Crônica
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    TUDO OU NADA


    Dizem alguns que viver é uma arte, outros que é um aprendizado sem fim, mas que nem todos conseguem aprender as lições de um bem viver. Se levarmos em conta o mundo de hoje, a nossa realidade atual, viver ultrapassa os sentidos de qualquer arte e nos põe constantemente em cheque.

    Diversas são as opções de vida que nos levam ora para o bem ora para o mal. Eu confesso que nem tenho mais a certeza de que neste conflito que nos indica algum caminho a seguir possa o bem vencer o mal ou vice-versa. Parece que a vida, ou o mundo como diriam outros, é que está a perder o rumo. O que eu percebo no ar é uma incerteza sem fim.

    Quando nascemos, a única certeza que assumimos, sem que saibamos de nada, é de que um dia morreremos, porém na estrada da vida há, especialmente hoje, caminhos diversos e muitos atalhos. Alguns nós podemos escolher e decidir segui-los, entretanto quanto a outros deles fatos alheios à nossa vontade muitas das vezes nos empurram para os mesmos.

    Antes a verdade e a mentira eram coisas bem definidas, hoje, porém, está ficando cada vez mais difícil crer-se em uma ou outra e não sermos enganados, traídos em nossa resistente boa fé.

    Quantos já não abandonaram ou desistiram da retidão de caráter, da honestidade, da solidariedade e mergulharam cada dia mais no que antes condenavam. Um dia se afogarão, pois sua essência não veio a este plano de vida para sobreviver nas sombras, no submundo que visa apenas destruição ou o não ser.

    Na escuridão já nascem muitos que jamais verão a luz. Não é a deles, seu viver é eternamente com objetivos que a nós, sobreviventes e que vamos tirando as pedras do caminho na longa jornada de uma vida bem diferente, jamais nos atrairiam.

    Quem nunca conviveu naquele ambiente não pode entender nem aceitar o reino do não ser embora para alguns ele seja uma atração a que acabam cedendo e se deixando levar o que significa matar em si próprio o verdadeiro sentido da vida.

    Por outro lado, quantas pessoas que praticam somente o bem, levam uma vida regrada, fazem exercícios, se alimentam de forma saudável, não têm vícios, são de repente empurradas, contra a sua vontade, para aqueles atalhos que levam a “abismos”? Alguns alegam como causa a genética. Mas, e quando certas pessoas sequer têm casos em família que possam justificar aquele triste destino?

    Embora a ciência, a medicina humana tenha avançado muito, é verdade que muitas dessas situações não podem e nunca são explicadas de forma que nos convençam. Já encarei médicos que alegam nem tudo ter uma explicação ou justificativa apoiada na ciência médica. E aí?

    Parece que a arte de viver não está destinada a todos que nascem e a querem exercer. Isto nos leva algumas vezes a pensar que no fundo a vida, para alguns, acaba por ser uma espécie de loteria, talvez o que conhecemos como “cara ou coroa”. Parece uma estupidez este raciocínio, porém como justificar exemplos que se enquadram no que eu citei mais acima?

    Pior, quem quer decidir o caminho a ser seguido nem sequer tem o direito de comandar a escolha no “cara ou coroa”. A ser verdade que já nascemos com o que alguns chamam de karma, outros de destino traçado, etc, creio nem termos direito a escolher “cara ou coroa”.

    Parece-me até mais apropriado que troquemos as duas palavras acima por “tudo ou nada”. Por que não? A troca seria mera formalidade, visto que nossa vontade, nosso desejo, muitas das vezes, como eu disse acima, sequer tem poder ou direito a uma escolha. Por mais que nos empenhemos de repente vem o tal “destino” ou “karma” e muda tudo e nós acabamos mesmo nos conformando com o nada enquanto outros usufruem do tudo.

    Alguém pode querer me desmentir, todavia se olhar bem em volta de si vai ver que eu tenho razão, mas não faça isso para não mergulhar em depressão, por favor. Querer entender o sentido da vida sem estar habilitado para tanto não é para todos e sim, acredito eu, para poucos privilegiados.

    Claro que sempre encontraremos pessoas que buscarão na religião, seja ela qual for motivos, explicações ou atitudes que eventualmente possam esclarecer ou justificar os exemplos aqui relatados. Um dia eu escrevi sobre “O Sentido da Vida” e naquele momento meu estado emocional conduziu e iluminou o meu raciocínio.

    Quem desejar ler (ou reler) aquele texto pode encontrá-lo no meu Arquivo Simões ao lado da página deste texto no Coojornal da revista RIO TOTAL. As crônicas são lá postadas em ordem alfabética. Falei e disse por hoje.



    Francisco Simões. (25/06/2014)