tragédia terrível em pleno tempo de Carnaval apenas esqueci o ano em que tudo aconteceu. Deve fazer mais de vinte anos.

    Ao contrário do que ocorre atualmente chovia muito no Rio de Janeiro. Caiu água, muita água durante vários dias inclusive no período carnavalesco. Vários barracões de Escolas de Samba foram seriamente danificados.

    Carros alegóricos parcialmente destruídos, alegorias e outros apetrechos simplesmente não podiam ser usados no desfile. O caos virou tragédia, pois houve mortos e feridos. Mesmo assim não cancelaram o Carnaval daquele ano.

    Os integrantes de várias Escolas de Samba desfilaram na passarela do samba carregando além do que restou de suas fantasias uma forte emoção que também lhes era transmitida pelo público. As lágrimas de muita gente foi se juntar à água da chuva.

    Sentindo doer também no meu peito a tragédia daqueles que procuram todo ano levar alegria ao nosso povo veio-me a inspiração para escrever alguns versos que acabaram formando a poesia “Carnaval de Cinzas”.

    Houve Escola que a certa altura do Desfile simplesmente parou na Avenida. Como dizem meus versos que vocês lerão a seguir:

    “O samba propõe um corte:
    O surdo se mantém mudo,
    Há um surto de silêncio
    Que se espalha pelo ar.
    O respeito em um minuto.
    A dor que chora o luto
    Volta já a desfilar.”

    Eu também estava emocionado, foi impossível segurar a dor que me contaminava e se liquefazia em lágrimas. Eu era apenas mais um naquela multidão de seres solidários no sofrimento. Por favor, leiam a seguir o meu poema referente àqueles acontecimentos.
    Francisco Simões. (Fevereiro/2015)

    CARNAVAL DE CINZAS

    Enquanto a alegria nascia
    No asfalto as fantasias
    Carregavam a folia
    E a negra noite espiava
    Enquanto esperava o dia
    E a euforia cantava
    P’ra vida que aplaudia.
    Nos risos, nos sons dos guizos,
    Bumbos, zabumbas, retumba
    O anseio de ser feliz.
    Ecoam brados de festa
    Numa gigante seresta,
    Prazer nos pés e nas ancas
    É o corpo que banca,
    A alma que canta, a manta
    De felicidade ocultando
    Mágoas, pesares, saudade
    Que acorda com uma lágrima,
    Que transborda das águas,
    Das alegrias soterradas,
    Das fantasias pintadas
    De lama, de lodo e sangue,
    Dos sonhos de Carnaval
    Afogados num mangue
    Com um enredo de morte.
    O samba propõe um corte:
    O surdo se mantém mudo,
    Há um surto de silêncio
    Que se espalha pelo ar.
    O respeito em um minuto.
    A dor que chora o luto
    Volta já a desfilar.

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    Autor : FRANCISCO SIMÕES
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