Crônica
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    O LUDÍBRIO ESCABROSO


    Gente amiga, em Outubro de 1998, portanto há quase 14 anos, eu voltara de mais uma estada na Europa e logo tomava conhecimento da situação político/econômica de nosso Brasil.

    Há época o governo por aqui era do PSDB, e o Presidente o Sr. Fernando Henrique Cardoso. Creio que ele caminhava para o segundo mandato e embora o Plano Real estivesse resolvendo problemas mais cruciais da nossa economia, parecia que o povo já não estava tão satisfeito nem esperançoso como quando lhe entregara o poder maior. Dou estas explicações por julgar serem necessárias.

    Reparem que se eu tivesse escrito estes mesmo versos agora, num segundo governo do PT, não faria nenhuma diferença no cenário que descrevo e nas acirradas criticas que faço. Pelo contrário, talvez até tivesse que externar, poetando mais revoltas, mais decepções, diante de um rosário de escândalos cada dia maior.

    Afinal continua sendo “tempo de corvos, da gralha que nos palácios se assoalha, em úberes mananciais de tetas sufragam a sugação do comum”..... e por aí afora. Em 1998 já havia balas perdidas, educação sem Escola, mãos estendidas, e muitas, um futuro sem ter a terra, etc. Mudam os governantes porém a situação do país costuma ir de mal a pior.

    Esperança é o que nos resta. Mas alguém me perguntará: esperança em quê? Pois é, poderia ser nas eleições que se aproximam, mas confesso minha total desesperança em que mudem nomes de forma tão significativa que se possa comemorar depois.

    E não vou culpando só o nosso povo, como alguns costumam fazer, eu afirmo mais uma vez o que tenho dito: faltam mesmo opções e as que nos apresentam para eleger já vêm viciadas, ainda que sendo nomes diferentes dos que aí estão.

    Este Tempo de Corvos vem de longe e ameaça ficar por aí sei lá por quanto tempo, até que o povo acorde, ou possa ter educação e informação, além de uma consciência política bem formada para entender que temos que mudar, e mudar radicalmente.

    Eu já estou no meu futuro faz muito tempo, espero que novos horizontes se desenhem e se realizem, mas sei que isto somente ocorrerá para outras gerações. E tomara que ocorra mesmo porque se enfrentamos uma forte ditadura, se conseguimos ter de volta a democracia, esta continua muito capenga e até, em certas atitudes governamentais, com resquícios do velho golpe militar do qual também participaram alguns líderes civis, na época, não esqueçamos disto.

    Por ora, amigos e amigas, eu os convido a ler ou reler meu poema de Outubro/1998, sempre atual, o “Tempo de Corvos”. Vejam antes alguns prêmios que ele logrou receber quando eu participava de certames de poesias:

    “7º CONCURSO NACIONAL DE POESIA DA AABB-LAGOA” (Rio) – O poema TEMPO DE CORVOS classificou-se em segundo lugar entre apenas 3 premiados. (Set/2000)
    “V CONCURSO NACIONAL DE POESIA FRANCISCO IGREJA” (APPERJ – Rio) – O poema
    TEMPO DE CORVOS foi selecionado para integrar a Antologia do Concurso. (Set/2000)
    “IV CONCURSO LITERÁRIO ALPAS XXI” (Cruz Alta-RS) – O poema É NATAL foi classificado em 3º lugar / Os poemas MEIA-NOITE, TEMPO DE CORVOS, A MANHÃ SEGUINTE e DERRADEIRA SOLIDÃO mereceram Destaque Especial – Os 5 poemas figuram na Coletânea Vínculos – 2001, em português e espanhol, editada pela ALPAS XXI. (Abril/2001)
    "II PRÊMIO NACIONAL DE POESIA E DESENHO Lília A. Pereira da Silva" – (Itapira SP) -- Pelo conjunto das poesias TEMPO DE CORVOS, SORRISO BRASILEIRO e O SAPO E O POETA, fui classificado em 1º lugar entre os 15 melhores poetas, num total de 603 poesias concorrentes. (Setembro/2001)

    TEMPO DE CORVOS


    Não, não é tempo de poetas
    É tempo de corvos, da gralha
    Que nos palácios se assoalha,
    Em úberes mananciais de tetas
    Sufragam a sugação do comum,
    Em verborréia se espalha
    Alvejando, desdourando,
    Exibindo em irônicos sorrisos
    O ludíbrio escabroso
    Da indiferença, do tenebroso.

    Não, não é tempo de poetas
    É mesmo tempo de corvos.
    Versífero, eu vejo meus versos,
    Dispersos, perseguirem algum sentido
    No injusto, no destrutivo,
    No lascivo, num universo
    Para poucos onde há muitos perdidos,
    Desorientados, estuprados,
    Com o rumo e a vida profanados
    E um abismo sem fundo nem reverso.

    Não, não é tempo de poetas,
    Pois, como falar de amor com a fome,
    De paz com a bala perdida,
    De fé com a mão estendida,
    De justiça com a força que esfola,
    De educação sem ter a Escola,
    De futuro sem ter a terra,
    De esperança sem ter o teto,
    De ordem e progresso sem o povo?
    É, são tristes tempos de corvos
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    Autor : FRANCISCO SIMÕES
    Em : Outubro / 1998
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    Francisco Simões. (Julho/2012)