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    O QUE É VIROSE VOCÊ SABE?


    Em verdade em verdade eu vos digo que ninguém deve saber afinal se começarmos a análise pela medicina qualquer médico logo usa esta expressão quando alguém lhe diz estar sentindo sintomas que o mesmo não consegue justificar nem cientificamente. Estou mentindo? Vocês sabem que não.

    Todavia vamos iniciar este “estudo” passeando por variados campos da vida humana. Estamos ainda em clima de eleição, pois logo teremos o segundo turno para Governador e Presidente da República. E tome “virose”.

    Sim, porque ficamos meses tendo que aturar políticos e muita gente se candidatando a uma boquinha no tal Horário Eleitoral Gratuito. Sei que já falei disso, mas agora eu me permito dizer que o que se vê e se ouve durante meses é mesmo uma “virose política”. Todo mundo sabe os “sintomas”, mas não consegue evitar e dói demais em nossos ouvidos, em nossa paciência.

    Isto sem falar na poluição visual pelas cidades afora e aqui no interior do Estado nossos ouvidos tendo que aguentar também a poluição sonora exagerada, excessiva. E haja virose, amigos e amigas, eles não respeitam a população, que por cima de tudo ainda é obrigada a votar, e nem há autoridade alguma que impeça tantos abusos.

    A verdade é que tanto na Educação como na Saúde, na Segurança além da falta de habitação, da imensa população sem moradia, da embromação do salário-família entre outros programas populares que até candidatos de oposição agora juram que vão manter, caçando votos, claro, a virose da falta de vergonha, da ausência de honradez, da morte da honestidade em grande escala, vão se disseminando.

    Enquanto isso, milhões de brasileiros e de brasileiras abrem mão de pensar, de olhar em frente e não tiram seus olhos dos tais celulares moderníssimos e parece que já há políticos querendo aprovar a construção de faixas exclusivas nas calçadas para esses usuários entre os quais eu não me incluo. Ouvi isto no rádio e fiquei mais pasmo do que tenho estado num mundo em que sou obrigado a viver e que nada tem mais a ver com aquele do qual eu vim.

    E haja virose social, política, de comportamento, na saúde pública, etc. Razão sempre teve o saudoso escritor e poeta recém-falecido, o Rubem Alves, quando criticava acidamente nossa realidade. A morte o silenciou, mas sua palavra permanecerá para sempre entre nós.

    Vivemos hoje em dia num mundo repleto de “viroses” indecifráveis, incógnitas, outras bem conhecidas que nos são impostas diariamente, e para continuar vivendo temos que ultrapassá-las, todas elas, seja na circunstância que for.

    Nas tais comunidades antes “pacificadas”, por exemplo, hoje vemos que a bandidagem retornou e continua agindo a grande. Enfrentam a polícia civil, a militar e, pior, até o Exército, com todo o seu aparato, ele que afinal é a última instância da segurança de nosso povo.

    Se bandidos fortemente armados enfrentam até nosso Exército, quem irá salvar-nos, garantir-nos que a violência pode ser contida? Nesta “virose” da insegurança vivemos um estado de guerra que assusta a todos. A desordem tenta impor-se em vários locais das cidades enquanto nossas autoridades estão mais preocupadas em se eleger. Dane-se o povo que vota.

    Uma das maiores barbaridades que continua a ser preservada é a tal lei que impede de ladrões, assassinos, etc, serem presos durante certos dias antes das eleições. Parece fantasia, mas é realidade e que triste realidade. E as autoridades se mantêm de costas para estas cenas que agridem nossa paz.

    Há algumas semanas atrás fomos passar quinze dias no Rio. Íamos com o objetivo de nos distrair e repousar de problemas que por aqui andam a nos cercar de perto. Assim é a vida. Mal sabíamos o que nos esperava em Ipanema. De repente minha esposa acordou certo dia com o corpo todo doído, sem conseguir sequer se levantar, fazer alguma coisa.

    Após contatos com pessoas amigas e meu médico a resposta: é uma virose terrível que corre por aqui. Meu Deus, e não havia nada que se pudesse fazer, apenas esperar. Minha esposa ficou escravizada por vários dias pela tal virose totalmente impossibilitada de fazer algo não conseguindo nem comer e nem sequer beber água. Ela ficava deitada o tempo todo e isto durou cerca de três a quatro dias.

    Mesmo após estarem aliviados os piores sintomas da virose ficou um rastro de outros sintomas do tipo moleza no corpo, nariz escorrendo e uma tosse massacrante sem catarro. O pior é que restava esperar tomando gotinhas de própolis e outras da homeopatia. O tempo se incumbiu dela ir melhorando.

    De qualquer forma pior são outras viroses, especialmente a política contra a qual nem o nosso voto costuma resolver. Tanto faz ir para um lado como para o outro nós sabemos no que vai dar. Conhecemos ambos os partidos o que já nos governou e o que nos governa. Não há muita diferença, o resto é pura demagogia política. Desta virose não escaparemos.

    Francisco Simões. (Outubro/2014)