Crônica
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    NA SAUDADE ANTIGA


    Hoje trago para vocês um poema escrito em 1999. Eu comecei a escrevê-lo na praia. Ali foram nascendo os primeiros versos, as primeiras imagens, enquanto meus sentimentos flutuavam indecisos mergulhados em uma imensa saudade.

    Tudo fluía fácil enquanto eu misturava o real que estava ali à minha frente, a praia, o mar, o sol, com algumas trevas na alma. Alegria e tristeza se mesclavam, enquanto num momento de calma eu fazia uma pausa na dor.

    Era um embaralhar de lembranças, recordações, vida já vivida, vida a viver. Eu me sentia entre o amor e a amargura e entre a culpa e a tortura. Culpa que ficara na poeira do passado, mas que vez ou outra me torturava em recordações.

    Na época, minha então esposa ao ouvir os versos que eu repetia, para não esquecer de anotar depois, imaginou alguma aventura que eu vivera extra lar e me puniu com ciúme.

    Ela estava equivocada, ali o poeta apenas navegava em lembranças bem antigas que me reencontravam de repente na areia da praia, ao lado dela, com a mente viajando pelo passado distante.

    Era uma saudade antiga, bem antiga, ou cinzas de um tempo já vivido que ficou desenhado em minha memória. Um refúgio, um pensar, que eu carregava comigo para sempre.

    Assim lhes apresento meu poema “Cinzas do Tempo”. Gosto de construir poesia com versos curtos, embora nem sempre seja possível ou viável. Gosto do ritmo rápido da leitura de um poema assim escrito. É o caso desta poesia. Espero que também gostem. Leiam, por favor.

    Até o próximo mês.

    CINZAS DO TEMPO

    A maré, a vazante,
    O mar retirante
    Recua diante
    Da minha tristeza,
    Presa de lembranças,
    Represa de imagens,
    Personagens, história
    Que desenhei na memória
    Com as cinzas do tempo.
    Um dia de sol,
    Trevas na alma,
    Um momento, uma calma,
    A pausa na dor.
    Um alento, uma passagem,
    Entre o amor e a amargura,
    Entre a culpa e a tortura.
    A frescura, a brisa
    Me seduz, me abraça,
    Festeja, me envolve
    E assim me devolve a paz
    Que deseja ficar
    Mas, fraqueja e passa.
    Um dia de sol,
    A praia, a vida,
    Na contrapartida
    O escuro, o mergulho
    Na saudade antiga,
    Amiga, inimiga,
    Refúgio, pensar,
    Que agora me obriga
    A rever e chorar.
    .......................................................
    Autor: FRANCISCO SIMÕES
    Em: Setembro/1997