Crônica
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    O POEMA “EXCELÊNCIA”


    Foi no final do ano de 2000 que me veio a idéia de escrever mais alguns versos com a força de uma crítica política como eu sempre gostei de fazer. Em filmes eu usara tanto a crítica política como a social em diversos filmes de curta-metragem durante a ditadura militar. Participei de muitas Mostras e Festivais mais no âmbito universitário.

    Os versos vieram depois, ou melhor, retornaram posteriormente àquela fase, visto que antes eu já versejara algumas vezes, mas só para o “consumo pessoal”. A idéia do poema “Excelência” surgiu quando o segundo mandato do governo FHC caminhava para o final. As críticas bradadas nos versos dessa poesia tinham como alvo aquele governo.

    Eu ainda tinha esperança de que mudanças poderiam ocorrer na política nacional a fim de derrubarem mitos, atenderem ao anseio popular, promoverem uma autêntica reforma social e política e que a ética imperasse caso o poder mudasse de mãos. Votei então no candidato do PT, como tantos milhões de brasileiros.

    As muitas denúncias de corrupção de que se tomava conhecimento no então governo do PSDB infelizmente não terminaram, pelo contrário, parece que encontraram uma guarida ainda mais forte no governo petista. Deu no que deu. Mas voltemos à história do poema “Excelência”.

    FHC era de fato o primeiro governo na era da volta à democracia, pois Fernando Collor nem esquentou a cadeira em Brasília. Decidi explodir minha revolta, minhas decepções, nos versos de uma poesia no final do ano de 2000 e começo de 2001.

    Aborrecido por tanto me pedirem “tolerância, por favor”, e sentindo que a esperança continuava mutilada, quando falseavam anseios replantados, quando a ilusão como milagre era anunciada, pelo mentir repetitivo e consagrado, pelo deboche de sorrisos masturbados, escrevi o “Excelência”.

    Inscrevi esta poesia em três concursos aqui no Brasil e em todos ele foi premiado. Coloquei também no “Pódio do Mês” do Laboratório de Poesias, levado a efeito em Estoril, Portugal, e igualmente ele alcançou uma premiação. Mas foi justamente no Concurso Nacional de Poesias, da AABB – LAGOA, no Rio de Janeiro, em Setembro/2001, que “Excelência” obteve o prêmio de maior valor.

    Compareci numa linda tarde de primavera para receber tanto este primeiro lugar como o prêmio de segundo lugar que eu conseguira no ano anterior com outro poema no mesmo Concurso Nacional. Foi muito bom reencontrar lá amigos da antiga do BB com suas respectivas esposas, como ter presente, na mesa que dirigiu os trabalhos, a convite da Diretoria da AABB, a amiga Irene Serra.

    Abaixo registro os concursos e as respectivas premiações do “Excelência” sendo três no ano de 2001 e uma no de 2004. Após os respectivos concursos os amigos e amigas poderão ler, ou reler, meu poema “Excelência”. Até o próximo mês.“

    I CONCURSO NACIONAL DE POESIAS PAPIRO – Alternativo Cultural” – (Santos – SP) – O poema EXCELÊNCIA ganhou Menção Honrosa. (Maio/2001)

    “PÓDIO DO MÊS” do LABORATÓRIO DE POESIAS – Estoril – Portugal – O poema EXCELÊNCIA foi classificado em 5º lugar no mês de julho/2001.

    "8º CONCURSO NACIONAL DE POESIAS" – AABB – Lagoa – Rio de Janeiro – O poema EXCELÊNCIA ganhou o 1º lugar em poesia moderna. (Setembro/2001)

    "EXPRESSÃO DA ALMA" (10ª Edição)
    2º lugar em Melhor Crítica Social com o poema "EXCELÊNCIA" (Março/2004).


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    EXCELÊNCIA

    Fizeram-me promessas e eu ouvi,
    Pediram-me calma e atendi,
    Rogaram-me confiança e eu cri,
    Cobraram-me paciência e esperei.
    Ouvi, atendi, cri, esperei
    E depois o que vi? O que presenciei?
    As esperanças continuam mutiladas,
    Cada ano novo tão velho e reprisado,
    Quando falseiam anseios replantados,
    Quando a ilusão como milagre é anunciada,
    Pelo mentir repetitivo e consagrado,
    Pelo deboche de sorrisos masturbados,
    Na prepotência infiel e imunizada
    De mãos que assinam e rasgam compromissos,
    De olhos com antolhos que enxergam só por cima
    Dos ombros, dos problemas, da penúria, da fome
    De bocas sem nome, da dor que se aclima.

    E ainda me exigem “tolerância , por favor”,
    Enquanto a ganância e o desamor
    Limpam suas botas em meu jardim, na sua flor,
    Nos limites do mundo e da decência
    Onde a inclemência insiste em se impor
    Sem pudor, sem pejo, sem indulgência.
    Excelência, a vida clama por amor.
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    Autor: Francisco Simões.
    Em: Janeiro / 2001.
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    Francisco Simões. (Novembro/2011)