Crônica
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    DIVAGANDO SOBRE O TEMPO


    Nesta atualização do meu site pessoal tentarei divagar sobre o tempo. O tema tem a ver com o poema que vocês lerão mais abaixo e que escrevi em Agosto/2000.

    Esta poesia tem um verso que um bom amigo meu, da antiga do BB, o Agnaldo, sumido faz tempo, um dia ao lê-lo me disse com todas as letras: “Simões, escreveste um dos versos mais bonitos que eu já li.” Revelo para vocês o tal verso: “O tempo mede a vida com a régua do destino.” Cada um de vocês faça o seu julgamento. Afinal amigo é sempre suspeito, não?

    Em verdade, embora para mim seja difícil fazer um juízo de valor do que escrevo, o fato é que há vários versos neste poema dos quais eu gosto e muito. Sem falsa modéstia afirmo que eu estava bem inspirado, pois naveguei no tema de uma forma como poucas vezes consegui fazê-lo. Lembro-me que comecei a escrevê-lo numa noite fria e meio chuvosa de inverno aqui em Cabo Frio.

    Se algumas vezes veio-me a idéia de uma poesia ao ver uma cena, ao saber de algo que me comoveu ou ao vivenciar determinada situação emocionante, neste caso eu simplesmente deixei a imaginação fluir liberta de amarras.

    Digamos que eu estava de bem com a vida e entrei em transe sem saber como explicar as idéias que me ocorreram para fazer tantas descrições, afirmativas, pintar com palavras situações verdadeiramente poéticas, ou seja, me investi de um espírito poético que não sei de onde teria vindo. Já me ocorrera isto antes.

    Afinal mesmo tendo composto diversas poesias, algumas até bem premiadas, e alguns amigos e amigas me chamando de “poeta”, não me julgo um poeta. Talvez eu seja um esforçado versificador, talvez seja isto mesmo.

    Eu poderia destacar vários versos que compõem a poesia abaixo, mas vou realçar aqui apenas estes: “O tempo tem a idade do infinito / A idéia limita o tempo no espaço do pensamento / O tempo flui lento no movimento / De uma flor que se abre ao mundo / O tempo rasga veloz o vento / Nas asas da águia que retorna ao ninho...”

    Gosto também desses outros versos que me permito realçar aqui: “No silêncio o tempo nunca se cala / Ele fala em nossos sonhos, recordações, / Nas angústias, nas emoções contidas, / Na mágoa que busca asilo num canto do coração.” Encanto-me com vários desses versos, modéstia à parte, que às vezes me julgo alguém que é mesmo bafejado pela sorte ou amparado por poetas de outra dimensão.

    Nunca me senti à vontade escrevendo eventualmente poesias “por encomenda”, ou para determinados concursos. Eu já fui no passado incentivado por sobrinhos e amigos e o que eu criei acabou dando certo. Basta ver certas premiações em concursos com poesias específicas, tratando sobre temas que eu nunca antes usara ao escrever. Visitem, por favor, a seção de “Concursos”.

    Agora eu os convido a ler este meu poema “Passando o Tempo”.


    PASSANDO O TEMPO

    O tempo tem todo o tempo que o tempo tem.
    O tempo cabe no momento
    Que se prolonga até a Eternidade.
    O tempo tem a idade do infinito.
    A idéia limita o tempo no espaço do pensamento.
    O tempo flui lento no movimento
    De uma flor que se abre ao mundo,
    O tempo rasga veloz o vento
    Nas asas da águia que retorna ao ninho.
    O tempo guarda o passado, segue o presente
    E traz permanentemente uma promessa de futuro.
    O tempo medeia o necessário tempo
    E impele a vida para a luz.
    O tempo mede a vida com a régua do destino.
    O tempo cessa num beijo, num suspiro, num orgasmo,
    Arde no desejo, fere no espasmo, se esvai num tiro.
    No silêncio o tempo nunca se cala
    Ele fala em nossos sonhos, recordações,
    Nas angústias, nas emoções contidas,
    Na mágoa que busca asilo num canto do coração.
    A noite envolve o tempo nas trevas
    Abre-se o tempo para fadas, gnomos, devas,
    Descerra-se a fantasia, enleva-se o lirismo
    Em tempo de mistério, de vigília, de horas mortas.
    A Natureza exorta a noite dos tempos
    Que não cabe no tempo da noite que descansa.
    O tempo abriga lembranças, conserva amizades,
    Alimenta esperanças, quimeriza saudades.
    O tempo já me deu tanto! Quanto falta? Só o tempo sabe,
    Pelo meu tempo vou passando até que o tempo em mim
    desabe.
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    Autor: FRANCISCO SIMÕES
    Em: Agosto/2000.
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