Crônica
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    VIDA LEVA EU


    Gente amiga, com este texto eu posso afirmar que estou retornando plenamente às divulgações nesta internet. Já estava me sentindo sufocado sem usar das palavras rotineiramente sem as quais a vida, para mim, se torna relativamente mais difícil. Espero que a vida não me apronte mais nenhuma por um longo tempo.

    O texto que resolvi reproduzir aqui, em verdade, é menos meu e mais de um bom amigo. Permitam-me então usar as palavras dele, talvez para fugirmos de um tom muito sério e desagradável a partir de que o assunto acabaria nos levando a isso. Aviso tratar-se de um grande gozador, porém gente da melhor qualidade.

    O comentário dele, dentro do tema, foi bem abrangente e embora alguns possam discordar de parte do que afirma, no todo, levando em conta o senso de humor desse amigo não há como criticá-lo. Se ele me fez rir, também me fez pensar numa realidade de que eu tenho consciência e que me decepciona vez ou outra.

    Vamos a ele: “Simões, está na Bíblia que Deus, ao criar Adão e Eva, para os que acreditam nesse fato, teria falado “crescei e multiplicai-vos”. Vê bem que ele não disse, por exemplo, “e vão trabalhar, vagabundos” não isso Ele não teria dito. Muito mais tarde o homem foi quem inventou o trabalho.”

    Até aí parece que ele, com seu habitual bom humor, poderia estar sendo desrespeitoso em sua gozação, mas no que lembrarei a seguir verão que o amigo estava mesmo inspirado e até filosofando sobre a vida, ainda que em uma filosofia barata, mas que mereceu meu respeito. Vou citar mais algumas passagens do que ele me disse numa total e despreocupada simplicidade.

    “O homem era um caçador porque não havia outra forma de sobrevivência. Igualmente, pelo que sei, ele foi formando famílias, e sempre tinha o cuidado de defender os seus contra estranhos. A partir daí o homem, criatura de Deus, mostrou-se logo guerreiro, ou seja, em defesa dos seus brigava e até matava semelhantes. Muito, mas muito antes de Hitler, Bush e Bin Laden, o homem já guerreava, procurava conquistas, ou tomava na marra o que era de outros.”

    “Essa etapa de vida dos seres ditos humanos parece que durou milhões de anos. E eles tinham ainda que lidar com os constantes, imensos e perigosos predadores do reino animal, irracional. Tudo pela sobrevivência.”

    Aqui vou dar um salto na narrativa dele para chegarmos ao ponto que nos leve à civilização como hoje conhecemos ou algo assim. Lembrem que, se ele falava sério, também usava um tom bem humorado e despreocupado de posar com qualquer cátedra. Eu o entendia perfeitamente. Sabia aonde queria chegar e então deixei que continuasse. No pano de fundo estava eu, o amigo, sim, eu no hoje, no agora, ou na vida que me leva. Saltemos na narrativa e vamos em frente.

    “Muito, mas muito tempo depois os homens além de formarem famílias acabaram se reunindo em povos e constituindo o que conhecemos como sociedade. Isto numa forma bem simplória de falar e contar o que teria sido a história da humanidade, certo? Aí, amigo, o homem já iniciara as disputas pessoais e coletivas, a luta entre povos, etc. Levado pela ambição nunca o homem, de uma maneira geral, se satisfez com o que tinha. Então criou as guerras.”

    “O homem torturava e matava o próprio homem, (o que hoje ainda é uma realidade) indignidades que os seres irracionais não costumam fazer com os de sua própria raça. O tal ser, criado por Deus, sempre teve muito atuante o seu lado mau. Até hoje isto acontece e a cada tempo em grau de perversidade mais intenso. Hoje o homem destrói tudo a sua volta, até a Natureza da qual ele depende e a qual pertence. A ambição costuma estar na raiz dessa avassaladora agressividade.”

    “Hoje, mesmo em família, alguns seres humanos (homens e mulheres), ditos racionais, promovem as maiores atrocidades. Os noticiários informam diariamente casos escabrosos, sem falar nos tantos escândalos, incluída aí a pedofilia. Hoje se sabe que até religiosos, sejam padres, bispos, pastores e outros têm participado de orgias semelhantes. Só não vêem os cegos que não querem acreditar no que está mais do que evidente e comprovado.”

    Percebi aqui que o amigo avançara muito em sua narrativa, porém não mentia, absolutamente. E ele é católico, não ateu, como alguns podem já estar a pensar. Mas, vamos deixar que ele continue com a palavra.

    “Hoje, se podemos afirmar que existem muitos seres humanos bons, já não se pode dizer que os maus, assassinos cruéis, frios, viciados, corruptos e outros sejam apenas exceção. Não, já não são mais. Infelizmente é verdade, especialmente nesta Terra de Santa Cruz, hoje Brasil. Confesso não ter grandes esperanças que a humanidade vá se livrar do poder destrutivo do homem, criado por Deus.”

    “E assim, nós, eu, tu e tantos seres viventes, estamos incluídos nesta realidade, meu amigo, e entende que família, por mais unida que seja, sempre tem seus desvios, seus desencontros, suas decepções, suas eventuais tragédias, faz parte do mundo atual. Tu sabes disso, já casaste por três vezes e decepção foi algo que não te faltou antes em tua longa vida, certo? Enfrentaste algumas barras bem pesadas, mas saíste sempre de cabeça erguida. Conheço tua história de vida.”

    “Desculpa o meu “discurso”, mas me permite ainda te lembrar que, quanto mais nos envolvemos em determinadas situações, atendendo ao coração, podemos acabar nos desgastando mais e mais. Outro amigo um dia me disse que nem sempre as soluções de certos problemas, mesmo em família, passam por nós, ou estão em nós. É o que eu queria concluir com toda esta xaropada. Me perdoa.”

    O fato é que ele foi simplório na narrativa, mas verdadeiro nas afirmações. Aceito os conselhos finais e reconheço que ele está certo. A mim só resta agradecer ao nosso Zeca Pagodinho as palavras que deram título a esta minha crônica: VIDA LEVA EU... e vai me levando mesmo que já estou ficando fora do meu tempo.


    Francisco Simões. (Março/2012)