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    O VERDADEIRO RELACIONAMENTO HUMANO


    Outro dia duas boas amigas me enviaram um pequeno vídeo, pouco mais de 5 minutos, no qual Fábio de Melo, que por sinal é padre, fazia uma análise geral sobre o relacionamento humano. Já ouvi umas dez vezes.

    Ele é um palestrante dos melhores que conheço. Fábio de Melo não usa batina em suas palestras, nunca, apenas quando tem que rezar missa, claro. Eu gosto disso e aprovo sua opção.

    Ele costuma abordar temas sempre ligados à vida e cada vez que o ouço em seu programa as quartas na TV Canção Nova gosto mais ainda. Naquele pequeno vídeo, apenas parte de uma palestra de cerca de uma hora, ele coloca, e muito bem, nossas utilidades e inutilidades no correr de nossas vidas.

    Enquanto somos jovens e temos um viver ainda curto possuímos uma energia que nos permite desenvolver muitas utilidades. Somos úteis para muitas coisas, somos capazes de criar, realizar, fazer o que com o passar dos anos naturalmente nos vai sendo difícil ou mesmo impossível encarar.

    Não obstante o padre Fabio de Melo diz considerar “que a velhice, apesar dos pesares, nos traz direitos maravilhosos enquanto que a juventude é cheia de obrigações”. Segundo palavras dele quando somos mais jovens nem sempre temos o direito de adoecer já a velhice nos dá o direito de viver esta coisa que ele chama de doce inutilidade.

    O Padre Fabio de Melo passeia com bom humor nas palavras, o que lhe é característico, jamais desrespeitoso, todavia dizendo coisas inegavelmente sérias. Por exemplo, quando ele afirma que mais cedo ou mais tarde todos nós nos encontraremos neste território desconcertante da inutilidade.

    Voltando ao assunto da juventude e sua imensa utilidade, destreza, etc, ele faz um alerta. Voltando suas palavras para o relacionamento entre as pessoas. Ele pede que tenhamos muita atenção, pois nem sempre alguém que nos preza, nos trata como amigo o faz com a sinceridade que nós imaginamos.

    Segundo ele algumas vezes tal pessoa está muito mais ligada em nossa utilidade, ou seja, naquilo que podemos ser ou vir a ser no relacionamento humano que mantemos, mutuamente. Eu entendi perfeitamente o sentido que ele deu as suas palavras, ao conceito expedido.

    A vida é assim mesmo e algumas amizades são construídas mais no interesse do que você represente para a outra pessoa do que num leal, num autêntico e verdadeiro relacionamento. Nem sempre você percebe isto enquanto sua utilidade é flagrante e bem desenvolvida. Com o passar do tempo, em alguns casos, a pessoa começa a sentir o quanto foi de certa forma enganada durante o seu viver até ali.

    A esta altura, após ir botando pitadas de um bom humor da melhor qualidade e que cabe bem no tema abordado por ele, evitando que o assunto fique muito árido, Fabio de Melo passa a usar a palavra inutilidade como definindo as limitações dos que já viveram muito e alcançam a velhice.

    Eu mesmo admito que hoje aos 78 anos carregando comigo hábitos de toda uma vida reconheço que para muitos deles não só me considero inútil como me restrinjo o direito de não mais querer fazer ou ter potencial para realizar outros. Essas limitações é que são chamadas de inutilidades pelo palestrante, com o que eu concordo, e entendo o sentido que não visa a depreciar ninguém, pelo contrário.

    Gostei muito quando ele diz que “só nos ama, só vai ficar até o fim conosco, aquele que depois da nossa utilidade descobrir o nosso significado.” Gente, isto é uma verdade que deve até doer em algumas pessoas, porém jamais poderão desmenti-lo.

    Aqui duas afirmações dele que eu aplaudi demais: “Se você quiser saber se alguém realmente gosta de você, é só identificar se ele ou ela seria capaz de tolerar a sua inutilidade.” E mais: “Só o amor nos dá condições de cuidar do outro até o fim.”

    Mais ao final da palestra, sempre realçando o relacionamento humano, ele afirma pedir a Deus todo dia que, alcançando o status de velho, ele esteja vivendo entre pessoas que realmente gostem muito dele, que o amem. Logo a seguir ele explica melhor e justifica sua preocupação.

    Diz então o padre Fabio de Melo mais ou menos com estas palavras: “Você quer saber se a pessoa que está ao seu lado gosta muito de você, se lhe ama, preste atenção, pois ela ou ele deverá lhe dizer, olhando nos seus olhos: “Você não serve para nada, mas eu não sei viver sem você”.


    Francisco Simões. (Baseado em palestra do Padre Fabio de Melo)
    (Outubro/2014)