Crônica
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    UM POEMA SOB ENCOMENDA


    No começo do ano de 2001 eu recebia novo convite para participar de um Concurso promovido pelas Editoras Bianchi, de Montevidéo, Uruguai, e Editora Pilar, do Brasil, com o apoio do “Movimento Internacional aBrace”.

    O certame chamava-se “CONCURSO INTERNACIONAL DE POESIA ERÓTICA”. Anteriormente eu já me inscrevera em outro concurso realizado pelas mesmas editoras e conseguira um bom resultado com a poesia ALERTA. Não gosto de escrever nada “sob encomenda”, porém após pensar durante alguns dias acabei escrevendo este poema com mensagem voltada para os objetivos do referido Concurso. Só fiz isto umas três vezes que eu me lembre.

    Quando se pretende escrever um poema erótico tem-se que ter muito cuidado a fim de não resvalar para um sentido pornográfico como tanto já vi fazerem. Custei a chegar à idéia que, entretanto, quando me veio, explodiu em versos que jorravam com relativa facilidade de minha mente para o papel.

    Eu tinha então, em Janeiro/2001, 64 anos. Mergulhei nas minhas recordações da juventude, mas principalmente naquelas em que eu lembrava com muita força do quanto eu tinha de amor e desejo pela pessoa que era a razão do meu viver: minha segunda e saudosa esposa com a qual eu já vivia há cerca de 37 anos.

    Como um autêntico “paladino das andanças do coração” eu fui colocando no papel minhas reais e doces lembranças vividas sob intenso amor por quase quatro décadas. Juntei este Poema, “Lembranças do Poeta”, a outros dois que eu já escrevera, ou seja, “Meu Quando” e “Anseio” e me inscrevi no referido concurso.

    O resultado acabou sendo muito compensador. Consegui um honroso segundo lugar entre 3 poetas premiados, vencendo a milhares de concorrentes de diversos países. Perdi apenas para uma poetisa mexicana e fiquei na frente de outra, argentina. Admito que o poema aqui abordado funcionou como uma espécie de “carro-chefe” conduzindo o trio de poesias que me levou a uma premiação das que mais comemorei.

    Convido-os a ler meu poema acima referido. Até a próxima atualização quando deverei estar valorizando mais algum dos meus trabalhos em versos.

    Abraço do amigo
    Francisco Simões.

    LEMBRANÇAS DO POETA

    Recordas do vulcão
    Que em permanente erupção
    Jorrava suas lavas
    Aquecendo tuas entranhas
    Enquanto ardias, deliravas
    Numa fúria louca de amor
    Injetada em tua sanha
    E na manha de mulher-flor
    Que se abria e despetalava
    E se rendia em torpor?

    Recordas do alpinista
    Que tua epiderme escalava,
    Que ascendia e que descia
    Na sinuosidade do teu corpo
    E em teus pêlos se embrenhava,
    Se encontrava, se perdia,
    Deslizava em teus sulcos
    E inflamada escorrias
    Liquefazendo teu desejo
    Que um beijo consagrava?

    Recordas do leão
    Que te jazia no chão
    Em total dorsal decúbito
    E que irrompia súbito
    Teus caminhos mais secretos
    Entre os desertos de tuas nalgas
    E tu, domada e domadora,
    Sugavas-me até a última semente
    E ardentes sucumbíamos ao cansaço
    Estirados no mormaço do prazer?

    Hoje te resta este poeta,
    Um leão envelhecido, mas desperto,
    Um alpinista que por certo já se cansa
    Mas ainda alcança o prazer, teu absinto,
    Um vulcão adormecido, não extinto,
    Um homem apaixonado, enleado
    No viver e nas lembranças,
    Paladino das andanças do coração.
    ………………………………………………
    Autor: Francisco Simões
    Em: Janeiro/2001.
    ………………………………………………


    "CONCURSO INTERNACIONAL DE POESIA ERÓTICA" – Editoras Bianchi, de Montevidéo, e Pilar, do Brasil, com o apoio do Movimento Internacional "aBrace" -- Fui classificado em 2º lugar entre 3 premiados, com o conjunto de 3 poesias: LEMBRANÇAS DO POETA, MEU QUANDO e ANSEIO.