Crônica
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    ANO NOVO, ATITUDES RENOVADAS


    A cada novo ano a gente sempre envia aos amigos e amigas votos de felicidade, desejando a todos um Feliz Ano Novo que lhes propicie realizar todos os seus melhores sonhos. Não é verdade? Pois é. Eu tenho feito isto todos os anos.

    Raramente alguém não toma este tipo de atitude. A recíproca é verdadeira. Todos que recebemos as lindas mensagens de Feliz Ano Novo acabamos agradecendo e retribuindo seja qual for a nossa crença. É difícil alguém deixar passar em branco e não se tocar em agradecer. O normal é retribuir os votos.

    Mas, seria de bom alvitre que ao mesmo tempo todos nós, eu digo todos nós, mesmo, meditássemos e procurássemos passar em revista as nossas atitudes, boas ou nem tanto. Claro, afinal ninguém é perfeito e nem sempre agimos como nós gostaríamos de fazê-lo. Mesmo sem desejar acabamos eventualmente magoando alguém em algum debate que ao terminar pode separar pessoas. Isso é ruim.

    Assumo que já aconteceu comigo e não apenas uma vez. O difícil é as pessoas admitirem um “mea-culpa” que poucos o fazem, não é verdade? Você, amigo, já o fez? Já admitiu ter errado ou pertence ao grupo que sempre põe a culpa no outro?

    Veja que discordâncias acontecerão, pois nem sempre concordamos com alguém no que ele ou ela escreveu, isso é natural. O que se torna anti natural, é, ao discordarmos, agredirmos o outro, ou outra, simplesmente porque nossa opinião difere da dele, ou dela. Tudo depende de como escrevemos, das palavras que nós usamos, muitas das vezes escritas num clima emocional negativo.

    Algumas vezes o que nos falta é tolerância, saber discordar sem atacar o outro, saber apenas trabalhar as palavras como argumentos, todavia aceitando sim que nosso amigo, não adversário, pode ter opinião totalmente diferente da nossa.

    O arrependimento costuma bater à nossa porta depois, tardiamente, porém aí ficamos encolhidos na nossa covardia e perdemos a oportunidade de termos a grandeza de saber pedir desculpas a alguém. Isto já ocorreu com você? Pois lhe digo que comigo já, “mea-culpa”, minha máxima culpa.

    Infelizmente a intolerância de poucos os cega a ponto de preferirem romper amizades, algumas antigas, do que se valer de um simples gesto de entendimento, aceitando que discordar não significa ser “inimigo”. Mas, como diz o velho ditado “cada cabeça uma sentença”, ademais eu não pretendo mudar o mundo.

    Nesse momento em que apelo para reflexões, afim de que tenhamos um ano novo com atitudes renovadas, permita-me perguntar-lhe também: quando você recebe uma mensagem carregando algo bem bonito, um PPS, por exemplo, como alguns divulgam e que nos enlevam pela beleza que os mesmos nos comunicam, nos encantam, você, amigo ou amiga, costuma agradecer? Tem o hábito de escrever a quem lhe enviou aquilo e, num simples gesto, dizer “obrigado, eu gostei demais”?

    Não acha necessário? Não mesmo? Talvez considere uma bobagem “perder tempo” escrevendo meia dúzia de palavras só por um simples “obrigado”! Desculpe discordar de você, mas manda a boa norma de educação que quando recebemos um presente, e neste caso é do que se trata, nós agradeçamos. Não pense que por estar se comunicando neste espaço virtual possa, ou deva, agir diferente da vida real. Sei que alguns nem ligam, pouco se importam do que pensem da forma como agem, mas acreditem, outros observam essas coisas e fazem um julgamento nada agradável desse tipo de atitude. Só não o dizem, como eu faço.

    É verdade que a internet tem servido para muita coisa, muitas revelações, tem imposto hábitos e costumes, nem todos do nosso agrado, mas serve com eficiência de via de denúncias importantes, movimentos diversos que agrupam pessoas com os mesmos interesses, assim como divulga em grande escala nossa literatura dando oportunidade aos geralmente excluídos no mundo da intelectualidade elitista.

    Igualmente ela tem servido de bom instrumento no descortinar de condutas, concepções de moral, que acabam por revelar vaidades ou preconceitos, adulação ou fingimento, mas também amizades verdadeiras e leais, algumas começadas aqui mesmo, no descobrir de sites e endereços de e-mails, e outras que apenas foram para cá transportadas e permanecem “falando” de coração para coração com a sinceridade de sempre, plantadas e cultivadas por décadas no mundo real.

    Você já escreveu a alguém, muito amigo, que lê sua mensagem e nem sequer lhe diz nada, nem sequer responde ao seu contato? Já? E você acha isso normal? Desculpe, talvez por pensar assim você, na recíproca, igualmente não responda a vários amigos ou nada comente quando recebe alguma coisa bonita.

    Digo isso porque estou cansado, cansado mesmo, de escrever ou de enviar coisas para pessoas com as quais na vida real sempre falava, mas que por aqui, por preguiça ou por acharem desnecessário, simplesmente jamais me mandam algo em retorno. Sinceramente, fico frustrado, desiludido, triste, pois não aceito este tipo de atitude, entendem? Como fazem isto comigo há tantos anos acredito que também o façam com alguns de vocês. Talvez até estejam a rir da minha atitude, tudo bem.

    Nem estou considerando o fato de que alguns podem eventualmente ter resolvido que após nossa aposentadoria, após o nosso afastamento pela vida que cada um passou a levar, acharam por bem pôr um ponto final numa amizade unilateralmente. Isso é tão absurdo e triste que prefiro considerar o que um dia me disse certo amigo da antiga que jamais deixa de me responder. Escreveu-me ele:

    “Chico, liga não, alguns não respondem apenas porque não gostam de escrever na internet, mas claro que devem continuar querendo tua amizade. Vai por mim, amigo.” --- Tudo bem, vou fazendo que acredito no que me disse o bom psicólogo.

    Mesmo eu querendo manter intacta minha esperança de que haverá mudanças de atitudes em alguns, devo confessar que minha incredulidade acaba se apossando da minha razão e me empurrando para a descrença. Assim, por favor, me desculpem os que eventualmente eu esteja incomodando com este texto.

    Feliz Ano Novo para todos, mesmo que sem atitudes totalmente renovadas.


    Francisco Simões. (17/Janeiro/2012)