Crônica
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    UM AMOR INCONDICIONAL


    Quem me lê sabe que temos três cachorros aqui em casa, uma Lady Coker, com 12 anos mais dois yorkshires, os pequeninos amigos, leias, carinhosos e bem barulhentos.

    Refiro-me ao querido Touche que ganhei de presente em Janeiro/2004 com apenas um mês de vida. Hoje ele está para completar 10 anos em Dezembro. Safira é filha de Touche e tem hoje pouco mais de seis anos. Esta é por de mais agarrada com Marlene. Digo que Safirinha é o anjo da guarda canino de Lena.

    Já falei deles algumas vezes em textos que divulguei tanto aqui no RIO TOTAL como no meu site pessoal. Tenho uma quantidade bem grande de fotos dos três acompanhando o crescimento desses nossos amiguinhos.

    Hoje pretendo contar o que vivemos na semana passada, especialmente com relação a Touche, e a uma cena muito triste que tivemos que presenciar na Veterinária São Francisco.

    Certa madrugada de repente nós fomos acordados com uma tosse forte e intermitente do nosso querido Touche. A tosse se misturava com espirro. Praticamente quase não dormimos, pois ele parava por poucos minutos e logo voltava a tossir forte. Começamos a ficar preocupados.

    Lena se levantou algumas vezes e foi com ele até a cozinha para lhe dar remédio de alergia, pois desconfiávamos do que poderia ter acontecido. Touche é muito curioso e fuça tudo que seja novidade para ele aqui em casa. Mesmo aplicando aquele outro medicamento o Touche acabava voltando a tossir e o sono foi embora.

    No dia seguinte era domingo e torcemos para que ele melhorasse visto ser difícil alguma assistência médica em fim de semana. Durante o dia ele tossia, mas ficava um tempo bem mais longo sem o fazer. Entretanto quando voltou a noite a tosse de Touche se acentuou e nós passamos uma segunda noite realmente “de cão”, com todo respeito ao nosso amigo Touche.

    Pela manhã não tínhamos ânimo para nada, nem pude fazer minha habitual caminhada diária, não dava mesmo. Felizmente logo chegou a segunda-feira e o levamos à Clínica que conhecemos. Junto foi a Safira, pois aproveitamos também para eles tomarem as três vacinas anuais. Eu sabia que a conta seria alta, e foi.

    Uma vez examinado pelo médico a conclusão é de que Touche estava com certa irritação na garganta, mas provocada por algo ligado ao funcionamento de seu coraçãozinho. Assustei-me. Isto fez com que o doutor lhe aplicasse outra injeção (com aquela já foram quatro no mesmo dia) e nos orientasse para que ele tivesse acompanhamento em cardiologia.

    Feitas as explicações necessárias recebemos do médico uma requisição para exame de sangue dele, mais uma para eletrocardiograma. Percebi que nosso Touche, assim como eu, está envelhecendo e precisando ainda de mais cuidados. Na mesma clínica há uma médica cardiologista para a qual o doutor nos encaminhou.

    Vocês que também têm cães e os amam como nós devem estar imaginando o quanto eu e Lena, começamos a ficar preocupados. Claro que em princípio não é nada grave, mas ele vai precisar de acompanhamento e certos cuidados. A despesa neste caso é o que menos importa.

    Só a visita naquele dia, além das três vacinas em Touche e Safira mais a outra injeção nele e o valor da consulta, custou-nos 400 reais. Eles merecem, são uns amores, nos ajudam a viver, nos tiram de momentos meio tristes, e sabem ser carinhosos na hora certa. Muitos seres humanos não têm a sensibilidade que os yorkshire demonstram continuamente por seus donos e amigos.

    Paro aqui para retornar ao momento em que chegamos à clínica. Havia lá uma senhora e uma jovem sentadas e carregando um cachorro de bom tamanho que aparentava estar muito, mas muito doente. Elas entraram para consulta antes de nós. Até ali ignorávamos o estado real daquele cachorro.

    Depois comecei a ver um entra e sai da sala do médico, ora ele, ora uma ajudante. A certa altura o vi carregar para a sala uma grande caixa de papelão. Foi quando perguntei à atendente o que tinha aquele cão e ela nos respondeu que ele estava com 17 anos e que desde os 11 sofria com um câncer que foi aumentando.

    A notícia me abalou, pois senti muito não só pelo cão como por suas donas. A atendente continuou e disse que naquele momento eles deveriam estar sacrificando o animal, não havia mais solução para o caso dele e o sofrimento justificava. Logo depois vi o médico sair e atrás dele a senhora e a jovem carregando a mesma caixa de papelão devidamente fechada.

    Elas choravam muito, estavam em prantos e ao ver aquela cena senti a mesma dor como se fosse comigo, não resisti e chorei também. Sei que muitos não entenderão minha atitude, afinal é preciso alguém conviver anos e anos com esses bichinhos, criar amizade, amor incondicional por eles, para poder alcançar meu sentimento.

    Marlene chegou a me pedir calma, preocupou-se comigo, claro, só que calmo eu estava, porém também triste e solidário com a dor daquelas mulheres ali à minha frente. Cheguei a pensar em Touche, Safira e mesmo em Tuane, nossa Lady Coker, hoje com 12 anos. Meu Deus, como nós sofreríamos se fosse com um deles.

    Ao entrarmos para a sala do médico parei ao lado das senhoras e lhes disse palavras de conforto. Era o mínimo que poderia fazer por elas. Ainda comentei o fato com o doutor que atendeu ao nosso Touche, pois ele tinha que se manter alheio a qualquer emoção, afinal faz parte do trabalho, da sua profissão.

    Ao sairmos percebi que nossa preocupação com a tosse do Touche havia sido minimizada face ao drama a que assistíramos lá mesmo. No fundo do meu coração até agradeci pela sorte de nossos cachorrinhos estarem com a saúde quase perfeita.


    Francisco Simões (Setembro/2013)