Crônica
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    SÓCRATES, FILÓSOFO DO FUTEBOL, DA POLÍTICA E MUITO MAIS


    Já devem saber que o ex-craque Sócrates faleceu hoje de madrugada por volta das quatro e meia. Para quem não conheceu Sócrates como gente, digo que ele nasceu pobre, conheceu a fome dentro de casa. Seu pai, mesmo sem recursos, jamais deixou de estudar e sempre incentivou seus filhos a fazer o mesmo.

    No futebol ele foi um dos maiores craques não só do futebol brasileiro como mundial. Um verdadeiro artista da bola que amava jogar, porém jamais fez de sua profissão uma carreira única, ou um fim, mas um meio, com certeza.

    Diferentemente da grande maioria dos jogadores de hoje em dia, Sócrates foi, como pessoa, um líder, um democrata, e estudou sempre, chegando a cursar a Faculdade de Medicina onde se formou médico. Nunca se deixou deslumbrar pelo futebol e sempre disse que acima dele amava o seu país.

    Era um jogador muito respeitado pelo seu grande talento, sua personalidade, sua visão de campo, seus passes e gols mágicos aplaudidos no mundo todo. Participou de uma das melhores seleções que o Brasil conheceu, a de 1982. Junto com o excelente e saudoso técnico Telê Santana e vários outros craques, não ganhou aquela Copa do Mundo, mas foram eleitos, pela unanimidade da mídia internacional, como “campeões moral da Copa”.

    Teve uma passagem pelo futebol europeu, jogando na Fiorentina, e certa vez declarou que estando em terras européias iria aproveitar para conhecer mais de perto a cultura e a história daqueles povos. De há muito que nossos jogadores quando vão jogar lá só querem saber da fortuna que vão ganhar, tornando suas transferências em leilões milionários, nada mais.

    Em plena ditadura militar, Sócrates formou a “democracia corintiana”. Por sinal essa denominação surgiu numa reunião entre pessoas inteligentes e contra a ditadura, sendo que alguns atribuem o termo “democracia corintiana” como de autoria do gênio da Publicidade, Washington Olivetto, que estava na tal reunião.

    Sócrates liderou como ninguém aquele grupo e teve uma atuação decisiva no processo Diretas Já, sem jamais ser político. Só o criticavam os que simpatizavam com o regime militar e naturalmente o execravam. Ele nunca fugiu da sua responsabilidade, criticando o regime então vigente, todavia sem jamais participar de qualquer movimento de agitação.

    Seu caráter fica muito bem definido quando, como acabo de ouvir na rádio CBN, estando ele internado pela segunda vez face à cirrose, disse que não admitia, por ser quem era, “furar a fila dos transplantes”. Não furou e morreu com dignidade independente de qualquer crítica que pessoas de opinião diferente da minha e de grande parte da mídia possam afirmar.

    Sócrates era meu conterrâneo, paraense, e morreu aos 57 anos. Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira teve uma trajetória tão extensa e única quanto seu nome completo. Sempre disse amar o seu país e tinha Brasileiro até no nome. Ele foi considerado pelos críticos internacionais como um dos 100 maiores jogadores de futebol que o mundo já conheceu.

    Quem me conhece de há muito sabe que sou vascaíno pela genética, pois sou filho, neto, bisneto e trineto de portugueses, portanto já veio no sangue. Entretanto quando tinha, creio que nove anos, tomei conhecimento do emblema da camisa do time corintiano. Ali me apaixonei e passei a ser mais um torcedor corintiano, em S. Paulo. Vejam que naquele tempo, no Pará, ninguém dava importância aos times de S. Paulo. As pessoas só elegiam seus times os do Rio de Janeiro.

    Hoje teremos uma grande decisão e um deles vai ser o campeão brasileiro de 2011, Vasco ou Corinthians. Eu me considerarei campeão qualquer deles que vença. Se for o Vasco, ótimo, se for o Corinthians será uma estranha coincidência, mas uma grande homenagem ao seu maior líder em campo, Sócrates. Que ele descanse em paz.


    Francisco Simões. (04/Dezembro/2011)