Crônica
fm.simoes@terra.com.br
  • Poemas
  • Crônicas
  • Biografia
  • Fotos
  • Prêmios
  • Produção e Administração

     

    E NINGUÉM SE AFOGOU NA CACHOEIRA


    Enfim saiu o Relatório... esperem aí, eu disse Relatório (?!) da CPI (eu disse CPI?!) do Cachoeira. Duas páginas resumiram toda a sem-vergonhice de governistas e oposicionistas que unidos livraram a cara de todo mundo.

    Tenho escrito, quando me apetece, que neste país, atualmente, com todas as críticas que mereçam muitos dos que estiveram e alguns que ainda estão no Governo, sobrevivendo à sombra do poder, eles não estão sozinhos em várias de suas atitudes condenáveis.

    Alguns quando escrevem só conseguem ver um lado, só fazem crítica para um lado, enxergando (por mera conveniência) bem menos com dois olhos do que Camões com um só. Afinal não interessa condenar aqueles que julgam ser “oposição séria” e poderem amanhã fazer o poder mudar de mãos. Pobres juízes que não ouvem a sua consciência, mas os seus interesse de mudança.

    Sim, mas eu pergunto: mudança pra quê, pra onde? Confessei algumas vezes que no passado eu votei no PT, sim, e muitos que hoje posam de críticos também o fizeram que eu sei e nada tenho contra, só gostaria que ao escreverem, agora, usassem os dois olhos, não como zarolhos, mas olhando firme na direção de corruptos e corruptores que atualmente estão por toda parte, pior que cupim.

    No escândalo conhecido como “Cachoeira” se havia petistas envolvidos, e como havia, igualmente havia muitos dos que hoje se dizem de oposição. O que parece estava mais atolado seria o Governador de Goiás, do PSDB, enquanto do outro lado o Governador do Distrito Federal, do PT, também estava mesmo encalacrado.

    Mas esses são apenas dois nomes, porém pelo que tenho lido em vários cronistas sérios há muitos outros nomes, de ambos os lados, que estariam envolvidos naquele escândalo. Por isso que a falsa oposição pressionava o relator daquele processo para encerrar logo tudo e soltar o seu relatório. Enfim conseguiram o seu objetivo.

    Como diz um ditado bem antigo, “entre mortos e feridos se salvaram todos”. Pouca vergonha, safadeza em alta escala, corruptos e corruptores de mãos dadas mais uma vez venceram. Quando o assunto fica a nível dos políticos, e somente a eles cabe a decisão, dá sempre nisso: corporativismo.

    Pois é, amigos e amigas, a tal CPI do Cachoeira já era. Agora certamente situação e “oposição” abrirão suas garrafas de champanhe numa comemoração que nos envergonha, nos decepciona, nos irrita, não nos deixa qualquer esperança para que em futuro próximo possamos ter mudanças como seria desejável. Podem recolher suas “armas”, seus anseios de um país melhor politicamente falando.

    Dizem que contra a força não há resistência, e neste caso para qualquer lado que nos viremos, vamos comprovar sempre que governo e oposição parece que programam sempre um joguinho entre amigos e nós somos os otários torcedores.

    No momento, na minha visão, somente podemos confiar em decisões que venham do STF, mesmo assim muita atenção, muita cautela, pois lá não parece haver apenas togas acima de qualquer suspeita, certo? Ou estou errado?

    Me prostro ainda mais quando vejo o Congresso desafiar uma decisão do STF querendo criar uma crise institucional no caso da cassação, já decidida no Supremo, de alguns deputados que foram condenados no caso do Mensalão. E mesmo neste absurdo a oposição olha meio de soslaio, sem dizer sim nem não, porque sabe que amanhã ela é que pode estar no banco dos réus como têm estado agora os petistas.

    Mas alguns críticos fazem que não percebem nada disso. Uma espécie daquele mandatário que sempre disse, e continua a dizer, que nada viu, nada ouviu, de nada sabe e se alguém pisou na bola e era dos seu time, com certeza “o traiu”.

    E o poderoso, Ilustre, Excelência, mas quase mumificado Presidente do Senado, lidera outro movimento que vai contra a decisão de vetos da Presidente da República que o partido dele apóia. Durma-se com uma bandalheira dessas.

    Para encerrar, voltemos ao “relatório” de apenas duas páginas que inocentou todos que deveriam ser julgados. Afinal ninguém se afogou na cachoeira... E ainda nos obrigam a votar.


    Francisco Simões. (19/Dezembro/2012)