Crônica
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    MEU POEMA “ANJOS CAÍDOS”


    Em Agosto/1999 eu escrevi o poema “Anjos Caídos”. Sempre tive uma visão muito crítica sobre os problemas políticos e também sobre os sociais. É fácil deduzir isto não somente em poesias que escrevi como em vários textos em prosa.

    Começo meu poema com estes versos procurando definir o quadro que retrato no correr da poesia que contém 44 versos:

    “Quantos segredos escondidos,
    Desmedidos, enigmáticos,
    Silenciosos, dogmáticos,
    Entre o céu e este planeta,
    Mistérios à razão proibidos.
    Há tantos anjos caídos,
    Nas ruas, nas praças, sarjetas,
    Sombras que a luz rejeitou,
    Sonhos que a sorte negou,
    Pesadelos acordados,...”

    De tanto ver crianças abandonadas pelas nossas ruas, algumas andando a esmo, sem destino, outras exploradas por adultos em atitudes desumanas, porém impunes, eu me revoltava (e me revolto ainda) e procurava extravasar meus sentimentos em versos e textos em prosa. Escrevi vários.

    Por outro lado uma das coisas que mais me revoltava (e revolta ainda) era perceber que muitas das pessoas que passavam pelas ruas evitavam olhar aquelas cenas. Alguns daqueles que tanto se dizem cristãos parecem não se comover com a miséria exposta em nossas calçadas.

    Com o visível crescimento da violência muita gente justifica hoje em dia sua atitude de indiferença para com esses pequenos seres abandonados à sua má sorte receando serem assaltados. Esquecem que, via de regra, a violência tem se originado muito mais de pessoas adultas e, em muitos casos, de gente da classe média. Claro que há menores envolvidos também, mas não os que eu chamo de “anjos caídos”.

    Hoje impera muito, para atitudes de violência, o incontrolável uso de drogas nesta sociedade cada dia mais doente, apresentando exemplos os mais indignos quando pessoas se atacam, se ferem, se matam mesmo no seio familiar. Os piores exemplos vêm de cima, não há duvida, mas a população hoje parece não mais preferir dialogar em qualquer circunstância, então partem logo para a agressão.

    Voltando ao tema do meu poema confesso que me assusta o crescimento dessa população de menores abandonados enquanto nossos governantes estão mais preocupados em fazer demagogia, em discutir “crescimento” que nunca alcança quem mais precisa ter uma vida mais digna. O resto é história da carochinha.

    Por favor, leiam na íntegra o meu poema “Anjos Caídos”. Até o próximo mês.



    ANJOS CAÍDOS

    Quantos segredos escondidos,
    Desmedidos, enigmáticos,
    Silenciosos, dogmáticos,
    Entre o céu e este planeta,
    Mistérios à razão proibidos.
    Há tantos anjos caídos,
    Nas ruas, nas praças, sarjetas,
    Sombras que a luz rejeitou,
    Sonhos que a sorte negou,
    Pesadelos acordados,
    Nos campos e nos cerrados,
    Desvalidos, descarnados,
    Botões de vida se abrindo
    Sem um jardim pra crescer,
    Lamento pelo olhar fugindo,
    Sentindo a mágoa doer.
    Sopro, essência, viver,
    Anjos sem asas, sem céu,
    Tão sós em cenário tão cruel.

    Infância, carência, espera,
    A paz emboscada no inferno,
    Anjos-moleques, almas-meninas,
    Sem berço e tristes sinas,
    Sem pecado e penitentes,
    Sem os benefícios da graça
    E a mercê de perversa farsa,
    Tendo a inocência despida
    Numa vida nada indulgente.Pobreza, a fome repartida,
    Refém na cruz do seu destino,
    Amor, refúgio pequenino
    Da dor que açoita e não descansa.
    Anjos vestidos de criança
    Sem pular amarelinha,
    São doces ervas daninhas No infortúnio plantadas,
    Com raízes nas calçadas
    Mas brotando por todo canto.
    Pétalas da flor despojadas,
    Rostos de Deus no desencanto.
    Sem força para dizer sim,
    Sem direito a dizer não,
    Começo tão perto do fim,
    Um pouco do céu no chão.
    ......................................................
    Autor : Francisco Simões. (Agosto/1999)


    Francisco Simões. (Abril/2012)