Crônica
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    REALIDADE OU FICÇÃO?


    Vivemos hoje num cenário muito diferente do que eu sonhara encontrar há mais de sete décadas passadas, quando, sendo ainda criança, ouvia meus pais e avós dizerem que este era o país do futuro. Acho que todos ouviram isto também de seus familiares.

    Era o que eles imaginavam, ou seja, que o país mudasse para melhor impulsionado certamente por um progresso alavancado por dirigentes sérios, honestos, competentes. Como se equivocaram. Sonhar não custa nada, já diz o verso de certa música popular, e meus pais e avós acreditavam piamente no que diziam.

    O cenário que aí está, olhe você para onde olhar, procure onde procurar, com raríssimas e muito honrosas exceções, que deveriam ser a regra, deixaria o pobre do Diógenes enlouquecido. Decerto hoje ele gastaria todas as pilhas possíveis até conseguir encontrar, com sua lanterna, um homem honesto, digno, sério, confiável, enfim, um homem que não fosse corrupto, não só na política.

    Diógenes viveu na Grécia antiga, ele era um filósofo que depois acabou se transformando num mendigo que perambulava pelas ruas. Diógenes não se conformava e criticava sempre a sociedade romana em que vivia. Mas, será que hoje ainda encontraríamos algum “Diógenes” neste país com a mesma disposição de tentar encontrar alguém honesto, incorruptível, para votar nele? Duvido.

    Falamos, escrevemos, criticamos muito, porém a maioria acaba indo às urnas nas próximas eleições e votando novamente nas mesmas pessoas. Duvidam? Aguardem as próximas eleições e veremos. Estarei aqui para confirmar. Gostaria de estar completamente errado, todavia custo a crer nisso.

    Para enlouquecer ainda mais o nosso pobre Diógenes, se ele vivesse hoje, estão aí as tais Leis que protegem corruptos e criminosos diversos do colarinho branco. Afinal como pode alguém, apanhado em provas contundentes, milhares de telefonemas gravados, entre outras evidências obtidas pela polícia, refiro-me aqui ao senhor Cachoeira, ser favorecido, na hora do depoimento, com um tal “direito constitucional” de ficar calado?

    Outros envolvidos que deveriam depor na mesma CPMI já chegaram lá portando habeas corpus que lhes concedeu a Justiça para terem o mesmo “direito”. O Governador de Goiás que fora convocado para depor em Goiânia, de repente foi igualmente favorecido com um habeas corpus, da Justiça, claro, permitindo que o suspeito lá não comparecesse. Afinal de que lado está a Justiça? Inclusive e principalmente o STJ? E de que lado estão as Leis deste País? E quem defende os direitos da sociedade? E que país é este, meus amigos?

    Desculpem, devo ser muito néscio, ignorante, pois não consigo alcançar o alvo maior de leis elaboradas em nosso Congresso e muito menos em certas atitudes e decisões de nossa Justiça, mesmo a de mais alto nível, quando liberam facínoras, sempre do tipo conhecido como do “colarinho branco”, haja vista a relação imensa de exemplos que eles nos têm dado.

    Volto a perguntar e se alguém souber a resposta, por favor, me explique: que Leis são estas e que Justiça tem o direito de se preocupar tanto com pessoas socialmente bem posicionadas geralmente envolvidas em crimes diversos? Como respeitar, (o que deveria ser um dever) determinados e ilustres doutos Juízes que, sem se sentir culpados, concedem estes instrumentos até para corruptos que roubaram Banco e logicamente clientes, entre outros crimes?

    Há um determinado Juiz, réu confesso de certo crime de uma jovem que parece havia sido sua namorada, que está em liberdade até hoje, e já decorreram alguns anos do fato! Isto não é uma indecência? Que outro vocábulo os amigos usariam para classificar este acontecimento real?

    Como respeitar determinados Juízes que, sem nenhum pudor, concedem liberdade condicional, entre outras benesses, há pessoas que estão em fase de julgamento por algum delito sério que cometeram? Tantos têm sido esses exemplos. Infelizmente parece que eles nunca se preocupam com o cidadão comum, o menos favorecido da sorte que algumas vezes acaba incorrendo em falta ao roubar um saco de feijão, ou algo que apenas possa satisfazer sua fome por desemprego. Habeas Corpus a favorecer este tipo de gente, para quê? Para estes a lei é dura, mas é lei.

    Por outro lado, como vou continuar respeitando alguém, excelente advogado, que recentemente exerceu o cargo de Ministro da Justiça, tanto no Governo de Lula como alguns meses no atual, e que surge como ardente defensor do Sr. Cachoeira, envolvido, pelas provas exibidas fartamente pela Polícia Federal, em atos ilícitos, entre eles o de corrupção em larga escala? Pobre Diógenes se vivesse hoje.

    E, por favor, não me venham com esta lengalenga, ou ladainha, de que todos, repito todos têm direito a uma defesa. É mesmo? Que está na Constituição eu bem sei, mas me provem, por favor, que isto é uma realidade ou que nossa Justiça o aplica mesmo a todos os cidadãos, independente de sua posição social?

    Gente amiga, vou me calar por aqui visto que se eu continuar a dizer tudo que penso dessas leis, dessa corja que vai lá depor e fica em silêncio, um silêncio imoral protegido por estranho “direito constitucional”, e também o juízo que faço atualmente de parte de nossa Justiça, eu é que posso acabar sendo mal julgado.

    Caso alguém queira conhecer a história do personagem Diógenes, por mim citado acima, mando-lhes este link:
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Di%C3%B3genes_de_S%C3%ADnope

    Francisco Simões (Junho / 2012)