Crônica
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    ESTARIAM EMBURRECENDO?


    Eu pretendia hoje dizer algo sobre o aniversário de nossa Cidade de Cabo Frio que nesta data, 13/11/2012, completa 397 anos. Aproveito e cumprimento a todos os cidadãos cabofrienses aqui nascidos ou que o são de coração, como eu. Depois comento sobre nossa ainda linda cidade, apesar da ação dos homens.

    Bem, permito-me comentar sobre uma notícia, ou mais uma, que ouvi hoje e que no fundo pode se creditar a tudo que de criticável tem acontecido desde que alguns nos impuseram a baboseira do “politicamente correto”. Tem a ver sim. Vejam o que eu li: “A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC), de São Paulo, encaminhou o pedido à Justiça Federal para a retirada da expressão “Deus seja louvado” das cédulas de dinheiro.” Alegam que com a tal citação, colocada ali a partir de 1986, favorece a religião católica, e o nosso Estado é laico(?!)

    Antes de dizer o que penso disto faço questão de lembrar aqui o que foi dito hoje no programa “Liberdade de Expressão”, da rádio CBN, pelo jornalista Carlos Heitor Cony. É curioso pessoas, desta ou daquela religião se sentirem incomodadas com aquilo que está nas notas há quase 30 anos. Segundo ele quem primeiro teria usado a referida expressão em momento solene teria sido o nosso bravo Machado de Assis. A inserção da expressão nas notas se deu durante o governo de Sarney. Foi mantida depois no governo de FHC e seguintes.

    Visto que a expressão se refere a Deus quem mais poderia se incomodar seriam os ateus, no entanto estes jamais tomaram qualquer atitude o que a mim parece perfeitamente sensato. Lembrou ainda o Cony que nas notas de dólares até hoje, ou há séculos, permanecem símbolos maçons e isto não significa que a maioria da população americana freqüente a maçonaria, absolutamente. Jamais se ouviu dizer que algum grupo religioso por lá houvesse se revoltado contra aquilo.

    Cony recordou ainda que no hino inglês está escrito “God save de Queen” (Deus salve a Rainha). Vejam que os ingleses professam diversas religiões, inclusive a católica, para além da anglicana que, naquele País, considera a Rainha como sua mentora superior, digamos assim. Jamais alguém ou algum grupo se insurgiu contra aquela expressão ou deixou de cantar o hino por causa disto. E lá também existem ateus que igualmente nunca se insurgiram contra o hino.

    Vou mergulhar no passado e dizer que estudei sete anos no Colégio Nazaré, de Irmãos Maristas, católicos, usavam batinas, mas não eram padres. Nós tínhamos aulas de catecismo e éramos obrigados a assistir à missa todos os domingos, sob pena de perder ponto naquela disciplina. Em Belém existia, e ainda deve existir, o Colégio do Carmo, este sim dirigido por padres e tendo seus professores padres.

    Havia ainda o Colégio Bittencourt, só para meninas, dirigido por freiras que também ensinavam. Acredito que ele ainda exista em Belém. O nosso país, pelo que eu saiba, sempre foi considerado laico, embora a religião católica, naquela época, fosse a que abrigava a grande maioria da população brasileira. Claro que havia os protestantes representando diversas religiões já conhecidas, sem o mesmo alarido de hoje, como evangélicas. Existiam também os espíritas e outros, além dos ateus, claro.

    O Brasil se tornou oficialmente um Estado Laico a partir do ano de 1924, segundo alguns, ou desde 1890, conforme outros (eu nasci em 1936). Como devem saber Estado Laico é o Estado separado da religião, qualquer delas. Claro que isto nunca foi aplicado tão à risca como se possa supor. Porém de uns poucos tempos para cá é que vem surgindo este “levante” de pessoas crentes (sejam elas de que religião forem) tentando impor sua crença, o que o Papa João Paulo II procurou evitar.

    Lembram que aquele Papa promoveu reunião com as lideranças de todas as religiões existentes no planeta. Foi uma atitude inédita que jamais havia sido tomada no Vaticano por algum de seus líderes maiores. Ele pretendeu que todos se entendessem, se respeitassem, pois afinal todos acreditam no mesmo Deus. O Papa manteve essa atitude durante todo o seu papado.

    Hoje em dia, entretanto, com o advento de muitas igrejas, muitas mesmo, percebo que a religião católica vem perdendo terreno, se posso dizer assim, diante das pessoas crentes, ou fiéis. Mas o que isto teria a ver com o fato da tal exigência para que seja retirada a expressão “Deus seja louvado” das notas em papel, no Brasil? Por que isto ocorre agora, somente agora? Afinal não foram os ateus que o pediram, e pelo que sabemos todas as religiões crêem em Deus, por que isto então?

    Por que um grupo de pessoas que crê em Deus se julga no direito de achar que a expressão, colocada nas notas de dinheiro, favorece a religião católica? Desculpem minha santa ignorância, mas eu somente entenderia isto se partisse de pessoas como os ateus, pois eles negam a Deus. Todavia estes têm mantido uma atitude serena, digna, e jamais os vi pregando sua “não crença” mesmo nas mais variadas manifestações que hoje ocorrem.

    Contrastando com isto o que eu vejo é algumas pessoas, que crendo em Deus não serem mais tolerantes, compreensivas, e por nos julgarem sermos todos “filhos do mesmo Deus”, aceitarem as chamadas minorias como seres normais apenas com escolha diferente da que outros fazem na vida. Infelizmente não é bem isto que tenho visto e ouvido de alguns praticantes de variadas religiões, aí incluída a católica. Lamento, mas digo a verdade, porém não pretendo polemizar.

    Encerrando volto ao que ouvi hoje no “Liberdade de Expressão”, dito por Carlos Heitor Cony, e assim resumo minha opinião, respeitando minha modesta inteligência, para afirmar que julgo essa “briga” uma bobagem, ou mais uma, no rastro, repito, do tal “politicamente correto ou incorreto”. Será que não encontram nada mais sério e urgente para bradarmos juntos e tentarmos praticar uma justiça social neste país, tão apregoada e sempre deixada de lado?

    Francisco Simões (Católico por formação familiar, mas com incursões em outras experiências que hoje me fazem crer em um Deus, sim, existente na Natureza, da qual nós fazemos parte, presente também em cada um de nós. Igualmente acredito na vida após a morte. Respeito todas as crenças e a posição dos ateus. Estou hoje no terceiro casamento.)
    Em 13.11.2012.

    (Cidadão Cabofriense desde Novembro/2000)
    Escritor, Poeta, ex radialista, expositor de Arte Fotográfica, ex cineasta, Professor, e aposentado do BB.
    www.francisco-simoes.com --- www.riototal.com.br --- www.sinal.org.br
    http://www.vaniadiniz.pro.br/espaco_ecos/colunas/coluna_francisco_simoes/cronicas.htm
    -- Membro Efetivo da AVSPE (Academia Virtual Sala de Poetas e Escritores)


    Francisco Simões. (Novembro / 2012)