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    O ADEUS A OUTRO GRANDE AMIGO DA ANTIGA


    Uma vez um amigo da antiga, o Joaquim Amaro, me disse esta frase que nunca esqueci: “Simões, o difícil da gente viver muito é ter que assistir à queda de tantos outros amigos que vão ficando pelo caminho. É a vida.”

    Da antiga do BB onde trabalhei por 30 anos muitos amigos já partiram desta para outra vida embora ainda haja muitos outros que vão levando a vida como eu, alguns passando dos 70, outros dos 80 e assim por diante. Mas hoje estou triste, pois embora a gente saiba que a morte é a única coisa certa que todos teremos é sempre difícil encará-la.

    Quando liguei o computador lá estava a mensagem do amigo Amaro fazendo-nos nova comunicação, justo daquelas que ele jamais gostaria de ter que fazer, eu sei. Desta feita partiu desta vida um dos melhores amigos que eu conheci um grande caráter, um líder nato.

    Seu nome: Renato Toledo de Campos. Além de bancário, o Renatão era psicólogo, técnico em grafoscopia, professor e escritor de contos dos melhores. No meu site pessoal e na revista RIO TOTAL foram divulgados alguns dos seus contos. Ele sempre tinha uma palavra de consolo, de amizade, se via alguém sofrendo. Eu sou um desses exemplos. Ele me socorreu várias vezes.

    A pior delas foi durante um ano e meio da doença de minha segunda esposa, Zezé, que faleceu em Junho/2003. Renato e sua então esposa, D. Lúcia, além de grandes amigos, eram as únicas pessoas que ela, já na pior fase da cruel doença, permitia que a visitassem. Só com eles ela se deixava falar, quando conseguia, e eles a confortavam espiritualmente.

    Comecei a trabalhar no DESED (Treinamento de Pessoal do BB) creio que no ano de 1966. Já ali nos conhecemos. Algum tempo depois fomos indicados pela Chefia para realizar o primeiro curso de Treinamento de Pessoal em minha terra natal, Belém do Pará. Eu coordenava o curso e Renato ministrava aulas de grafoscopia. Éramos bem mais jovens, claro, e ali se iniciou uma amizade bem forte e leal. Ele também me chamava “o filho do Mário” após conhecer meu saudoso pai português.
    Em outras oportunidades atuamos juntos em cursos variados. Logo Renato ascendeu com toda justiça à condição de Chefe, cargo que soube exercer com maestria. Anos depois acabamos sendo separados fisicamente, pois Renato optou por permanecer mais um tempo em Brasília enquanto eu tive que retornar ao Rio após grave acidente na estrada. Nossa amizade permaneceu forte e a distância jamais diminuiu aquela amizade entre os dois casais.

    Ao se aposentar o amigo Renato voltou à Cidade Maravilhosa e veio morar justo em Ipanema, onde nós já morávamos há algumas décadas. Voltamos a nos encontrar inclusive em jantares com outros dois casais que também haviam pertencido ao BB e estavam igualmente aposentados, Floriano e D. Veridiana e o Carvalho mais D. Manon.

    O tempo foi passando em cada um de nós, entretanto sem fazer envelhecer aquela amizade de sempre e para sempre. Fiquei muito feliz quando Renato editou e divulgou seu livro contendo muitos dos seus contos que narram histórias da vida de todo dia. Seus personagens estão em nossas ruas, no dia a dia de uma cidade como o Rio de Janeiro. Quem o impulsionou nesta vitória foi nossa amiga comum a escritora, poeta e editora gaúcha Rozélia S. Rásia.

    Renato, em sua passagem por esta vida, deixou um imenso rastro de bons exemplos, soube somar amigos, foi marido exemplar, um pai que nunca virou às costas a qualquer necessidade de seus três filhos, Lúcia, Renato e Reinaldo.

    Agora Renato descansou após passar por alguns momentos de sofrimento e uma longa viuvez. D. Lúcia, sua esposa, morreu de repente em casa, creio que nos braços dele três meses após minha segunda esposa haver falecido em 2003.

    Que Deus o tenha e a nós, amigos de sempre, resta-nos rezar por ele e dizer-lhe : ”Amigo, até um dia”.


    Francisco Simões. (07/Outubro/2014)