Crônica
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    OUTLOOK E SUAS ARMADILHAS


    O Outlook Express é um tradicional programa de mensagens, recebimentos e envios. Todos devem conhecê-lo. Até hoje continuo a fazer uso dele porque me sinto mais ágil e mais confortável trabalhando com seu sistema.

    Alguns perguntarão por que eu falo em “armadilhas” no título, pois vou explicar-lhes e, por favor, leiam com toda atenção, isto é sério e verdadeiro. Há poucos dias recebi uma mensagem que vinha com o nome e o e-mail correto de uma boa amiga recente, professora, poeta, gente muito fina, incapaz de repassar aquilo: “uma corrente para ganhar dinheiro”. O fato é que não só usaram dados dela como copiaram a letra que ela usa um tipo raro que não vejo outros se valerem dele.

    Escrevi a ela e perguntei se teria me enviado, mesmo sabendo que deveria ser uma “armação” da marginália virtual. Outras vezes que procurei confirmar um envio duvidoso com amigos alguns se zangaram comigo e eu não entendo este tipo de atitude. Mas a amiga logo me respondeu, assustada, dizendo que jamais escrevera aquilo e, portanto não mandara a ninguém. O computador dela estava limpo.

    Contou-me inclusive que há alguns meses haviam anunciado o falecimento dela na internet e colocaram ao final da tal mensagem, como autora do referido “anúncio”, o nome de uma de suas filhas que morrera há muitos anos ainda jovem. Maldade em cima de maldade, cometidas impunemente nesta web.

    Este tipo de crime virtual tem ocorrido vez ou outra e recebo sempre com os nomes e e-mails corretos de pessoas, algumas vezes conhecidas. Recebo convites para me juntar a grupos de Facebook, ambiente que não freqüento, e essas mensagens costumam vir de quando em vez em nome de pessoas que conheço trazendo até suas fotos. Tudo impunemente. Meu computador está limpo sem pegar vírus há mais de oito anos. A experiência me ensinou muito.

    Esses fatos me dão o direito de imaginar que alguns dos meus amigos e amigas podem eventualmente receber também algo semelhante em cujas mensagens a marginália virtual use o meu nome ou meu e-mail. Hoje isto acontece mesmo sem ter vírus em seu computador. Previno a todos que jamais enviarei algo assim e muito menos mensagens levando “correntes”, sejam de que tipo elas forem.

    Voltando ao Outlook vou lhes contar algo realmente estranho que pode ocorrer com qualquer um de nós, embora possa ser um fato raro, mas não desprezível. Um amigo conheceu uma pessoa fora da internet. Ficaram amigos. De repente passaram a dialogar pelo Outlook como é tão comum acontecer, especialmente para quem não freqüenta espaços como MSN e afins.

    Conversa vai, conversa vem, eles falavam de tudo e comentavam sobre o dia a dia de ambos eventualmente. Trocavam informações, comentavam fofocas, falavam sobre episódios ocorridos entre seus pares, desentendimentos, queixas, coisas que acabam virando assunto em mensagens costumeiras entre amigos.

    Sabemos que quem conversa pelo Outlook mantém um ritmo bem diferente daquele de quem o faz pelos ambientes chamados de relacionamento, tais como MSN, FACEBOOK, etc, os que eu jamais freqüento. No Outlook se escreve algo e a resposta pode vir no mesmo dia ou uma semana depois ou em muito mais tempo. Depende de o interlocutor estar em condições de responder logo ou não.

    Pela amizade que se criou entre ambos era natural o tratamento não só respeitoso como carinhoso. Isso é normal com pessoas do sexo oposto que são amigas nas quais confiamos. No meu caso essas amizades variam de pessoas de uns 20 anos até senhoras de cerca de 90. Amizade não tem idade e confiança não admite perfídia. Como diz o dicionário sobre amizade: “Sentimento fiel de afeição, simpatia, estima ou ternura entre pessoas que geralmente não são ligadas por laços de família ou por atração sexual.” Entenderam bem? Pois há quem não entenda.

    Sabemos que mandar beijos, beijinhos ou beijocas é comum sem haver nenhum desrespeito nisso. Conforme o assunto o permita é normal também usarem outras expressões de carinho, especialmente se do outro lado está alguém que se mostra nervoso/a por algo que lhe aconteceu, precisa de uma palavra de ajuda ou se mostra muito carente.

    Há quem me trate por Chiquitito, (a jornalista e amiga Marli, de S. Paulo, por exemplo) ou então de “Simona” (um amigo bem da antiga) do que eu gosto, acho engraçado e sinto ser uma forma carinhosa de relacionamento e até engraçada. Apenas isso. Algumas pessoas abrem mensagens com a expressão “querido amigo/a”. E daí? Só mentes doentias podem ver maldade nisso, sinceramente.

    Com meu amigo ocorreu que embora ele agisse como uma pessoa normal, ou seja, escrevia, vinha a resposta e logo apagava as mensagens, do outro lado, conforme ele me contou, certamente já com segundas ou terceiras intenções, a pessoa salvava algumas mensagens que lhe interessavam, mas nada dizia a ele. Certamente não salvou aquelas que poderiam ser “comprometedoras” para consigo. A outra pessoa sempre o lembrava: “não esquece de apagar nossas mensagens, você apaga, não?”!! Mas, a recíproca não era verdadeira, a traição se antecipava. Por quê?

    Ele me garantiu nunca ter imaginado estar a lidar com alguém tão mal intencionado que lhe preparava armadilhas a cada mensagem trocada, já que isso jamais lhe acontecera. Parece ficção, mas foi real. Afinal ele considerava que mantinham uma boa amizade, apenas isso. Nunca pretendeu nada, além disso.

    Só uma mente doentia ou criminosa age daquela forma. Até porque todos nós sabemos que qualquer um pode alterar, parcial ou totalmente, o conteúdo de qualquer mensagem, depois mantém o encaminhamento recebido, imprime e parece o texto autêntico. Não precisa ser muito inteligente, mas tem que ter uma mente capaz de executar crime de lesa-razão, considerando toda a premeditação.

    Um dia ele decidiu dar-lhe uma ajuda para solucionar determinado assunto que era importante para a outra pessoa. Um episódio que, embora ele tivesse agido com a melhor das intenções, acabou levando-o a uma enrascada que explodiu num escândalo absurdo e desnecessário, mas aconteceu. Meu amigo se viu sozinho, acusado de todos os lados, sem direito à defesa, sendo massacrado por uma total incompreensão de pessoas que levaram o ocorrido para um sentido oposto ao do bom senso. A ira cegou a razão.

    Neste ínterim a outra pessoa, receando que daquele episódio houvesse respingos para cima de si, embora ele jamais a tivesse acusado de nada, maldosa e sorrateiramente passou a executar o plano que já vinha engendrando desde o começo do relacionamento na internet. Tudo vinha tramado de longe, com certeza.

    Ameaçou exibir mensagens do meu amigo, mas ele não lhe concedeu o crédito ou a reputação que pretendia visto tratar-se de uma armação ou cilada nas quais somente pessoas sem experiência das artimanhas tão próprias deste espaço virtual poderiam acreditar. Infelizmente houve quem cresse naquilo. Ele sofreu muito e ainda tem marcas do ocorrido, porém vai se recuperando.

    Quanto a vocês que me estão lendo, repito: não se trata de ficção, foi real, mesmo. Portanto, muita atenção quando chegar alguma nova amizade e que você logo inclua na sua lista de e-mails. Nesta internet “sem rosto” há gente para tudo, se ganhamos novos e maravilhosos amigos, podemos também acolher, sem nem desconfiar, demônios disfarçados de anjos. Protejam-se bem.


    Francisco Simões. (Novembro/2012)