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    OS MEUS PESADELOS


    Eu sempre estive sujeito a mergulhar em situações assustadoras, algumas meio aterrorizantes quando sonho. Não sei se isto acontece com todo mundo, todavia das pessoas que dormiam e que dormem comigo, tanto Zezé no passado como Marlene agora, sempre me disseram nunca se verem naquelas situações quando adormecem.

    Eu não sei a razão que nos leva a ter pesadelos, não faço nenhuma ideia. O fato é que de quando em vez por alguma razão desconhecida por mim eu mergulho em sonhos terríveis, situações que geralmente são ameaçadoras. Pessoas me disseram que nunca tiveram o que se conhece como pesadelos, daí eu ficar mais intrigado. Por que eu?

    Enquanto vivo no espaço do meu sono algum pesadelo destes fico tão assustado que acabo, segundo já me disseram pessoas que comigo dormiam e/ou dormem, que eu me agito muito, dando algumas vezes chutes para o alto e terminando tudo num grito assustador. Nesses momentos costumo ser despertado por minha companheira de leito, pois algumas vezes os tais chutes até as alcançam.

    Meus pesadelos costumam parecer com filmes de terror, havendo sempre alguém ou alguma coisa a me perseguir e querer me fazer mal. Daí minha agitação na cama e meus gritos ao final desses sonhos. Os mesmos sustos que hoje Marlene tem ao despertar com meus gritos Zezé também sentia e igualmente me acordava.

    Nunca identifico pessoas ou seres estranhos que querem me agredir ou mesmo me matar durante os pesadelos. Seus rostos nunca são mostrados para mim. Certa noite eu bati meu recorde. Imaginem que numa só noite eu passei por três pesadelos. Coitada de Marlene. Eu sempre acordo dessas situações desnorteado e acabo pedindo desculpas a ela. Não deve ser fácil seu sonho ser interrompido por um grito e/ou chutes de quem está ao seu lado.

    Já me disseram que meus gritos algumas vezes soam mais como imensos e fortes gemidos como se eu estivesse tentando me livrar de uma situação de pânico. E botem pânico nisso, amigos e amigas. E você, costuma ter pesadelos? Eu gostaria de saber.

    Vou revelar agora o que me aconteceu por três noites seguidas no ano de 2002. Vejam bem que eu digo, por três noites seguidas mesmo. Na época Zezé estava ainda na fase inicial da doença que acabou por vitimá-la um ano e meio depois. Naquelas três noites meu pesadelo foi sempre o mesmo, a situação se repetia em todos os detalhes.

    Na cena, lembro-me muito bem, eu fugia sempre de mãos dadas com ela. Algo tentava nos alcançar e parecia querer nos destruir. Mas o quê? E por quê? Passadas as três noites nunca mais aquele pesadelo voltou. Zezé não levou a sério, mas eu fiquei muito assustado, pois queria uma explicação, só que de sonhos ou pesadelos julgo que nunca as teremos.

    Encerro este texto apresentando-lhes um poema que escrevi no ano de 1995. Procurei dimensionar meus pesadelos, deixando claro minha aflição ao tê-los, enfim, meus sentimentos de incertezas por não poder dominá-los. Leiam, por favor:

    Francisco Simões (Novembro/2014)



    PESADELOS

    Meus pesadelos
    Quisera não tê-los,
    Pudera perdê-los
    E não vê-los jamais.
    Sonho impossível,
    Pois o mundo invisível
    Tem surpresas demais,
    Elementais gigantes,
    Duendes pequeninos,
    Tantos seres mutantes,
    Outras dimensões
    Por onde vagueiam
    Espíritos errantes
    Sem paz nem destino,
    Por onde passeiam
    Reais ilusões.
    Sombras indefinidas,
    Figuras distorcidas
    Espreitam em meus sonhos
    Fechando as passagens,
    Trocando as imagens,
    Transformando em medonhos
    Meus sonhos normais.
    Procuro a saída
    Que foge de mim
    Entre espelhos e sombras,
    Num labirinto.
    O princípio e o fim
    Na trilha perdida,
    É a minha caída
    No poço sem fundo.
    Solto um grito vazio
    E regresso ao meu mundo.
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    Autor : Francisco Simões.
    Em : Setembro / 1995.
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