Crônica
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    UM POEMA ÀS POMBAS


    Foi no ano de 1999 que em certo momento, sempre atento aos acontecimentos políticos no país e no mundo, ocorreu-me a idéia desses versos. Procurei transmitir uma mensagem de alerta usando as pombas como mote da poesia.

    Alguém perguntaria por que eu usei as pombas e eu respondo que foi pelo fato dela ser considerada por todos como símbolo da paz. O momento internacional era de provocações e terrorismo, logo depois acirrado durante o governo Bush nos EUA.

    Assim eu sugeri que as pombas fugissem da Paz, da paz que faz bombas, das bombas dos homens que defendem a Paz. Num contexto de muita hipocrisia fui desenvolvendo meu raciocínio, passeando em idéias diversas, mas sempre fiel a critica social, política e mesmo religiosa.

    Leiam, por favor, meu poema “Às Pombas”. Aos que já o conhecem recomendo uma releitura, pois as críticas estão em cima de fatos, idéias e atitudes que continuam a se repetir. Até o próximo mês.

    Francisco Simões. (Julho / 2013)

    ÀS POMBAS

    Pombas, pombas, pombas,
    Fujam da Paz,
    Da Paz que faz bombas,
    Das bombas dos homens
    Que defendem a Paz.
    Fujam para a vida,
    Escapem da bala,
    Do tiro que cala
    E da asa partida.
    Fujam da cruz,
    Da traição, do suplício,
    Do tormento e sacrifício,
    Que vive a se repetir.
    Fujam do rugir
    Do monstro, da besta,
    Do homem que pretexta
    Seus atos de destruir.
    Fujam do siso
    Que assassina a loucura
    Na cura pelo juízo
    Que vence, cresce e tortura.
    Fujam do sábio
    E de suas tolices,
    Tentem ler nos seus lábios
    O que ele não disse.
    Fujam do culto,
    Do mito, da idolatria,
    Pois toda mente vazia
    É a morada do inculto.
    Fujam do sonho
    Que não puderem tê-lo,
    Pois o pior pesadelo
    É acordar desse sonho.
    Fujam da cabala
    Que trama pelo poder
    E do tolo que fala
    Somente para obedecer.
    Fujam do silêncio
    Que a verdade atrofia
    E que não denuncia
    Porque é conivente.

    Fujam do ardente
    Discurso político
    Que no mote é eloqüente
    E na ação é paralítico.
    Fujam do bem,
    Da bem-aventurança,
    Que nos planta esperança
    Para colhermos no além.
    Fujam do pó,
    Da poeira que nos cega,
    Que violenta e desagrega
    E na ilusão deixa só.
    Fujam da rosa
    Sem perfume, venenosa,
    Hoje ainda mais poderosa,
    A “Rosa de Hiroshima”.
    Fujam da rima
    Dos meus versos de utopia
    Por uma vida que um dia
    Não torture, não oprima.
    Fujam das sombras
    De um grande sol virtual
    Quando a vida real
    Sucumbir ante as bombas.
    Pombas, pombas, pombas,
    Fujam enfim
    Desta visão tão escura,
    Da consciente loucura,
    Pombas fujam de mim.

    Autor: Francisco Simões.
    Escrito em: Junho/1999.