Crônica
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    ANO NOVO, VELHOS ENGANOS


    Foi em Dezembro de 2008, há pouco mais de três anos, que escrevi o poema que hoje fui buscar dentro do meu “baú poético” como venho fazendo há alguns meses.

    Nele procurei falar do Ano Novo que se aproximava, colocando em meus versos toda a decepção que meu coração vinha acumulando por sentir que a realidade a cada dia, cada mês, cada ano, vem tentando provar que o amor anda perdendo o jogo para o desamor em tantos e tantos exemplos trágicos promovidos por seres humanos.

    Seres humanos que tantos ainda acreditam foram criados à imagem e semelhança de seu Deus, este um Ser que seria fonte de Amor, Caridade, Bondade, jamais de vingança ou outras desgraças que andam a semear nesta vida.

    Vida que hoje, para muitos, parece ter perdido o dom, a virtude, a dádiva maior da existência real em um mundo que recebemos de presente, sem nada nos ser cobrado, e pelo qual deveríamos ter mais zelo, mais amor, em vez de ficarmos a destruí-lo com atitudes insanas nada próprias de seres considerados racionais.

    Como eu digo nesses versos: “O amor se esvazia, desfalece, / Padece na solidão do mundo.” Eu queria ser mais otimista do que ainda insisto em ser, porém não raras vezes desanimo diante do descalabro que presencio porque não me recuso a ver, a ouvir, a sentir o que seres humanos andam a fazer não só com a Natureza, mas contra seus próprios irmãos.

    “Muita promessa, muito ufano, / Imposturas, embustes, armadilhas, / Nossos sonhos perdidos numa trilha.” Meus versos vão repetindo minha decepção com grande parte dos seres humanos que hoje infelizmente não são apenas exceções.

    Sei que desagrado àqueles que preferem usar sempre óculos com lentes cor-de-rosa para olhar a vida, mas não posso ignorar o que está diariamente na mídia, seja impressa, seja televisada, seja nos noticiários que ouço pelo rádio. As antigas exceções andam a querer impor-se como regra e isso é muito assustador.

    Desmintam-me os que puderem: pais que matam filhos, filhos que matam pais e/ou avós, namorados e maridos que agridem e matam mulheres, alunos que ameaçam quando não agridem professores, a homofobia a ser exercida covarde e impunemente, ferindo e matando, preconceitos que se alastram atacando pessoas menos favorecidas no nível social, jovens que se “divertem” ateando fogo em corpo de mendigos, isso tudo pode ser visto, ouvido e lido diariamente. Mas existem muitos ouvidos moucos que preferem só ouvir cantos de anjos!!

    Antes se dizia que o jornal que publicava notícias assim quando se torcia saía sangue, hoje não, o sangue está também na TV, nas rádios, além da mídia impressa, e, repito, diariamente. Isto quando não está às nossas portas, como já ocorreu aqui em nossa rua, em frente à nossa casa, num bairro eminentemente residencial e familiar. A violência cresce a olhos vistos, nos oprime, nos atemoriza e acovarda, e parece que estão até a ditar “leis” e regras de viver ou morrer.

    “Nosso sorriso se funde numa lágrima, / O pranto declara o fracasso, / O homem perdeu o rumo, / A vida humana em descompasso.” --- Esses são versos de quem preferia só cantar o amor, a paz, mas a realidade me rouba este direito.

    Escrevi este pequeno poema há exatos três anos, mas se o escrevesse agora talvez tivesse que acrescentar mais versos que só falariam da mesma coisa, da minha desilusão com a raça humana, ou grande parte dela. E nem entrei no terreno da política, nem falei de corrupção endêmica, nem da Fé que alguns andam a comercializar, a transformar em grandes negócios numa exploração consentida e que já finca raízes nos poderes da República.

    Nada mais digo só me empenharei em não perder de todo a esperança que enfraquece a cada ano de eu poder testemunhar um mundo melhor, ou pelo menos o país que me prometeram quando eu era criança. Leiam meu poema, por favor.
    Abraço do
    Francisco Simões (Janeiro/2012)

    ANO NOVO

    Ano novo, novo ano,
    Muita promessa, muito ufano,
    Imposturas, embustes, armadilhas,
    Nossos sonhos perdidos numa trilha.
    Comédias, tragédias,
    A vida em verso e reverso
    A se repetir dia após dia.
    O mundo torcido, revestido,
    Rosário de corações partidos,
    O amor se esvazia, desfalece,
    Padece na solidão do mundo.
    A esperança que cansa,
    Que perde a fé, que agoniza,
    Ano novo, novo ano,
    A previsão mal profetiza.
    Nosso sorriso se funde numa lágrima,
    O pranto declara o fracasso,
    O homem perdeu o rumo,
    A vida humana em descompasso.
    Ano Novo, velhos enganos.

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    Francisco Simões
    Em: Dezembro / 2008.