Crônica
fm.simoes@terra.com.br
  • Poemas
  • Crônicas
  • Biografia
  • Fotos
  • Prêmios
  • Produção e Administração

     

    RÉVEILLON DE UMA SEMANA


    Cabo Frio sempre teve um réveillon dos melhores, no passado. Ultimamente vinha sendo um pouco mais fraco. Agora ocorreu o retorno do Prefeito Alair Corrêa, a quem cito sem querer fazer propaganda nem bajulá-lo. Ele sempre nos proporcionou, quando administrou antes esta cidade, bons espetáculos, alguns inesquecíveis, e na praia, ao ar livre e de graça.

    Este ano nós não estivemos lá, mas acompanhamos depois pela TV o que está sendo chamado de um “Réveillon de uma semana”. A cada noite um bom espetáculo diferente sempre antecedido de um lindo show de fogos de artifício.

    Neste domingo foi a última noite e o nosso Prefeito soube escolher com bom gosto, sensibilidade, o conteúdo do derradeiro espetáculo. Tivemos no palco armado na praia a presença maravilhosa da Grande Orquestra Filarmônica do Rio de Janeiro.

    Havia uma platéia imensa espalhada não só pela praia como no espaço por trás dela. Gente de todas as idades. A noite estava perfeita para aquele evento. O tempo fresco com uma brisa meio forte soprando sem parar do mar para terra.

    Antes houve o show de fogos coloridos e muito variados que durou cerca de dez minutos. As centenas de pessoas presentes exultavam. Pelo que vimos na televisão, a qualidade era a mesma das noites anteriores. Aplausos merecidos.

    A seguir aos fogos a Orquestra iniciou sua apresentação com alguns números de música clássica. O povo vibrava e aplaudia sempre ao final de cada peça musical. O povo gosta do que é bom basta que se leve a ele o que infelizmente nem sempre ocorre neste país. A nossa mídia, de uma maneira geral, é a grande responsável por tentar impor músicas da pior qualidade.

    O apresentador do espetáculo, após os números clássicos executados pela Orquestra Filarmônica do Rio de Janeiro, anunciou que eles iriam tocar a seguir grandes clássicos da música americana. Fiquei feliz por poder ouvir novamente peças maravilhosas, especialmente do saudoso Glenn Miller começando por “In The Mood”.

    Neste momento entrou no palco o grande convidado da noite, o fabuloso dançarino Carlinhos de Jesus acompanhado de sua partner. Percebi que ele não estava solto, à vontade, pois vestia um traje a rigor e dançava ritmos que, digamos, não eram propriamente “a sua praia”. Mesmo assim se exibiu muito bem e foi muito aplaudido. Eu esperava que depois a grande Orquestra tocasse samba.

    Não deu outra, em seguida o apresentador anunciou que os músicos iriam mudar o ritmo para sambas da bossa nova. A batuta do Maestro subiu e quando desceu foi um novo delírio por parte da imensa platéia.

    Logo que se ouviram os primeiros acordes surgiu novamente Carlinhos de Jesus, desta feita vestido como ele mais gosta. Parecia o bom malandro de antigamente e na cabeça aquele chapéu panamá de que tanto gosto.

    Deslizando suavemente e sempre sorrindo ele passou a exibir todo o seu talento de dançarino, o melhor do Brasil, com certeza. Carlinhos de Jesus se sentia à vontade diante de uma grande platéia empolgada e vibrante. Ele ia de um lado ao outro do palco enquanto os músicos variavam as músicas executadas.

    Uma oportunidade rara para toda aquela gente de ver bem de perto, ao vivo, no ambiente da praia de Cabo Frio, numa noite deliciosa, o professor, o Mestre da dança que tem seu valor reconhecido até no exterior. Logo depois a jovem morena, sua partner, retornou ao palco e eles se exibiram novamente juntos.

    Ao final o apresentador juntou o Maestro, o Carlinhos de Jesus, sua partner, o novo Secretário de Cultura desta cidade e uma senhora, organizadora de eventos da Prefeitura, pedindo aplausos para todos eles. A seguir o dançarino pediu o microfone e fez um agradecimento, primeiro ao povo de Cabo Frio, a seguir ao Maestro, aos músicos e aos demais membros que estavam no palco com ele.

    De repente apontou numa direção e dirigiu palavras ao Prefeito Alair Corrêa, recém eleito em primeiro turno, enaltecendo o seu permanente apoio à cultura desde outros tempos quando ele já o conhecera. Fez justiça ao nosso governante, podem crer.

    Logo a Orquestra voltou a tocar um samba enquanto, surpreendendo a todos, o Carlinhos de Jesus desceu do palco para as areias da praia e foi se dirigindo, meio dançando meio caminhando, em direção a toda aquela gente que estava ali há horas prestigiando o grande espetáculo.

    Foi emocionante vê-lo abraçar pessoas, deixar-se fotografar com admiradores, sempre sorrindo, elegante, simpático e sumindo naquele “mar” de fãs cada um querendo apenas um pouco de sua atenção, uma palavra amiga, um registro de seu sorriso característico. Incansável ele foi até o final e voltou lentamente cumprimentando as pessoas e... sorrindo sempre.

    Quando Carlinhos de Jesus retornava ao palco encerrou-se o espetáculo. Ficou em todos nós, mesmo assistindo a tudo aquilo pela televisão dois dias depois, um gostinho de “quero mais”.


    Francisco Simões. (Janeiro/2013)