Crônica
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    “QUEM SABE FAZ A HORA...”


    Claro que eu vou falar sobre eleição, sobre política. Devido a fatos ocorridos em eleições passadas, quero dizer a todos e todas, amigos e amigas, que da minha parte respeito opiniões contrárias às minhas, as posições que sejam conflitantes com as minhas, e não pretendo polemizar com ninguém.

    Peço apenas que a recíproca seja verdadeira. Jamais fugirei ao sagrado direito de usar a liberdade de expressão que todos temos especialmente quando estamos escrevendo, digamos assim, publicamente e divulgando o que pensamos. Nunca me escondi atrás de opiniões alheias, mas sempre defendi as minhas com ardor. Agora não vai ser diferente. Então vamos lá.

    Julgo que as pessoas devem sim usar o direito de votar, desde que tenham certeza de que este ou aquele candidato, independente de tantas promessas falsas, mentirosas, nunca cumpridas, mereçam realmente a sua confiança. Afinal, votar apenas por votar, eu não entendo como exercer um direito de cidadania. Minha opinião é que agindo assim a pessoa passa longe de exercer cidadania, apenas bate no peito e pensa que fez o certo, mesmo votando errado.

    Ninguém pode se sentir “obrigado a votar”, o que a legislação brasileira, da qual discordo frontalmente, exige é que você compareça a sua seção eleitoral. O que você fará com o seu voto é algo totalmente pessoal, ninguém tem nada com isso e você deve explicações somente à sua consciência, não a de terceiros.

    Como quem me lê geralmente é pessoa bem esclarecida, claro que vocês sabem que o Brasil é um dos raros países que ainda insistem em manter esta “exigência” de votar, mesmo no terceiro mundo. Em todo o chamado primeiro mundo, até nos EUA, é comum haver abstenções elevadas inclusive nas eleições presidenciais. Por outro lado já vi altos índices de votos nulos para manifestarem seu repúdio aos candidatos apresentados. Certa vez divulguei um exemplo acontecido na Europa.

    Esta é uma forma inteligente e consciente, politicamente falando, de se rejeitar situações como a que vivemos hoje, por exemplo, no Brasil. O mar de corrupção, em todos os níveis da sociedade, que ameaça afogar a honra, a ética, a dignidade, só poderá ter um freio se a reação partir do próprio povo, de nossa gente e a eleição é a grande oportunidade. Ainda há tempo e esperança.

    Mas aí alguém me diz que “votar certo” é tentar eleger os que estejam protegidos pela nova Lei da Ficha Limpa. Tudo bem, porém me permitam uma pergunta: sabemos mesmo, com total convicção, aqueles que hoje são “ficha limpa”, nos quais podemos confiar e votar, digamos, certo? Existe alguma relação de nomes comprovando isto? Sinceramente eu não acredito. Você é que vai decidir.

    Afinal posso dar apenas um exemplo, nada mais que um, para derrubar esta balela na qual eu queria tanto acreditar, mas não consigo. Como pode alguém com tantos processos nas costas, com tantas denúncias através dos anos referentes a cargos importantes por ele exercidos, ainda estar atuante na política brasileira e até se candidatar? O exemplo? Aí vai: o Sr. Paulo Maluf.

    Como pode a Interpol procurá-lo, querer prendê-lo, tendo tantas provas para fazê-lo, conforme já li em reportagens, a ponto de, segundo se sabe, ele sequer poder atualmente sair do Brasil e, no entanto, aqui, neste paraíso político, ele continuar a sorrir impunemente, dar entrevistas, e viver livre e solto como qualquer um de nós, cidadãos honestos e eleitores?

    Apoiar-se em candidato ficha limpa não basta, claro que não. Por acaso o Tiririca quando foi eleito tinha ficha suja? Não, pelo contrário, limpíssima, mas... Assim outros que são eleitos porque algumas pessoas acham que política é brincadeira, e manifestam sua indignação votando em candidatos totalmente despreparados, mas de ficha limpa. No passado, no Rio de Janeiro, até o rinoceronte, Cacareco e o macaco Tião “foram eleitos”. Quem é da antiga se lembra. Protesto mal executado.

    E o que vocês acham do tal Horário Eleitoral, que de gratuito não tem nada? Pois há quem defenda aquele programa afirmando que é “uma oportunidade para o eleitor escolher seus candidatos”. Ora bolas, em verdade é um desfile de bobagens que se repete em todo ano eleitoral. Candidatos a vereadores, por exemplo, não têm tempo para dizer quase nada. Se bem que o pouco que dizem e nada é a mesma coisa. Uma perda de tempo, um desfile vergonhoso de baboseiras.

    Outro dia ouvi pelo rádio um candidato da coligação do PMDB, do Prefeito do Rio, dizer apenas isso: “Ajudem os animais, votem...” aqui ele só falou o número dele, já que nem teve tempo para dizer o nome. Pior, não esclareceu se a referência era para com animais racionais ou irracionais. Também pouco importa. Estes “exemplos” vêm ocorrendo diariamente, três vezes ao dia, aos milhares. Quanta estupidez. Só aqui em Cabo Frio para 12 vagas há 327 candidatos, acreditam?

    Os que almejam chegar, ou permanecer na Prefeitura, nos cobrem de promessas, sempre as mesmas, preocupações (?!) com a Educação, a Saúde, etc. Durante quatro anos, os que querem ser reeleitos, pouco ou nada fizeram e agora dizem que farão mais. Acredite quem quiser. As coligações pelo Brasil afora provam que de há muito não há mais ideologia nem fidelidade partidárias. Uma zorra.

    Há pessoas nas quais eu votaria por conhecer-lhes o caráter, a dignidade, a honra, a honestidade, o preparo para cargos de alta relevância, todavia não pertencem a nenhum partido político. Os candidatos que nos são apresentados, ditos novos, com ficha limpa, já vêm indicados pelos atuais partidos e assim podem já vir viciados e uma simples ficha limpa nada nos garante sobre sua integridade após assumirem. Claro que eu me refiro à política vigente neste nosso país.

    A propósito de “ficha suja” há políticos ocupando cargos de alta relevância no momento, que até podem vir a ser reeleitos brevemente, contra os quais sacaram tantas denúncias na mídia, fotos, documentos, telefonemas gravados, porém de repente parece que lançaram tudo ao esquecimento. Por quê? Exemplo? No Rio.

    Hoje em dia está cada vez mais difícil de o cidadão honesto, consciente, querendo mesmo “votar certo”, cumprir o que a letra da música do Geraldo Vandré sugere: “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer...”


    Francisco Simões. (Setembro/2012)