Crônica
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    UMA SÁTIRA EM VERSOS


    Foi ainda no ano de 1999, portanto há quase quinze anos, que me ocorreu a idéia de escrever em versos minha visão de nossa realidade tirando um sarro em cima do que muitos dizem que aqui, no Brasil... “pelo menos nós não temos guerras, não temos terremotos, entre outras desgraças.”

    Eu acabara de voltar de quatro longas estadas morando na Europa. Lá eu vivi uma realidade bem diferente, visitei países, muitas cidades, entendi como que os governos podem e devem devolver a seus povos os impostos que deles recebem.

    Em todas as áreas que vocês imaginarem, eu encontrei sempre um respeito aos direitos dos cidadãos locais. Claro que paraíso não existe em parte alguma do mundo, somente na visão de religiosos que nele crêem, todavia não dá nem para comparar o padrão de vida que aqueles povos podem ter em relação ao nosso povo brasileiro. Pagamos os maiores impostos do mundo, todos sabem disso, e não temos nem de longe o retorno que seria de se esperar dos governos que se sucedem seja no âmbito federal, seja no estadual ou municipal.

    Ademais uma das coisas que muito me fascinou foi o respeito à história, à cultura de cada um daqueles povos que visitei. Isto tudo me incentivou a escrever o poema critico “Todos os Dias”, vejam, repito que o fiz em Outubro/1999, não agora. A repetição da expressão “todos os dias” hoje mais do que nunca se justifica e confirma a triste realidade que estamos vivendo.

    Leiam, por favor, este meu poema, pouco divulgado, e fiquem bem atentos, pois perceberão em cada verso, em cada expressão que uso uma forma de afirmar o que pareço negar. Assim eu começo a poesia como a termino:

    “Que bom que não temos guerras
    É, que bom que a gente não tem,
    Que bom, ainda bem.”

    No próximo mês prometo que terão mais divulgação de poemas que escrevi e nem sempre divulguei. Obrigado pela atenção.

    Francisco Simões (Abril/2014)

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    TODOS OS DIAS

    Que bom que não temos guerras
    É, que bom que a gente não tem,
    Que bom, ainda bem.

    Na guerra a morte espreita e ameaça,
    A vida se esconde, mas a morte a acha.
    A morte viaja em balas marcadas,
    Ricocheteadas, dirigidas, perdidas.
    A guerra é um monstro que devora vidas
    Todos os dias, todos os dias.

    A vida não caduca na guerra,
    Muito antes a violência a enterra.
    Mutilam-se corpos, almas e mentes,
    Torturas, chacinas inclementes.
    Na guerra também se mata de assalto
    Todos os dias, todos os dias.

    Na guerra não só as balas matam,
    A força e o poder corrompem e matam,
    O medo enclausura tortura e mata,
    A fome esvazia a vida e a mata,
    As drogas também degradam e matam
    Todos os dias, todos os dias.

    Cabeças não têm tempo para sonhar,
    Olhos nem têm tempo para chorar,
    Lábios nem têm tempo para rezar,
    Pés não queriam, mas tiveram que ir lá
    E mãos foram lá só para matar
    Todos os dias, todos os dias.

    Que bom que não temos guerras
    É, que bom que a gente não tem,
    Que bom, ainda bem.

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    Autor: Francisco Simões
    Em: Outubro/1999.
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