Crônica
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    FELIZ ANIVERSÁRIO OUTRA VEZ


    Neste dia 17 de Agosto no ano de 1936 nascia aquele menino, ele que viria a ser o primogênito entre dez irmãos e irmãs. Se seus pais estavam felizes, o avô materno explodia em alegria, pois sonhava que ele, o recém nascido, seria seu herdeiro como químico industrial para comandar a indústria que ele criara.

    Mas o bebê trazia em sua genética outro destino. Herdara muito mais do seu pai do que de seu avô materno. Todavia somente o tempo revelaria esta verdade. Ele se lembra que teve uma infância muito feliz. A família, com o tempo, se constituiu em cinco meninos e cinco meninas, hoje são apenas oito irmãos ao todo.

    Ele, após ter completado o segundo grau, já pensava em trabalhar e logo que chegou aos 17 anos foi aprovado num concurso público onde havia 50 candidatos e apenas dois foram aprovados. Ali ele começava a concretizar um de seus “sonhos de porão”, trabalhar em emissora de rádio. Mais do que isso, logo ele avançou em outro de seus sonhos: escrever e ter seus textos divulgados.

    Ele exercia várias atividades na rádio e também lia, diariamente, os textos que ele mesmo escrevia. Nisto ele teve, desde o começo, o apoio integral de seu pai, português, seu maior incentivador. A atividade de radialista coincidiu com o longo período de ano e meio em que ele serviu ao CPOR, no exército.

    Diariamente quando entravam na rádio as crônicas que ele deixara gravadas na emissora alguns colegas de farda juntavam-se a ele para ouvir num radinho de pilha que o jovem carregava e até hoje carrega com ele. Este fato se repetia inclusive quando a tropa estava acampada pelo interior afora.

    Certa vez, também incentivado por seu pai, ele acabou se submetendo a um concurso para o Banco do Brasil e passou em quarto lugar. Naqueles tempos os pais costumavam dizer aos filhos que entravam para o BB: “Agora estás com o futuro assegurado.” Digo, naqueles tempos, porque já de há muito essa máxima não é tão verdadeira, podem crer.

    O nosso aniversariante trabalhou 28 anos em Departamentos da Direção Geral do BB e exerceu funções as mais variadas, algumas muito gratificantes como programar cursos de treinamento de pessoal, ministrar aulas, coordenar cursos, chefiar Setor de Comunicação Áudio Visual, assessorar a Chefia do então CESEC em assuntos variados e também a Chefia da PREVI, onde se aposentou. Ele nunca se sentiu apenas bancário.

    Além de suas atividades no rádio, quando jovem, e mais tarde durante 30 anos no BB, o nosso aniversariante exerceu por muitos anos atividades artísticos culturais como Arte Fotográfica, produção de filmes de curta metragem, em plena ditadura e abordando quase sempre temas político sociais. Em ambas ele ganhou maravilhosos prêmios que guarda com muito amor e saudade.

    Assim podemos dizer que ele aproveitou bem alguns anos de sua aposentadoria do BB visto que além do que digo acima ele também viveu por quatro longos períodos na Europa, outro de seus sonhos que acabou sendo realizado. A vida foi pródiga com ele que soube sair de alguns tombos e levantar e seguir em frente reconstruindo seu caminho outra vez.

    Aprendeu que nem tudo são flores ao ter que suportar por um ano e meio um sofrimento que não deseja a ninguém. Seu primeiro casamento foi um fracasso, erro de juventude, tudo bem, porém no segundo a vida ou o destino interceptaram um script de felicidade após quase quarenta anos.

    Só quem já passou por algo semelhante poderá aquilatar a dor e o sofrimento solitário vividos por nosso personagem. A solidão foi sua companheira por uns quatro anos, especialmente à noite. Amigos aliviaram-lhe esta situação sempre que podiam levando sua companhia em rápidos passeios ou jantares.

    O destino propiciou a ele uma nova oportunidade de vida após um susto daqueles em que nem todos escapam ilesos. Quando parecia que a má sorte o escolhera para novo sofrimento ele acabou tendo outra oportunidade de ver novamente a luz, como se diz, no final do túnel. Sua idade já ultrapassara os setenta fazia cerca de dois anos e ele agarrou aquela chance de se manter vivo.

    Podia ter dado outro sentido à continuação de seu viver, mas preferiu unir o útil à solidariedade que emergia ainda mais forte de uma longa amizade de décadas. Ele já conhecia bem, por várias experiências anteriores, como poderia ser novamente a vida a dois. Sabia dos prós e dos contra, mas decidiu arriscar.

    Mesmo assim encarou surpresas que se algumas o assustaram outras o levaram a um novo equilíbrio visto que busca apenas viver, ser feliz e semear a felicidade em outros corações. Parece que está conseguindo. Ele sabe que sua jornada a partir de agora cada dia fica menor, o horizonte onde tudo termina se aproxima, mas o nosso aniversariante ainda pretende, caso a vida lhe permita, comemorar mais alguns natalícios.

    Talvez não como antes e este ano nem sabe se haverá comemoração o que considera natural, porém sabe que tem pessoas amigas perto de si que irão abraçá-lo. Parentes distantes irão telefonar, como sempre, e alguns amigos mais chegados provavelmente lembrarão e lhe mandarão cumprimentos em e-mails. É suficiente.

    Da minha parte eu também o cumprimento e lembro o que disse certa vez um poeta... “enquanto houver sol”... siga o seu rumo, amigo, deixe o sol lhe garantir que há vida e que a felicidade siga seus passos até o fim. Você sempre construiu o seu caminho, jamais desistiu ante qualquer adversidade, agora falta pouco. Seja feliz caro amigo.


    Francisco Simões. (Agosto/2013)