Crônica
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    PROCURA-SE


    Como sabem este é um ano eleitoral e o povo, ainda que alguns não queiram, será obrigado a ir às urnas para eleger Governadores, Prefeitos e Vereadores. Eu e todos os povos do chamado Primeiro Mundo, entre outros, discordamos dessa obrigação à brasileira. Mesmo assim se nossa gente tivesse mais consciência e soubesse reagir a tudo de abuso que está se espalhando pelo país, zombando de nós, usaria o voto, porém como reação de protesto. Há várias formas de fazer isto.

    Convenhamos que no estágio atual da política brasileira, com tantos envolvimentos em escândalos de corrupção, os mais escabrosos, quando a lama já atinge políticos das mais variadas cores partidárias, muita gente já deve estar com a mão “queimada” por verem pessoas que juravam serem incorruptíveis de repente surgirem como denunciadas em um processo que, se for fundo, como esperamos que vá, deverá varrer muitos nomes antes insuspeitos. Está ficando difícil acreditar em quem quer que seja e não só na política.

    Não se pode desperdiçar esta chance de fazer uma faxina geral, embora o descrédito seja grande. Eu sempre disse que botar a culpa no povo afirmando que não sabemos votar é uma forma bem simplória e injusta de não querer reconhecer que o problema é de outra ordem. Muita gente posa de bom eleitor, se julga no direito de criticar os que acusam de votar mal, mas eu lhes pergunto: você votou certo, votou bem? Confesse para quem deu o seu voto na última eleição e eu lhe direi se votou certo ou errado.

    Vejam que esta “nova fase” de outro grande escândalo de corrupção na política brasileira começou justo com denúncias contra um senador que sempre foi inflexível na defesa da moral, dos bons costumes, posava de incorruptível e tornou-se acusador de vários colegas em processos onde a corrupção sempre estava na base de tudo. Ele era por todos insuspeito e pertence à chamada oposição (DEM).

    No continuar das apurações, telefonemas grampeados, conversas gravadas, documentos levantados, etc começaram a surgir nomes dos mais variados partidos. Aí criaram a tal CPMI. O “M” é de mista. Ou pelo menos deveria ser. Misturaram os partidos sim, mas vejam que a maioria dos integrantes é de partidos da base do Governo Federal. Alguém embaralhou muito mal essas “cartas”, ou pretendem um jogo de cartas marcadas. Será?

    Ao mesmo tempo em que há os que comemoram também a reabertura de outro processo relativo ao quase esquecido escândalo “mensalão” do PT, que, entretanto depois se soube ter começado mesmo em Minas, antes de Brasília, e não com o PT, mas com políticos parece que do PSDB, as articulações nos assustam, pois não estão apenas nos corredores do Congresso. Temo pela condução desses dois processos simultaneamente.

    Afinal, levantando este novo e imenso véu de corrupção, não só na política, mas também envolvendo pessoas da sociedade brasileira, percebe-se não haver “anjos” em lado algum. Agora estamos finalmente entendendo que situação e oposição muitas vezes vão se dando a mão e esquecendo “diferenças” quando está em jogo a sobrevivência de alguém desta ou daquela sigla partidária. O resto é balela.

    O termo da moda nesta situação atual é “blindar”. E não falo em automóveis, não, a tal “blindagem” agora tem o objetivo vergonhoso, sujo, hipócrita, mal intencionado, de tentar preservar políticos de destaque sejam eles de partidos que apóiam o Governo Federal, sejam de partidos da chamada oposição. Na hora do aperto não há diferença que não se transforme em semelhança.

    Como esta CPMI, se trabalhar a sério, deverá expor muitos nomes antes tidos como inatacáveis pelo lado da moral, já vemos alguns componentes daquela Comissão a dar entrevistas medindo com todo cuidado cada palavra que proferem e tratando de minimizar fatos já expostos na mídia em geral que alcançam até Governadores de diversos Estados da União.

    Quero acreditar que mesmo em ano eleitoral a tal CPMI vai trabalhar a sério, porém algo me diz que pode sair deste “forno” a maior de todas as pizzas já conhecidas anteriormente. Vamos dar tempo ao tempo.

    Voltando ao título deste texto eu faço questão de dirigir aos que defendem a inaceitável obrigação de votar que me indiquem, por favor, alguns nomes de pessoas realmente confiáveis, de moral inatacável, incorruptíveis, nas quais se possa votar tanto para Governador, como para Prefeito, ou para Vereador. Não tenho pressa, estarei curioso esperando as indicações.

    Minha curiosidade se baseia em que você deve lembrar que jamais poderemos escolher para votar alguém em quem nós confiamos, de preferência que não tenha o ranço da política que aí está, que seja realmente “limpo” de suspeitas de qualquer envolvimento anterior ou atual em casos de escândalos de qualquer ordem, ou que não tenha atitudes, em termos políticos, que não condizem com o que entendemos deva ser um democrata autêntico.

    Lanço assim o meu cartaz: “PROCURA-SE UM CANDIDATO” dentro dos parâmetros acima referidos. Só lembro aos amigos e amigas que algumas pessoas em quem até votaríamos não estão na política, assim não serão candidatos a nada. Pior: para ser candidato tem que estar inscrito em algum dos partidos já existentes e, portanto ter passado pelo crivo de sua cúpula. Não existe alternativa.

    Mais sério ainda: passar pelo crivo das cúpulas de qualquer partido significa, assim eu creio, rezar pela cartilha deles. Pergunto novamente: você confia em alguém que se apresente como candidato por este caminho, e sabendo que só existe este? Mais dramático: partidos políticos da atual realidade brasileira?

    E aí, amigos e amigas? Vocês vão cumprir sua “obrigação” de cidadão (eu não aceito isso) votando talvez no que julguem “menos pior”? Lamento, não há saída. Você vota, depois diz que os outros é que erraram ao votar, e se justifica sabendo que não tem razão. Espero pelo menos que depois acabe dando o braço a torcer e, com dignidade, sinta vergonha e chore. Ofereço-lhe meu ombro amigo.


    Francisco Simões. (maio/2012)