Crônica
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    VAMOS JANTAR FORA?


    Você se reúne com pessoas amigas e decidem naquela noite ir jantar fora, para variar. É bom sair da rotina vez ou outra.

    O restaurante está bastante vazio, é um domingo à noite, o tempo está chuvoso, nada assustador, e sopra uma brisa fresca. Todo mundo alegre, ótimo.

    Você se dirige ao lugar do ambiente em que está acostumado a sentar. Mal puxa sua cadeira alguém logo sugere: “Vamos ali mais para dentro, ali onde está perto da televisão”.

    Você se levanta, pára, pensa e não acredita no que ouviu. Afinal estar perto de um grande aparelho de TV é tudo que você não queria naquele momento. Você queria mais era curtir a companhia das pessoas.

    Não teve jeito, todos se encaminharam logo para outra mesa e você teve que segui-los. Meio chateado, mas não querendo deixar que aquilo tirasse o sabor gostoso de estar ali na companhia de tanta gente querida.

    E todos sentaram justo à mesa bem em frente ao aparelho de TV. O volume estava um pouco alto e discretamente você chamou o garçom e sussurrou ao seu ouvido: “Olhe, baixe bem o volume desta televisão se não quiser perder um cliente.” Rápido o rapaz baixou bem o volume.

    Afinal como eu já disse era domingo à noite e a TV estava sintonizada justamente no Programa do Faustão. Você não suporta este apresentador há muitos anos, desde que ele saiu da TV Bandeirantes e se mandou para a Globo. Saudades do tempo do programa “Perdidos na Noite”. Era uma bagunça, mas organizada e sem os excessos da mania global que o Faustão teve que adotar.

    Em casa, junto com sua esposa, quando vê TV no domingo à noite você está acostumado a fugir da programação global. Ali não ia dar. Houve alguns minutos em que preferiu ficar calado enquanto outros comentavam isto e aquilo que viam na TV.

    Seu interesse era outro e a certa altura você acabou falando: “Gente, quando venho jantar fora como estamos fazendo hoje quero uma programação diferente do tipo conversar com amigos, ouvir e contar histórias, esquecer a TV, principalmente alguém como o Faustão de hoje em dia.”

    Felizmente a turma se mancou e ninguém levou a mal seu comentário. Chamaram o garçom e passaram a fazer seus pedidos. Enquanto esperavam os pratos enfim rolou o papo que tanto você queria. Comentários sobre o dia a dia de cada um, fofocas do trabalho, notícias sobre o curso que dois deles estão fazendo, etc.

    Agora sim o clima estava como você tanto desejava. Algumas histórias contadas acabaram virando piada e provocando risos, risos bem-vindos, pois que você não fora até ali para ver e ouvir as terríveis e desagradáveis “cacetadas” do Faustão, como alguém queria antes.

    Como o restaurante ficava em frente à praia uma gostosa brisa completava o ambiente. Havia chovido antes, mas desde que você se dirigiu de carro para o jantar com amigos e amigas S. Pedro deve ter entendido que era hora de desligar o chuveiro do céu.

    No final de tudo o garçom gostou muito, pois acabou ganhando uma “caixinha” extra, diga-se de passagem, muito bem merecida. Sei que você é mão aberta e sempre gratifica quem trabalha, mas nesse dia sua alegria impulsionou ainda mais a sua generosidade, digamos assim.

    Na saída todos se abraçaram e a felicidade acabou sendo geral. Todos são muito amigos e amigas e habituados a conviverem quase diariamente. Jantar fora é isso, conversar, pôr o papo em dia, fofocas caseiras, enfim tudo que a maldita TV não nos pode oferecer.


    Francisco Simões (Agosto / 2012)