Crônica
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    NÃO SOU POETA


    Desde jovem sempre gostei de me expressar eventualmente em versos. Cada namorada era a musa inspiradora de pequenos poemas que eu guardava num caderno. Este era o meu arquivo antigo.

    Eu o tinha sempre bem escondido, pois sentia vergonha que pudessem ler minhas poesias. Um jovem apaixonado, nos tempos da minha juventude, se conseguia versejar não perdia tempo e a cada namorada, ou novo amor, logo transformava idéias em pequenas poesias.

    O caderno a que me referi acima depois o tempo o levou e nunca mais o recuperei. Recordações ficaram apenas na memória com algumas imagens de jovens namoradas. Algumas delas já partiram para outros planos e umas poucas se mantêm nesta vida por eventuais notícias que recebo de Belém.

    Escrever versos nunca me alçou à condição de poeta, conheço o meu lugar. Tenho hoje, entre tantas e boas amizades mais recentes, uma que quando me responde alguma mensagem costuma me tratar assim: “Bom dia, amigo poeta”. Tanta bondade da amiga Terezinha, uma pessoa maravilhosa.

    Após muitas décadas um dia voltei a me expressar em versos, creio que foi no final dos anos 80. Eu ainda não tinha internet. Escrevia poesias, fazia cópias em xerox e costumava distribuí-las entre pessoas que liam e gostavam do meu trabalho. Nunca tive nenhuma outra preocupação com relação a isto.

    Com minha “admissão” na informática tive a oportunidade de divulgar o que eu escrevia e até de me inscrever em diversos concursos literários. O aceitarem minha inscrição já representava para mim um laurel. Ficava ainda mais feliz quando reconheciam algum mérito em meus modestos poemas e os premiavam.

    A relação dessas premiações e outras em forma de selos poderão ser encontradas aqui mesmo, em meu site pessoal, em PRÊMIOS, na parte mais recente do site a cargo de Irene Serra, e em PREMIAÇÕES, na parte anterior do mesmo. Orgulho-me de alguns prêmios que me dedicaram, porém eu jamais me considerei, repito, “um poeta”. Talvez um esforçado versejador.

    Nesta atualização de Outubro/2013 ofereço a vocês um poema simples, de versos curtos, palavras ditadas por um sentimento que me invadiu em Fevereiro do ano de 2010.

    As palavras foram surgindo de repente, aleatoriamente. Algo em mim queria se expressar para falar do nada que me abraçava.

    Havia um silêncio no ar, dúvidas no meu coração, talvez uma espécie de negação do ser pretendendo sufocar o que me restava de amor em meus sentimentos. Eu tentava sobreviver em meio a um turbilhão de alegrias e tristezas.

    Dúvidas, incertezas, pesadelos, tormentos caminhavam junto comigo, por isso a inspiração foi me ditando versos como esses:

    “Não vou escrever assim,
    Neste estado de espírito
    Se já nem sei
    Quem sou eu
    Ou o que vive em mim.”

    Por gentileza, leiam minha poesia “A Idéia”. No próximo mês eu prometo que tem mais. Obrigado pela atenção.

    Francisco Simões (Outubro/2013)


    A IDÉIA

    Penso, repenso,
    A idéia nasce
    Faz-se a luz.
    A folha de papel,
    A caneta
    E surge a treta.
    Mas, hesito, não,
    Não quero escrever,
    Não ouso dizer
    O que penso hoje da vida,
    Da morte, da sorte,
    Do azar, de Deus,
    Do teu, do meu.
    Não, não ouso escrevê-lo,
    Prefiro amordaçá-lo, esquecê-lo.
    Imagino o que te faço pensar,
    O que estejas a julgar
    Por este meu versar,
    Se é um começo ou é um fim.
    Não, não ouso,
    Não vou escrever assim,
    Neste estado de espírito
    Se já nem sei
    Quem sou eu
    Ou o que vive em mim.
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    Autor: Francisco Simões.
    Em: Fevereiro / 2010