Crônica
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    APENAS UM RECADO


    É contigo que eu falo, contigo que me és cara, por quem nutro grande amizade, a quem devoto um sentimento que se não pode ser como eu gostaria que fosse, porém me conformo como o é. Não me conformo é contigo, sim, contigo.

    Afinal tantos e tantos que te estimam, que torciam pela tua felicidade, nem pensaram nas dificuldades que enfrentariam e foram ao teu encontro. Queriam certamente te apoiar, te ver feliz, participar de algo em tua vida que normalmente poderia ser único, pois é único, embora nem sempre o seja. Os humanos distorcem tudo, destroem tudo, depois se queixam da vida!

    O importante é que eles estiveram presentes. Vieram de longe, alguns de mais longe ainda, porém todos estavam presentes. Acreditaram no teu sorriso e até nas tuas lágrimas. Também se chora de alegria, de felicidade. Assim todos eles pensaram, e eu também.

    Quantas fotos, quantos abraços, beijinhos em profusão, enfim era uma festa para ninguém botar defeito. Cada momento foi igualmente registrado em filme, assim querias, assim foi feito. Tua vontade foi satisfeita sob todos os aspectos. Não me digas agora que nada pediste.

    Mais tarde viram novamente tua alegria, viram-te dançar e dividires aquela felicidade o tempo todo com quem estava ao teu lado. A vida afinal deve ser repartida, conjugada, solidária, já que era conjugal.

    Fizeste todos acreditarem em tudo, até eu acreditei, até eu confiei. Jamais poderíamos pensar que ali se representava talvez uma farsa, uma mentira injustificada que logo tiraria a máscara. Mas, por quê? Sim, por quê?

    Conseguiste de repente derrubar tudo que te ajudamos a construir, tudo em que nos empenhamos para atender aos teus desejos, a tua vontade, o que parecia a nós ser um sonho que enfim se concretizava. Um sonho de uma realidade que já vivias, a dois, há muitos anos. Então, por quê? Sim, por quê?

    Aí começaram tuas atitudes incompreensíveis, tuas fugas do real para um imaginário no qual julgavas ver o verdadeiro caminho para ser feliz. Feliz? Mas como? Como ser feliz esmagando a felicidade que até então tu passavas para todos nós ser a concretização do que mais querias em tua vida? Não entendi nada.

    Perdoa, mas zombaste de todos nós, especialmente de quem estava há muitos anos ao teu lado, de quem sempre te apoiou, cujas virtudes de quase duas décadas passaram a ser por ti, repentinamente, descritas como defeitos. Por quê?

    Demonstraste, e continuas a fazê-lo, um desrespeito para com toda aquela gente e pior, para comigo, e sabes para quem mais, para a pessoa mais importante em tua vida. Sabes a quem me refiro. É muito triste, triste demais, podes crer.

    O pranto dela é doído, é sofrido, é sincero. A decepção que tu lhe impuseste parece não ter cura, e se não tem, é porque insistes em atitudes que provam estares perdida sem reencontrar, ou sem querer reencontrar, o caminho anterior.

    E sabes que se ela sofre, eu sofro junto porque é assim que se ama, é assim que se vive em parceria sincera e leal, não na forma, a meu ver, ensandecida que assumiste agora. Por quê?

    Quando te perguntam, por que, respondes sempre com as mesmas palavras: quero ser feliz! O que tu entendes agora de felicidade se até a pouco para ti, ser feliz, desfrutar de ventura e satisfação, sempre foi viver ao lado dele, do companheiro que tu mesma havias escolhido há quase duas décadas? Com quem conviveste maritalmente por muitos anos? O que mudou em ti? Nós sabemos que ele te ama.

    Sinceramente, eu te vejo perdida num caminho que não te levará ao que tentas definir como felicidade. Eu lamento, nós todos lamentamos, só tu segues em frente nessa aventura meio irresponsável e meio tresloucada. Tens ouvidos moucos aos nossos apelos, aos nossos chamamentos.

    Tu estás deixando muito sofrimento no teu rastro, muita perplexidade, pisando nos sentimentos dos que sempre te amaram, e continuam te amando, e sempre te apoiaram. Infelizmente temos procurado entender para até, se for o caso, continuar a te apoiar, porém a cada atitude tua mais jogas ao chão qualquer gesto nosso de amizade, de entendimento, apesar de tudo.

    Por mais que nos esforcemos não conseguimos te entender. Tens rompido todos os limites do bom senso, do equilíbrio, da seriedade, da lealdade, do amor filial.

    Para encerrar, peço-te que leias o que me disse um grande amigo a quem recorri nessa emergência que estás nos impondo sem dó nem piedade, apesar de algumas lágrimas nas quais fica, a cada dia, mais difícil de acreditar. Toma isto, por favor, como apenas um recado:

    “Amigo, há gente que fracassa alegando falta de apoio. Outras fracassam apesar de encontrarem apoios. Parece ser o destino, mas somos muito responsáveis por ele. Não te arrependas por ter feito o bem a essa pessoa. A vida a ensinará quando for tarde para apagar o passado e a vida apresentará a fatura das besteiras que fizer. Tudo tem seu preço. Os sorrisos que ofereceste serão lembrados com lágrimas na desventura. Que Deus lhe tenha pena, mas certamente a cobrança virá. Dói, mas o tempo vai curar.”


    Francisco Simões. (Fevereiro/2012)