Crônica
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    O RECADO DOS POLÍTICOS


    Vocês sabem que eu tenho evitado voltar a escrever sobre política porque se o fizer sei que desagradarei a muitos e eventualmente poderei ter o apoio de alguns, prefiro então me calar. Hoje, todavia, eu abro uma exceção.

    Refiro-me ao que aconteceu ontem à noite no Congresso, mais especificamente na Câmara dos Deputados. Acredito que todos já saibam o que houve com relação ao deputado Donadon. Ele foi condenado a 13 anos de cadeia pelo STF e devidamente absolvido pela maioria de seus pares numa votação secreta, ou seja, para eles, os deputados, Donadon continuará com seu mandato mesmo condenado e preso.

    Resolvi traduzir na forma como eu vi e entendi o que se passou na Câmara de Deputados já que nem todos poderão ter entendido o que eles fizeram numa extensão maior daquele gesto de “solidariedade” a um colega. Desculpem, mas vou agora fazer a tradução de mais uma votação secreta, condenada por todos, porém jamais reprovada pelos senhores deputados. Tudo continua na mesma. Vamos lá.

    O que quiseram dizer para nós, povo obrigado a votar, foi, acredito eu, mais ou menos isto:

    “Povo, conformem-se, vocês não são mais do que povo, gente que nos elege, gente que grita, esperneia, nos xinga, mas nas eleições vai lá e vota... em nós. Vocês não têm outra saída, ou melhor, se têm não possuem coragem suficiente para tomar outra atitude na hora de votar.”

    “Parem com essas manifestações, parem com os movimentos fora fulano, fora beltrano, etc, porque isto não cola aqui em nenhum de nós. Não importa o partido a que pertençamos, somos um colegiado que age de acordo com seus interesses (nossos) e eventualmente nos importando com os vossos, certo? Entendam isto de uma vez por todas, por favor.”

    “Se um colega nosso foi condenado na instância maior da Justiça brasileira, e daí, as regras aqui nós é que as fazemos e que as aplicamos. Justiça, povo, e outros ficam do lado de fora. De há muito tem sido assim e nada vai mudar porque vocês possam querer mudar. Parem de gritar, poupem suas forças para nas próximas eleições estarem prontos a votar novamente... em nós.”

    “Se alguns anjinhos julgam que vão mudar alguma coisa nesta Casa procurando dar o seu voto a pessoas que não estejam atualmente exercendo mandato, lembrem que os candidatos colocados para vocês escolherem e votarem são escolhidos, selecionados por nós, por nossos partidos. A vocês cabe somente votar e pronto.”

    “Alguns julgam que atacando este ou aquele partido vão impedir que funcionemos como sempre o fizemos, ledo engano. Não esqueçam de que se atacam nossa classe nós nos unimos ainda mais e criamos barreiras de toda ordem para não sermos atingidos como alguns de vocês gostariam. Parem de sonhar, povo.”

    “A nossa garantia maior é saber que mesmo promovendo manifestações a granel na hora das eleições vocês, gente do povo, estarão votando em nós. Sim em nós porque vocês não têm coragem de tomar outra atitude, sem falar nos “rabos presos”, ou como dizem outros, os votos de cabresto. Podem escolher à vontade o candidato ou candidatos para votarem nas próximas eleições, no fim vem dar na mesma, nada mudará. Será que a decisão da noite passada foi entendida agora?”

    “Este é o nosso “recado” povo eleitor, isto é o que queremos que entendam de uma vez por todas, afinal sabemos que a maioria esmagadora de vocês é gente que jamais iria abrir mão de usar o seu sagrado direito de votar nas eleições, e jamais votaria em uníssono com muitos outros, por exemplo, em NULO, jamais. Vocês não têm coragem nem consciência para isso.”

    “Esta é a nossa democracia que funciona não para o povo, não para pobres ou mais necessitados, não, nós ditamos as regras, nós fazemos as leis, a vocês compete apenas se resignar e cumpri-las. Entendam de uma vez por todas que nós somos o retrato fiel de vocês, povo brasileiro, que, nos elegendo, tornam-nos seus legítimos representantes nesta Casa.”

    “Manifestações não nos atingem, podem quebrar o que quiserem que nós estaremos sempre inalcançáveis a esses movimentos, a esses protestos. Poupem suas energias, repetimos, para as próximas eleições. Esperamos por vocês e pelos seus votos.”

    Sem mais comentários.



    Francisco Simões. (29/Agosto/2013)