Crônica
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    VAMOS À TERCEIRA GUERRA MUNDIAL?


    Após o holocausto ocorrido na II Guerra Mundial e com a criação da ONU e todas as promessas de que o mundo caminharia para um rumo mais de paz e quando muitos afirmavam que “guerra nunca mais”, o que se viu foram diversas guerras isoladas. Muitos eram sempre os motivos ou razões invocados pelas nações que acabavam se digladiando ou perpetuando lutas internas em busca do poder.  

    Parece que o ser humano não consegue conviver pacificamente embora viva sempre a pregar a paz. Os exemplos estão aí, a história o comprova, só não vê quem não quer. Aqui e ali surgem ditadores a querer manter-se eternamente num poder mesmo contra a vontade de seu povo ou investem em luta por motivos religiosos e outros. Jamais o mundo, como um todo, realmente viveu em paz em toda a história da humanidade.

    Os EUA, sempre a erguer a bandeira de defensores da paz mundial, têm mantido uma política externa muito criticada por tantos analistas, mesmo depois de terminada a guerra fria e de quando caiu definitivamente o Muro de Berlim. Não podemos esquecer de que eles já se lançaram em várias oportunidades a aventuras guerreiras sob pretextos variados, alguns muito condenados.

    Uma das guerras em que aquela nação se meteu foi a do Vietnã. Este episódio registrou uma das derrotas mais fragorosas das forças americanas. Aquele fracasso, entre outros escândalos denunciados pela imprensa dos EUA, derrubou o então presidente Richard Nixon que renunciou. O caso ficou conhecido como Watergate. Não esqueçamos que no Vietnã os americanos usaram sim o tal gás laranja, arma química, matando muitos vietnamitas, especialmente civis.

    Antes, porém, os americanos já se haviam envolvido no conflito do Afeganistão. Constava que os russos estariam querendo tomar aquele país. Foi quando os EUA treinaram e muito bem, através da CIA e outros órgãos de segurança americana, o Bin Ladden para que liderasse uma contra invasão no Afeganistão.

    Lembro-lhes que Bin Ladden era amigo de longa data da família Bush, desde os tempos de Prescott Bush, avô do Bush filho. Este acabaria sendo Presidente. Bin tinha trânsito livre em terras americanas. Para conhecerem melhor essa história leiam, por favor, “Laços de Família”, escrito por Frei Beto. Eu tenho o texto e posso dispô-lo a quem o desejar.

    Posteriormente com a vitória americana no Afeganistão, Bin Ladden continuou como um agente aliado e amigo daquela nação. Isto até outros interesses entrarem em jogo e terem levado o bom amigo à condição de inimigo mais procurado pelos americanos. Esta perseguição teria se acirrado após o episódio da derrubada das Torres em Nova York.

    Anteriormente, além de outros conflitos aqui e ali por disputa de poder, não esqueçam que os senhores americanos haviam tomado como aliado de primeira linha o iraquiano Sadan Hussein. A história relata que para vencer os curdos, ao norte do Iraque, Sadam teve a indispensável ajuda americana, e mais, teria recebido destes, e usado, armas químicas. Há uma foto significativa onde George Bush, pai, abraça sorrindo o ditador Saddan Hussen, então aliado.

    Voltando ao ato de terrorismo que derrubou as Torres, um dos símbolos do orgulho americano, recordo que era então Presidente o Bush filho, ele que afundou a economia americana, e partiu para aventuras perigosas e desnecessárias. Logo após aquele ato terrorista, sem maiores comprovações, Bush de imediato acusou Bin Ladden, seu ex amigo, de ser o inimigo número um americano.

    Entretanto, quando se esperava que Bush promovesse uma caçada a Bin Ladden ele surpreendeu a todos promovendo um ataque impiedoso a outro ex-aliado, o Saddan Hussein. Deixou Bin de lado e atacou com toda força o Iraque matando muita gente, destruindo parte daquele país, levantando outra bandeira, a de que Saddan possuía armas químicas e estaria produzindo a bomba atômica.

    Não esqueçamos que inspetores dos próprios EUA haviam estado no Iraque e ao retornar afirmaram que nenhuma daquelas acusações eram verdadeiras. Ainda assim o “menino mimado”, Bush filho, foi à guerra arrasando o Iraque, sem autorização da ONU, enquanto boa parte da imprensa americana levantava outras suspeitas da intenção de Bush no Iraque. Creio que nem preciso lembrar os motivos por trás daquela estapafúrdia decisão. Procurem se recordar.

    E assim, de guerras em guerras, o nosso mundo vai sobrevivendo “em paz”. Quanta hipocrisia. Eu torci e muito tanto pela eleição como pela reeleição do Obama. Tinha esperança de que sua linha de ação mudasse inclusive o panorama internacional no que concerne à política externa americana.

    Agora vemos o Norte da África e o Oriente Médio envolvidos em conflitos internos diversos. Se o Egito vem sobrevivendo a uma guerra urbana feroz, por outro lado o ditador da Síria promove um massacre terrível de sua população contrária a sua permanência no poder.

    Independente do horror com que o ocidente assiste a esses fatos a verdade é que a Síria, assim como o Egito, o Irã, e outros são nações soberanas. Analistas internacionais afirmam que somente com autorização do Conselho de Segurança da ONU outra nação, como, por exemplo, os EUA, poderão intervir especialmente no conflito interno da Síria.

    O que temos visto ultimamente é que o Presidente Obama está cada dia mais inclinado a promover eventuais ataques para tentar diminuir o arsenal do governo sírio. Acusam o ditador Bashar al-Assad de já ter usado armas químicas  contra os revoltosos que o querem retirar do poder. A Rússia, aliada do governo sírio, diz possuir provas de que o fato não é verdadeiro. Quem diz a verdade?

    Obama, que prometeu não cometer o mesmo erro de Bush ao atacar o Iraque sem autorização do Conselho da ONU, agora parece ignorar sua promessa e buscar apenas o apoio do Congresso americano. Mas, países como a Grã-Bretanha, a Rússia, a Alemanha, a China e outros exigem a aprovação da ONU para que os EUA possam levar avante seu intento.

    Internamente Obama já sofre reações populares contra o eventual ataque à Síria, pois muitos afirmam que tinham nele, entre outras coisas, a certeza de que os EUA não se lançariam novamente em guerras que não lhes digam respeito.

    Por outro lado como Obama diz querer “apenas” atacar para reduzir o arsenal de armas do governo sírio cabe uma pergunta: e se ele possuir mesmo armas químicas como outros afirmam que a Síria as tem e em grande quantidade? No ataque ao arsenal sírio Obama não corre o risco de fazer explodirem as tais armas químicas provocando uma devastação não apenas naquele país, mas provavelmente estendendo o conflito a todo o Oriente Médio?

    Insisto: e qual será a reação de outros países daquela região? Como se comportarão então tanto a Rússia como a China e outras nações que não mantêm relações muito pacíficas com os EUA? Acabo de ler esta notícia no Portal do Terra:  Síria não se curvará mesmo com 3ª Guerra Mundial, diz vice-chanceler. Ele estará blefando ou devemos levá-lo a sério?

    Um ataque real dos americanos à Síria agora não poderá acirrar ainda mais os ânimos do terrorismo internacional especialmente contra aquela nação e aquele povo? Não poderá ser criada uma situação fora de qualquer controle e que torne o episódio de derrubada das Torres americanas apenas um fato menor? Como reagirá o povo americano já cansado de tantas guerras e tantas perdas de seus filhos em aventuras que alguns de seus governos criam comportando-se como “palmatória do mundo”?

    Finalizando faço mais duas perguntas: Obama, por acaso já conseguiu as provas sobre armas químicas usadas pelo ditador sírio ou não? Estaremos caminhando enfim para uma Terceira Guerra Mundial que, considerando as armas que hoje as nações possuem além do grande inimigo de agora que é o terrorismo internacional, poderá ter conseqüências avassaladoras?

    Respondam rápido, por favor, porque depois pode ser tarde demais.
     

    Francisco Simões.  (Setembro/2013)