Crônica
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    APOSENTADORIA É PARA COMEMORAR?


    Alguns responderão a esta pergunta título dizendo que sim e outras certamente que não. Tudo bem. Concordo com ambos, mas tenho cá minhas razões para escrever e divulgar este pequeno artigo.

    Até a alguns minutos eu nem pensara nisso, porém de repente me deu aquele “tesão literário” (como costumo dizer a amigos) e resolvi sentar aqui e começar e digitar. E sabem a razão disto? É Lógico que é fácil de acertar só não poderão dizer o numero certo, o número de anos em que eu estou aposentado pelo BB.

    Alguém já deve estar a se perguntar: “que velho bobo, perder tempo escrevendo para comemorar sua aposentadoria?! Que bobeira”. Se você é um dos que estão pensando assim, pois eu lhe digo que o faço com o coração em festa.

    Afinal hoje, exatamente hoje, dia 25/Fevereiro/2013, eu estou completando “apenas” 27 anos que me aposentei do BB. É muito tempo não? Um dia, brincando com uns amigos bem chegados, eu confidenciei que se Deus me permitir completar os 30 anos de aposentado, julgo seria muito justo até eu pedir uma segunda aposentadoria.

    Vocês estão a rir? Pois acreditem que julgo seria muito mais justo, a mim e a todos aos quais ocorra semelhante situação, do que políticos se aposentarem seja com quatro, oito ou sei lá quanto anos, porém sempre muito menos do que os 34 que eu trabalhei, incluído aí o tempo em que atuei no rádio, em Belém do Pará, além do meu tempo servindo ao CPOR, o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva.

    Em verdade eu pensara em me aposentar no dia 24/Fevereiro/1986, mas aí o Chefe de Gabinete, o nosso bom Lula, Luis Carlos da Fonseca, lembrou-me que o Presidente da PREVI (e nós éramos homens de confiança dele no Gabinete), o professor Joaquim Amaro, aniversariava exatamente no dia 24.

    Pronto, não se fala mais nisso, adiei na mesma hora minha aposentadoria para o dia seguinte. Assim pudemos ter as duas comemorações nas suas respectivas datas, e valeu a pena. Confesso que a decisão de me aposentar já estava programada em minha mente há algum tempo. Eu tinha planos para pôr em prática logo após.

    Eu queria realizar algumas exposições de minhas “Fotografias Artesanais”. Trabalhos que receberam muitos prêmios nos salões mensais e anuais da ABAF onde aprendi que fotografia também era arte. Aprendi com grandes Mestres. Mas como alguém iria aceitar eu expor se fora da ABAF eu quase não era conhecido?

    Bolei e deu certo. Procurei a direção do então programa do Clodovil Hernandes, na antiga TV Manchete, no Rio. Deixei lá alguns trabalhos e fui pra casa. No dia seguinte uma jovem me telefonava a mando do próprio Clodovil para agendarmos o dia da entrevista. Ele se interessara muito pelo meu trabalho e queria divulgar. Como vêem acertei na mosca.

    Pouco tempo após a tal entrevista ir ao ar eu estava expondo tanto no Salão Nobre da AABB Lagoa, como na Sala de Exposições do Jardim Botânico, e também no Salão de Artes do Planetário e assim por diante. Logo vim expor na Charitas, aqui em Cabo Frio, além de ter exposto no Salão de Artes da Prefeitura de Teresópolis, e o que considerei ainda bem mais importante para mim: expus na Galeria Stúdio da artista plástica Lenita Holtz, a convite dela e do marido.

    Acabei também fazendo duas exposições, isto em 1989, atravessando o Oceano Atlântico, no Eugênio C, o transatlântico em que viajávamos para a Europa. Depois expus também na APAF, a Assoc. Portuguesa de Arte Fotográfica, em Lisboa. E para completar ainda fiz mais uma exposição em Cabo Frio, além de ter realizado a primeira Exposição de Fotos e Poesias na Biblioteca Pública aqui em Cabo Frio, isto no ano de 2000, a convite da Diretora da Biblioteca.

    Muito gratificante foi um dia ser convidado para participar do Maior Varal de Poesias do Mundo. Um poeta, meu amigo, professor, idealizara aquele fantástico Projeto. Chegou a conseguir mais de 5.000 poesias e todas foram colocadas num imenso Varal à volta do grande Canal de Itajuru. Ninguém mexeu nas poesias e o final da festa foi mesmo lindo. Ele a dedicou a alunos das Escolas aqui da cidade e eu figurava apenas como convidado, o que já foi uma grande honra. Apenas os alunos participantes concorreram a prêmios. Muito justo. Foi no ano de 2000.

    Realizei diversos outros planos que eu tinha em mente, como voltar a Portugal, terra de meus ancestrais e onde eu vivera por um ano quando tinha dez, isto em 1947. Muito dessas viagens já foi por mim contado em crônicas diversas. Valeu a pena e muito eu ter me aposentado ainda novo e com muita energia para realizar aquilo tudo. É claro que a vida não me deu somente alegrias.

    Mas deixemos as tristezas de lado e comemoremos hoje os 27 anos de aposentado. Ninguém consegue só colher flores e alegrias nesta vida, ainda mais quando ela vai se tornando longa. Assim sendo eu tratei, após longo sofrimento, de dar a volta por cima e continuar a viver, ajudando outros a viver também. Assim estou fazendo.


    Francisco Simões. (Fevereiro/2013)