Crônica
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    O MEU CANTO TRISTE


    Retorno às atualizações do meu site pessoal trazendo-lhes hoje a história do poema de versos curtos que denominei de “Canto Triste”. Ele foi escrito em Novembro/1995.

    Naquele tempo eu costumava fazer longas caminhadas pela manhã na praia com minha então esposa, a Zezé. Nós morávamos em nossa casa no bairro do Braga, aqui em Cabo Frio, e para chegar à praia dávamos uma caminhada de uns 500 metros passando entre dunas.

    Caminhar sentindo a água do mar a acariciar nossos pés tornava-se muito agradável e suavizava o efeito do sol a queimar nossos corpos. Pois foi numa dessas andanças matinais que repentinamente surgiu-me a idéia deste poema.

    Aliás, houve outras poesias que igualmente nasceram no ambiente da praia estando nós andando ou simplesmente nos refestelando na areia branca como talco de nossas praias. O que me surpreendeu foi a idéia que se acendeu de repente em minha mente e logo foi ganhando versos e mais versos visto as imagens nada terem a ver nem com o cenário em que estávamos inseridos nem com o clima romântico que vivíamos.

    Logo pelos primeiros versos vocês podem imaginar minha surpresa, mesmo sabendo que a inspiração costuma vir de algo ou simplesmente do nada, apenas nos domina e nos enleva num sentido algumas vezes que nem sequer provocamos ou estávamos a vivenciar. Vejam aqui os primeiros versos deste poema:

    “O meu canto triste / hoje desiste / de te chamar / de procurar / a paz perdida / de chorar / a despedida / de esperar / pela ilusão...”

    Quando eu comecei a balbuciar as primeiras palavras do “Canto Triste” minha então esposa também demonstrou surpresa e, pior que isto, manifestou certo ciúme, pois imaginou que eu estaria a relembrar algo que deixara raízes em mim. Não era verdade, todavia me foi difícil fazê-la crer no que nem eu sabia explicar.

    Os últimos versos mais me complicavam já que o poema parecia mesmo trazer de volta à minha lembrança outro amor vivido antes e que tivera um fim triste. Assim eles se expressam:

    “Morreu sozinho / porque cantou / até o fim / o meu amor, / e este amor / só havia em mim.”

    Felizmente depois ela foi entendendo que ser poeta ou simplesmente escrever versos que lhe são ditados por algum sentido que não entendemos a origem não deve nos comprometer com algum sentimento por ele expresso, mas que não alimentamos.

    Para ela eu escrevi alguns poemas em várias fases de nossa vida assim como conscientemente criei outros ora falando da vida e ora carregados de muita crítica social e política. Quem conhece o meu trabalho nesta área sabe que é verdade. Aliás, preciso dizer que este poema foi novamente divulgado na web no segundo semestre de 2003 após minha então esposa haver falecido em Junho daquele ano. Fiz questão de repassá-lo a todos com uma linda formatação da minha então amiga Cecília Carvalho. Esta, entretanto, nunca mais fez contato comigo isto já há quase uns dez anos e nem sei o que se passou com a amiga. Se alguém tiver notícia dela, por favor me comunique.

    Porém agora eu os convido a ler na íntegra minha poesia de novembro/1995 “Canto Triste”.
    (Francisco Simões – Março / 2014)

    CANTO TRISTE

    O meu canto triste
    Hoje desiste
    De te chamar,
    De procurar
    A paz perdida,
    De chorar
    A despedida,
    De esperar
    Pela ilusão.
    É frio o chão
    Sem teus passos,
    É vazio o espaço
    Sem tua presença,
    Dura existência
    Sem teu sorriso.
    Tudo de que preciso
    Se foi contigo,
    Ficou o castigo
    De um amor antigo
    Que acreditou,
    Plantou raízes,
    Driblou as crises,
    Jurou: felizes
    Para sempre,
    E para sempre
    Me deixou.
    O meu canto triste
    Que tu ouviste,
    Mas com ouvido
    De mercador,
    Perdeu sentido,
    Murchou na flor,
    Tombou no outono,
    Caiu no sono
    E não acordou.
    Morreu sozinho
    Porque cantou
    Até o fim
    O meu amor,
    E este amor
    Só havia em mim.

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    Autor: Francisco Simões
    Em: Novembro / 1995.
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