Crônica
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    O SORRISO BRASILEIRO CONTINUA O MESMO


    Foi no começo do ano de 2000 que eu escrevi o poema que relembrarei hoje nesta atualização do meu site pessoal. Eu ainda não dera os primeiros passos na internet, escrevia meus versos em folhas de papel e os passava a limpo numa máquina de escrever Práxis 20.

    Quando ia fazer cópias Xerox de minhas poesias eu costumava distribuí-las entre pessoas que as liam e manifestavam admiração, diziam que gostavam. Fiz isto muitas vezes sem imaginar o que viria depois.

    Um dia descobri os Concursos de Poesias e a partir dali comecei a inscrever meus trabalhos participando daqueles certames. Ao receber os primeiros prêmios eu me animei e fui em frente. Um dia surgiu o concurso do Cantinho do Poeta. Era em Londres, Inglaterra.

    Eu acabara de escrever o poema “Sorriso Brasileiro” e recebera alguns aplausos, mas de pessoas amigas, portanto sempre “suspeitas”. Os meus versos expressam uma forte crítica social e política. Vivíamos no Brasil o governo de FHC.

    O estilo da construção daquele poema surgiu no ritmo com que meus sentimentos impulsionavam cada verso. Descarreguei neles minha decepção com os políticos brasileiros bem caracterizada principalmente nesses 4 versos:

    “É falsa a democracia que a poucos banqueteia
    E destina à maioria as sobras da ceia.

    É muita comissão para tão pouco inquérito
    E parcos resultados a merecer tanto mérito.”

    Igualmente extravasei sentimentos de dúvida, incerteza, quase usando de um olhar de descrença sobre a nossa Justiça quando fui mais além com esses versos:

    “É lama, é brejo, é areia movediça
    Engolindo a verdade, a honra, a justiça.”

    Mal eu sabia que treze anos depois este meu sentimento se fortaleceria diante de decisões recentes não só de níveis inferiores da justiça brasileira como até no seu mais alto grau de julgamento. Minha decepção hoje é ainda bem maior do que quando escrevi aqueles versos.

    Quanto à situação a cada ano mais injusta e cruel para com os menos favorecidos da sorte vejam que esses dois versos não só retratavam uma realidade como hoje eles permanecem válidos para eu me referir à situação de nosso povo:

    “É trêmula a mão do idoso que aguarda
    A consulta, o salário e a esperança roubada.”

    Escrito há tantos anos ainda hoje vez ou outra alguma pessoa amiga me informa tê-lo relido ou postado o “Sorriso Brasileiro” em seu blog, o que me deixa muito feliz e honrado.

    No geral este pequeno poema procura expressar meu sentido crítico e também meu inconformismo com tanta insensibilidade, tanta mentira, tanta impostura a ser sempre usada para iludir eleitores e se firmarem no poder.

    Num clima onde não mais existe ideologia política, mas apenas o desejo ardente de se impor mascarando situações, fazendo o jogo sujo da constante troca de Partidos ou legendas que mais parecem de aluguel, o sorriso brasileiro se mostra pálido, sem motivos para comemorar e não vendo esperança verdadeira no horizonte.

    Por favor, leiam o meu poema e até a próxima quando prometo mais.

    Francisco Simões (Novembro/2013)


    SORRISO BRASILEIRO

    É salgado o gosto deste solo agreste
    Pelo pranto da seca, da fome e da peste.

    É doce o sabor deste asfalto tão quente
    Ao molho de sangue, de violência inclemente.

    É triste o olhar da infância-ameaça
    Fugindo da vida, do medo e da caça.

    É trêmula a mão do idoso que aguarda
    A consulta, o salário e a esperança roubada.

    É preconceituoso todo olhar que ignora
    Feridas expostas e a indigência que implora.

    É covarde toda força que age escoltada
    Tirando a vida de quem não tem mais nada.

    É falsa a democracia que a poucos banqueteia
    E destina à maioria as sobras da ceia.

    É muita comissão para tão pouco inquérito
    E parcos resultados a merecer tanto mérito.

    É lama, é brejo, é areia movediça
    Engolindo a verdade, a honra, a justiça.

    É avalanche que arrasta, oprime e apequena,
    E a sociedade? – De costas para a cena.

    É bonito, saudável, feliz, que imagem
    O sorrir do poder e da politicagem.

    É sem teto, saúde, comida ou brejeiro
    O olhar que se esconde no sorrir brasileiro.
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    (Este poema foi selecionado junto com outros 59, em Londres, – Inglaterra, e integra
    a Coletânea Internacional de Poesia e um áudio-CD do “Cantinho do Poeta”-
    Participaram da seleção 498 poesias de vários países, em nov./2000.
    Ele ficou também entre os 20 melhores na 6ª edição do “Expressão da Alma”,
    no Rio, em junho/2000.)

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    Autor: FRANCISCO SIMÕES
    Em: Março / 2000.